Energia elétrica vai subir 50,9% este ano, diz Banco Central

Alexandro Martello
Do G1 Brasília

Preparem os bolsos. O preço da energia elétrica deve registrar um forte crescimento de 50,9% neste ano, segundo estimativa divulgada pelo Banco Central nesta quinta-feira (6). A previsão consta da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) – realizada na semana passada, que elevou a taxa básica de juros para 14,25% ao ano, o maior nível em nove anos.

Em junho deste ano, a previsão do Banco Central era de uma alta um pouco menor no preço da energia elétrica para o ano de 2015 fechado. Na ocasião, o BC estimava um aumento de 41%. A estimativa de alta no preço da energia elétrica em 2015 reflete do repasse às tarifas do custo de operações de financiamento, contratadas em 2014, da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

O governo anunciou, no início deste ano, que não pretende mais fazer repasses à CDE – um fundo do setor por meio do qual são realizadas ações públicas – em 2015, antes estimados em R$ 9 bilhões. Com a decisão do governo, as contas de luz dos brasileiros podem sofrer em 2015, ao todo, aumentos ainda superiores aos registrados no ano passado.

FALTA DE ENERGIA

O custo de produção de eletricidade no país vem aumentando principalmente desde do final de 2012, com a queda acentuada no armazenamento de água nos reservatórios das principais hidrelétricas do país.

Para poupar água dessas represas, o país vem desde aquela época usando mais termelétricas, que funcionam por meio da queima de combustíveis e, por isso, geram energia mais cara. Isso encarece as contas de luz. Entretanto, também contribui para o aumento de custos no setor elétrico o plano anunciado pelo governo ao final de 2012 e que levou à redução das contas de luz em 20%.

Para chegar a esse resultado, o governo antecipou a renovação das concessões de geradoras (usinas hidrelétricas) e transmissoras de energia que, por conta disso, precisaram receber indenização por investimentos feitos e que não haviam sido totalmente pagos até então. Essas indenizações ainda estão sendo pagas, justamente via CDE.

GASOLINA, GÁS E TELEFONE

Para a gasolina, o Banco Central estimou um aumento de 9,2% em 2015 – patamar um pouco superior ao apontado em junho deste ano, na reunião anterior do Copom. Na época, o BC projetava uma alta de 9,1% para a gasolina em todo este ano.

No começo deste ano, o governo anunciou aumento da tributação sobre a gasolina, por meio da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), do PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Essa alta foi repassada para os preços.

O Banco Central estimou ainda, na ata do Copom divulgada na manhã desta quinta-feira, que o preço do gás de cozinha deve ter um aumento de 4,6% neste ano (contra a previsão anterior, feita em junho, de um aumento de 3%), enquanto que a telefonia fixa deve ter queda de 3% em 2015 (em junho, o BC estimava uma queda maior, de 4,4%).

Com a alta da tributação sobre gasolina e fim de repasses para a conta de luz, o Banco Central informou que prevê, para o conjunto de preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros), um aumento de 14,8% neste ano. Em junho, a estimativa era de uma alta de 12,7% em 2015.

9 thoughts on “Energia elétrica vai subir 50,9% este ano, diz Banco Central

  1. Esses aumentos contribuem muito para a inflação e para frear o consumo aumentam a SELIC. Isso é simplesmente ininteligível. É necessário de uma vez por todas que se rebaixe a SELIC aos juros médios praticados no mercado internacional e, se for necessário, aumentar o IOF e os impostos sobre os ganhos dos bancos, essas medidas aumentam o custo do coitado tomador de empréstimos e assim inibem o consumo. Não podemos mais pagar esses juros injustos da dívida, mais nunca!

  2. x
    x
    IBGE divulgou anteontem a inflação (IPCA) do mês de julho: 0,62%.

    Pelo histórico em 2015 temos:

    • janeiro:……….1,24%
    • fevereiro:…….1,22%
    • março:………..1,32%
    • abril:…………..0,71%
    • maio:………….0,74%
    • junho:…………0,79%
    • julho:………….0,62%

    Então a inflação acumulada em 2015 até julho é de: i = [(1,0124 x 1,0122 x 1,0132 x 1,0071 x 1,0074 X 1,0079 X 1,0062) -1] x 100 = 6,83%.

    A inflação acumulada em doze meses até julho, isto é, anualizada, está em 9,56%. Ou seja, 3,06% acima da banda superior de controle do BACEN que é de 6,5%.

    O preço da energia elétrica cuja variação foi de 4,17% em julho. A energia elétrica residencial continua sendo um dos itens de despesa que mais precionam o índice inflacionário. No ano a energia elétrica acumula alta de 47,95% e em doze meses alta de 57,83%.

