Empresário ligado a Pimentel negou ser dono do avião

Bené embarcando no avião que não era dele…

Talita Fernandes, Daniel Carvalho e Fausto Macedo
Estadão

Investigação da Polícia Federal mostra que o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, tentou ocultar ser dono do avião apreendido no âmbito da Operação Acrônimo, destinada a apurar esquema de lavagem de dinheiro por meio de contratos com o poder público.

Bené disse, ao ser detido em outubro, que a aeronave pertencia a um amigo e ele arcava apenas com os custos de combustível. Preso na sexta-feira, no entanto, ele confessou ser sócio da empresa proprietária do avião, segundo seu advogado, Celso Lemos. Bené é tido pela PF como o “operador” da organização criminosa investigada e é próximo a Fernando Pimentel (PT), governador de Minas Gerais. As empresas Gráfica Brasil e Due Promoções e Eventos, controladas por Bené e familiares, faturaram, entre 2004 e 2015, R$ 525 milhões, a maior parte por meio de contratos firmados com o governo federal, segundo a investigação.

MALA DE DINHEIRO

A apuração da PF foi iniciada em outubro do ano passado, quando a Polícia Federal abordou o bimotor turboélice de prefixo PR-PEG na pista do aeroporto internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília, após receber denúncias anônimas de que o voo continha malas de dinheiro. Bené e outros colaboradores da campanha de Pimentel foram detidos com R$ 113 mil.

Ao prestar depoimento, o empresário foi questionado sobre a propriedade do avião e negou ser o dono.Ao ser preso na sexta-feira, Bené mudou de versão e disse ser sócio da empresa proprietária do avião, segundo seu advogado, Celso Lemos. “O avião é de uma pessoa jurídica que pertence ao Benedito e está declarado isso no depoimento de sexta-feira, naquela prisão em flagrante. Ele disse e assinou embaixo”, afirmou o advogado.

De acordo com Lemos, Bené declarou no depoimento “que o avião modelo King Air C90 de prefixo PR-PEG é de propriedade da empresa Bridge Participações, cujos sócios são o próprio conduzido (Bené) e uma pessoa jurídica da qual o conduzido é sócio”. Nos registros da Receita Federal, no entanto, apenas os irmãos Alexandre e Ricardo Santos aparecem como sócios da Bridge Participações S.A., cujo capital social é de R$ 2.000.

VAI VER COM O PESSOAL…

A PF já suspeitava que Bené era o dono do avião ao analisar troca de mensagens em telefones celulares apreendidos no ano passado. Um desses casos é uma conversa via SMS entre Bené e Gentil Martins Dias, sócio de Bené em uma empresa de vinhos. Na conversa, Bené pergunta se a empresa de Gentil fica nos Estados Unidos, que responde que não. “Tem como eu colocar o avião no nome dela (empresa do sócio) para que ela exporte para mim no Brasil?”, pergunta Bené, que recebe como resposta que Gentil “tem uma fundação nos EUA” e que “vai ver com o pessoal”.

Outra troca de mensagens ocorreu em 2013, em que um interlocutor chamado “Sidão” pergunta se o “benets fly” – como era chamado o avião em referência a Bené como proprietário, segundo a polícia – está disponível.

Com base na análise das mensagens, a PF concluiu que “tal negócio pode ter ocultado a transferência da propriedade do avião, comprado nos EUA em nome da Lumine Editora, e registrado no Brasil em nome da Bridge Participações.”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *