Encurralado por si mesmo e pelos seus atos, só resta a Bolsonaro a renúncia

Situação de Bolsonaro torna-se a cada dia mais insustentável

Pedro do Coutto

O presidente Jair Bolsonaro encontra-se encurralado e sufocado principalmente por seus próprios atos, pelo seu descontrole e pela sua falta de visão para governar o país, conforme ficou nítido na última semana. Resta somente a ele no plano legal a renúncia como desfecho lógico da atual crise, tão política quanto moral, e que envolve infelizmente o panorama brasileiro.

A edição do Jornal Nacional da TV Globo na noite de sábado deixou claro essa solução como a mais provável e menos impactante do que qualquer outra. A edição do JN foi longa e apresentou a fase até então inédita dos trabalhos da CPI na noite de sexta-feira. A sessão terminou tarde e, com base nisso, o noticiário acrescentou ao quadro com a citação do nome do deputado Ricardo Barros como o articulador principal do propósito de aquisição das vacinas Covaxin da Índia.

COMPROMETIMENTO – A senadora Simone Tebet cobrou intensamente a convocação do parlamentar, já que também o deputado Luis Miranda, depois de vacilar em citar o líder do governo, terminou admitindo o comprometimento do parlamentar que praticamente apoiou os governos FHC, Lula, Dilma Rousseff , Michel Temer e, depois das urnas de 2018, embarcou na viagem bolsonarista.

Natália Portinari e Leandro Prazeres, O Globo deste domingo, colocam em destaque a presença de Ricardo Barros
na questão da vacina e acrescentam o fato de o atual governo possuir a múltipla presença do Centrão, e que tem Barros como seu integrante, controlando cargos relativos ao aparente combate à Covid-19.

Destacam ainda o rastro desastroso de mais de 500 mil mortes e uma contaminação diária na média de 60 mil pessoas, o que demonstra que o ministro Marcelo Queiroga não conseguiu conter o ciclo da pandemia que está conduzindo o país para um número gigantesco de novos casos a cada 24 horas.

SAÍDA LEGAL – Mas falei em saída legal para que se fechem as cortinas de mais um período profundamente crítico da história do Brasil. Dificilmente qualquer pedido de impeachment deverá ter curso já que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, ao que tudo indica, não vai retirá-los da gaveta ou da memória dos computadores de Brasília e do Congresso. O fato, na minha opinião, é que a situação de Bolsonaro é insustentável, mesmo analisando-se a atmosfera a curto prazo.

Essa atmosfera torna-se cada vez mais densa, isolando o presidente da República da opinião pública e, portanto, da própria população e do eleitorado. Claro que Jair Bolsonaro não pensa em renunciar, pelo contrário. Sentindo-se batido nas urnas por Lula como o Ipec revelou e interiormente constatando o seu fracasso, registra uma decepção dos eleitores que o levaram a uma vitória em 2018. Sua faixa de apoio está restrita a pouco mais de 20% da opinião pública. Menos da metade do total de votos que alcançou quando derrotou Fernando Haddad por 57% a 43%.

Os eventos da política estão soprando fortemente na Esplanada de Brasília e segundo reportagem de Bela Megale, Jussara Soares e Dimitrius Dantas, no O Globo, 11 partidos resolveram se unir contra a ideia de Bolsonaro de substituir o voto eletrônico pelo retorno ao voto impresso. Um estratagema que Bolsonaro antecipou no caso de derrota para Lula alegar que o desfecho seria fraudulento. O presidente chegou a afirmar em relação à vitória de Joe Biden que Donald Trump havia perdido por uma fraude.

CONTRADIÇÃO – Neste ponto, há uma contradição. As eleições americanas desenrolam-se pelo voto impresso. Isso de um lado. De outro, o Tribunal Superior Eleitoral dirigiu-se a ele pedindo provas da fraude que ele afirma ter ocorrido em 2018.

Falei na renúncia como a única saída viável para o governo e para o país dentro da Constituição e da lei. Bolsonaro, entretanto, sentindo-se sem espaço, vai apelar para que um golpe possa mantê-lo no poder. Inclusive no editorial de ontem do O Globo, chama-se a atenção para tal impulso em um texto em que se refere ao Exército e às Forças Armadas. Não acredito que o Exército lhe dê cobertura e decida por um caminho golpista.

Mas o artigo faz um alerta importante. Nuvens produzem sombras e quase toda a nação está empenhada para que um horizonte possa voltar a ser contemplado com nitidez.

19 thoughts on “Encurralado por si mesmo e pelos seus atos, só resta a Bolsonaro a renúncia

  1. FOLHA DE S. PAULO – 28/06/2021

    Luis Miranda fala em esquema ‘muito maior’, levanta suspeita sobre compra de testes de Covid e cita indicado de Barros.

