Empresas abutres sobrevoam a UFRJ, o governo RJ e a Prefeitura

Pedro do Coutto

Com empresas abutres em matéria de superfaturamento de preços, como a Locanty, Toesa, Bela Vista e Rudolfo atuando livremente na corrupção de autoridades e no câmbio negro de consciências, é de fato impossível que existam recursos públicos para que o Ministério da Saúde, o Governo do RJ e a Prefeitura do Rio possam enfim oferecer um atendimento digno à população.

A reportagem de Marcele Ribeiro, Maria Elias Alves, Rafael Galdo e Roberto Maltchik, O Globo de terça-feira 20, é arrasadora. Tanto quanto a exibida no Fantástico, Rede Globo, noite de domingo. Propostas de pagamento ilegal de comissões foram gravadas. Ficam para sempre como sinal de uma época que ameaça não ter fim. O fundo de um saco sem fundo, frase de Tennessee Williams em uma de suas peças, De repente No Último Verão.

Falta dinheiro para que a administração pública, de modo geral, possa apresentar, como eu disse há pouco, um atendimento digno à população. E aí surge o aspecto mais revoltante: pois é esse mesmo povo que paga direta e indiretamente, em dobro, os roubos e rombos em série de um sistema de saúde do qual depende a existência humana.

Se o governo Sérgio Cabral pagou a esse grupo imundo 283 milhões de reais de 2008 e 2012, e a administração Eduardo Paes 62 milhões, e mais os negócios na UFRJ, quanto alcançará o superfaturamento no total das contas? E quantas pessoas morreram em consequência? Muito mais importante que o valor financeiro, porque a vida não tem preço.

É impressionante a omissão. Estarrece. Como, num espaço de quatro anos de investidas e assaltos contínuos, as administrações não detectaram nada? Tal omissão leva, senão à conivência, pelo menos à leniência. Não pode ser o contrário. Pode-se passar por idiota. Ser idiota é outro caso.

A ingenuidade tem limite. A corrupção não. Basta que comece em algum ponto ou algum plano que não para mais. Até porque os ladrões de todos os tipos e estilos, incluindo os de casaca, são movidos por um estranho impulso: não ostentam porque roubam. Na verdade roubam para ostentar. O ladrão tem a necessidade psicológica de revelar, não em palavras, mas em imagens ostentatórias, que é ladrão.

É suficiente comparar quanto alguém tem de rendiimento e quais os bens que possui, para que se identifique se há ou não compatibilidade. Se não houver, a diferença não decorreu do trabalho ou do investimento. Nasceu na fonte da desonestidade. Mas este é outro assunto. Freud explica, como se diz por aí.

Agora, depois de anos de corrupção continuada, em consequência da reportagem do Fantástico e sua sequência no Globo, Ministério da Saúde, Hospital Universitário do Fundão, hospitais escola administrados pelo MEC, governador Sérgio Cabral, prefeito Eduardo Paes cortam repentinamente os contratos com o obscuro elenco denunciado à opinião pública.

Tarde demais. Os prejuízos (irreversíveis) já foram causados, os assaltos ao patrimônio público praticados. Dinheiro subtraído não retorna jamais. Nesta altura do campeonato encontra-se em algum paraíso fiscal, já que na Suiça o sigilo deixou de ser uma garantia absoluta.

Veja-se o caso Rodrigo Silveirinha e seu bando de fiscais de renda no Rio de janeiro. A União de Bancos Suiços revelou suas contas correntes no montante de 34 milhões de dólares. A Justiça de Genebra ofereceu a devolução, já que a procedência é ilegal. Algum leitor se empenhou em aceitar a devolução? Assim como o governo estadual. O Juiz Lafredo Lisboa foi aos Alpes e identificou tudo. Até hoje, em vão.

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