    O IPCA acumulado em doze meses (anualizado) e segmentado em grupos ficou assim:

    GRUPOS DE DESPESA………..PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL
    ————————————————————————————-
    Habitação………………………………………………………18,32%
    Alimentação e bebidas……………………………………10,50%
    Despesas pessoais…………………………………..….…….8,72%
    Transportes………………………………………………………8,62%
    Educação……………………………………………….….….….8,58%
    Saúde e cuidados pessoais………………………..…..…..8,09%
    Artigos de residência…………………………………………4,57%
    Vestuário…………………………………………….……..…….3,39%
    Comunicação……………………………………………………0,34%
    ————————————————————————————-
    Índice geral………………………………………………………9,56%

    Tanto o grupo de despesa com habitação quanto o com alimentação e bebidas já apresentam inflação de dois dígitos.

    O IPCA também pode ser decomposto de outra forma, por exemplo em três grupos: o de bens, o de serviços e de preços monitorados.

    Neste sentido a variação de preços acumulada em doze meses e segmentada por estes três grupos ficou assim:

    Grupo de despesa………….Variação Individual x Peso…………Variação Agrupada
    ———————————————————————————————————————
    Bens Duráveis (1)………………………..3,20% x 8,98%…………….0,29%
    Bens Semiduráveis (2)………………….4,09% x 8,03%……………0,33%
    Bens Não duráveis (3)………………….8,43% x 23,61%………….1,99%
    Serviços (4)…………………………………..8,54% x 35,61%………….3,04%
    Itens monitorados (5)…………………15,99% x 23,77%………….3,80%
    ——————————————————————————————————————–
    Variação total……………………………………………………………………9,45%

    Na decomposição do IPCA que em doze meses atingiu 9,56% de alta (9,45% na distribuição estatística do Banco Central), a inflação do grupo serviços acumulou alta de 8,54%. Destaque para psicólogos com alta de 12,56%, tratamento de animais com 13,28% de alta, alimentação fora de domicílio com alta de 10,41%, clube com alta de 10,45%, revelação e cópia com 10,84% de alta, passagens aéreas com alta de 25,20%, conserto de automóvel com 13,09% de alta, dentista com 10,51% de alta, entre outros.

    Já os preços monitorados (elementos de despesas com preços administrados pelo governo) a alta acumulada chegou a 15,99%.

    Esta seria a nossa inflação (15,99%) caso o IPCA fosse formado apenas por preços administrados.
    Destaque para a energia elétrica residencial com alta acumulada de 57,83%, metrô com alta de 13,69%, jogos de azar com 47,50% de alta, óleo díesel com 12,89% de alta, gasolina com alta de 12,23%, ônibus urbano com 13,11% de alta, trem com alta de 12,39%, taxa de água e estogo com alta de 12,62% e ônibus intermunicipal com 11,51% de alta, entre outros.

    Uma outra forma de apresentar o índice inflacionário é separá-lo em apenas dois grupos de despesa, isto é, entre itens de preços livremente estabelecidos pelo mercado e itens de preços administrados, estabelecidos, monitorados pelo governo. Neste caso a inflação acumulada em doze meses, até julho, divida por esses dois grandes grupos fica assim representada:

    Grupo de despesa………….Variação Individual x Peso…………Variação Agrupada
    ——————————————————————————————————————————–
    Itens de preços livres………………………7,56% x 76,23%………….5,76%
    Itens de preços monitorados………….15,99% x 23,77%………….3,80%
    ——————————————————————————————————————————–
    Variação total……………………………………………………………….…..9,56% (inflação acumulada)

    Há de se observar que tanto os preços livres quanto os monitorados estão acima do teto da meta do BACEN que é de 6,5%.

    Na verdade, quando se olha a variação total, vê-se que falta muito pouco para o IPCA chegar aos dois dígitos.

    (1):Mobiliário, aparelhos eletroeletrônicos, jóias e bijuterias, automóveis novo e usado, motocicleta e outros.

    (2):Utensílios e enfeites, cama, mesa e banho, roupas, calçados e acessórios, tecidos e armarinho, óculos e lentes e outros.

    (3):Alimentação e bebidas, artigos de limpeza, produtos farmacêuticos, higiene pessoal, fumo, leitura e outros.

    (4):Consertos e manutenção, pintura de veículo, serviços de saúde, serviços pessoais e cursos.

    (5):Serviços públicos e residenciais, transporte público, combustíveis, plano de saúde, pedágio, licenciamento.

    Fonte: IBGE e Banco Central do Brasil.

    PS.: Uma probabilidade para a máxima inflacionária em 2015: i = [(1,0124 x 1,0122 x 1,0132 x 1,0071 x 1,0074 X 1,0079 X 1,0062)^1,71 -1] x 100 = 12,0%.

  3. Esses canalhas “pensaram” na demanda, mas continuamos.com escassez de oferta.

    Mas a inflaçao atual nao e de demanda. E de reajustes represados de tarifas, de cambio, etc.

    A intençao de darem o remedio errado e em altas doses é justamente envenenar e matar o paciente. Ficando com sua herança, sua pensão e.se seguro de vida.

    O Brasil continua a ser sabotado por dentro e por fora.

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