    Deputado diz que seu irmão, chefe de logística da Saúde, pode dar mais informações em uma sessão secreta da CPI

  2. Nada de impeachment e nada de golpe. O povo precisa aprender a escolher melhor. Valorizar seu voto.
    Não ser facilmente influenciado pela mídia ou por Fake News.
    Jornalistas tb tem sua parcela de culpa por Bolsonaro estar lá. Espero que cada um faça um exame de consciência.
    Bolsonaro nunca foi um bom cidadão. Está no terceiro casamento. Colocou toda a família na Política. Foi um mau militar. Foi um deputado preguiçoso.
    Esperavam o que?

  3. FOHA DE S. PAULO ´28/06/2021

    Salvar para ler depoisSALVAR ARTIGOS
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    Deputado fala em esquema ‘muito maior’ e levanta suspeita sobre compra de testes de Covid
    Em entrevista à Folha, Luis Miranda afirma que irmão pode dar mais informações em uma sessão secreta da CPI

    ‘Não se tratava de ideologia, era o velho esquema de corrupção’, diz Randolfe

    CELSO ROCHA DE BARROS: Há indícios de que Bolsonaro acobertou roubo de dinheiro de vacina

    MATHIAS ALENCASTRO: Bolsonaro queria importar da Índia versão melhorada de projeto genocida

    No foco da CPI, Precisa vai pedir hoje à Anvisa uso emergencial da Covaxin

    ‘Mais uma desse cara, não aguento mais’, disse Bolsonaro sobre líder do governo, segundo deputado

    Além da Covaxin, CPI da Covid quer investigar negociação para compra de vacina da CanSino

  4. ESTADO DE SÃO PAULO – 28/06/2021

    Vacina indiana

    Valor de contratos da Precisa, que negociou a Covaxin, cresce 6.000% com Bolsonaro
    Empresa está no centro das suspeitas envolvendo a compra de vacinas na Saúde e ganhou no governo Bolsonaro acesso ao BNDES e à embaixada do Brasil na Índia

    Coluna do Estadão: Chama do impeachment se alastra da esquerda à direita

    CPI vai investigar compra de vacinas Sputinik V e da chinesa Convidecia

  5. ESTADO DE MINAS – 28/06/2021

    NA MIRA

    CPI vai apurar negócio por vacina chinesa mediado por empresa alvo da PF

    Belcher Farmacêutica é citada em inquérito sobre desvio de testes no DF. Carta de intenções de R$ 5 bi foi firmada em junho

    EM

    Estado de Minas
    28/06/2021 19:41 – atualizado 28/06/2021 19:57
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    CanSino, vacina chinesa(foto: AFP / JAVIER TORRES)

    As tratativas do governo federal para comprar 60 milhões de doses da vacina chinesa CanSino vão ser investigadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID-19. O trato tem o custo de R$ 5 bilhões. A ideia de apurar o caso no comitê do Senado Federal foi divulgada pelo jornal “O Globo”.

    16:42 – 28/06/2021
    Randolfe: CPI tem a função de punir ‘psicopatas’ que mataram 500 mil

    11:02 – 28/06/2021
    Luis Miranda afirma que irmão teve acesso bloqueado no Ministério da Saúde

    07:31 – 28/06/2021
    Randolfe Rodrigues vai acionar PGR para investigar Bolsonaro

    A carta de intenções pactuada entre o governo brasileiro e a Belcher Farmacêutica, representante da CanSino no país, aponta US$ 17 como custo de cada injeção. O composto é ministrado em dose única.

    O negócio ainda não foi fechado, mas a Belcher, intermediária, é alvo de investigação da Polícia Federal que apura desvio de testes para o coronavírus adquiridos pelo governo do Distrito Federal.

    A empresa tem o apoio de empresários ligados ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), como Luciano Hang, da Havan, e Carlos Wizard, que mantém empresas de educação, alimentação e esportes. Wizard, aliás, será ouvido pelos senadores nesta semana.

    Covaxin

    A CPI já se debruça sobre o caso da vacina indiana Covaxin. Na sexta, o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda mostrou aos senadores documentos e mensagens que embasam alegações de ilicitudes nas negociações.

    O funcionário público, irmão do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), afirmou que três de seus superiores na pasta exerceram pressão para o pagamento antecipado de US$ 45 milhões – R$ 221 milhões –, para a importação de doses.

    O deputado Luis Miranda disse ter informado o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre as suspeitas. Segundo o congressista, o chefe do Executivo federal, ao tomar conhecimento das alegações, apontou possível participação de seu líder na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR).

    O que é uma CPI?
    As comissões parlamentares de inquérito (CPIs) são instrumentos usados por integrantes do Poder Legislativo (vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores) para investigar fato determinado de grande relevância ligado à vida econômica, social ou legal do país, de um estado ou de um município. Embora tenham poderes de Justiça e uma série de prerrogativas, comitês do tipo não podem estabelecer condenações a pessoas.

    Para ser instalado no Senado Federal, uma CPI precisa do aval de, ao menos, 27 senadores; um terço dos 81 parlamentares. Na Câmara dos Deputados, também é preciso aval de ao menos uma terceira parte dos componentes (171 deputados).

    Há a possibilidade de criar comissões parlamentares mistas de inquérito (CPMIs), compostas por senadores e deputados. Nesses casos, é preciso obter assinaturas de um terço dos integrantes das duas casas legislativas que compõem o Congresso Nacional.

    O que a CPI da COVID investiga?
    Instalada pelo Senado Federal em 27 de abril de 2021, após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), a CPI da COVID trabalha para apurar possíveis falhas e omissões na atuação do governo federal no combate à pandemia do novo coronavírus. O repasse de recursos a estados e municípios também foi incluído na CPI e está na mira dos parlamentares.

    O presidente do colegiado é Omar Aziz (PSD-AM). O alagoano Renan Calheiros (MDB) é o relator. O prazo inicial de trabalho são 90 dias, podendo esse período ser prorrogado por mais 90 dias.

  6. Quer dizer que o Renan Calheiros sabia de tudo? Que o irmão dele, Renildo Calheiros, Foi um dos autores da MP pela compra da Covaxin?

    O Onix não tinha dito que Ricardo Barros e os 2 deputados do PCdoB, Renildo Calheiros e Orlando Silva, tinham apresentado a mesma emenda que o líder do governo para a aceleração da compra da vacina?

    O deputado Ricardo Barros não disse no seu Twitter que o nome do deputado mencionado pelo Luis Pilantra não era o dele? Seria então o Renildo ou o Orlando?

    Omar Aziz também foi autor de uma MP e o Randolfe foi o RELATOR.

    Hummm…vai dar ruim!

    https://twitter.com/kimpaim/status/1409325071374512131?s=09

  7. A situação do Capetão está naquela que os pedreiros chamam de “trincada”. Que bicho é isso? Quando já temos uma massa de cimento seca, aplicada à parede. Se batermos na estrutura para fixarmos uma escápula, por exemplo, os grãozinhos d’areia vão-se desagregando um do outro, enfraquecendo a estrutura. Quer dizer: os granitos continuam inseridos na massa, mas desintegrados.
    Esse mesmo processo incidioso de autossabotagem, Bolsonaro construiu contra si (redundância): foi-se desarticulando dos mínimos tentáculos que lhe davam sustentação.
    O próprio prisidente prenunciou, recentemente, que estaríamos à porta da maior crise hídrica da história: faltou-lhe fazer uma analogia: sem os seus afluentes, um rio não pode ser volumoso e imponente. Um empresário só é forte, por causa da sua clientela; resguardadas as devidas importâncias de cada cliente, é óbvio!
    Neste mundo, nem dos ratos pode-se arracar o prestígio. Quem serve de cobaia, para experimentos a serem aplicados nos humanos? Porquanto, Jair Messias Bolsonaro merece um enterro digno de chefe de Estado: Sit tibi in terra levis!

    • Você deve estar igual ao articulista; só vocês “se informam” no J.N. O povão prefere assistir o roda roda do Silvio Santos, no horario do J.N.

      Esquerdistas se alimentam do uso de discurso de auxilio á minorias.

      Hoje coloquei na fatima Bernardes, para ver se ela iria chorar pela morte do lazaro. Mas, ela nem titubeou, já estava agarrada em outra narrativa, agora ela mudou para os LGBTabc… xyz.

    • Não existe bolsonarista arrependido. Quem vota no Bolsonaro sabe da INcapacitação dele; nos continuamos sabendo, que ele só é menos pior que o Lula. Imagine se fosse o lula presidente, se vocês e os jornalistas poderiam estar falando estas barbaridades livremente como vocês fazem com o Bolsonaro.

      PS: Quem fala que era bolsonarista e se arrependeu, é mentiroso. Agora vai ser (DE NOVO) o lula contra o único que pode vence-lo (Bolsonaro). E ai eu pergunto: O que o Lula fez, para que agora mereça o seu voto, e faça você esquecer tudo que ele fez ?

      OBS: Só não vou falar para você colocar os dois na balança, porque o lula vai roubar a balança.

  8. Bolsonaro nunca foi um bom cidadão. Está no terceiro casamento. Colocou toda a família na Política. Foi um mau militar. Foi um deputado preguiçoso.

    E o 09 dedos ou Barba foi um excelente cidadão, culpou a finada por todos os mal feitos, tirou os filhos da miséria e os tornou em grandes empresários, seu passado câmara foi completamente desqualificado e nem tentou a reeleição pois sabia que seria rejeitado. Colocava chifre na esposas, tanto que a Rosimeire viajava pelo mundo afora as custas dos pagadores de impostos.
    Isto sim é que é um cidadão exemplar.

  9. Por favor, não, não, seria muito fácil para o mito sair da vida política e assim entrar na História. Aí no futuro poderia dizer que abriu mão de uma reeleição quase garantida, porque político fracassado adora dizer que se sacrificou, em benefício próprio é claro. Mas isto ele não conta.

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