Enfim, Serra se decidiu: vai concorrer como se não tivesse companheiro de chapa

Mauro Albernaz:
“Jornalista, estamos chegando em cima da eleição, e o ex-governador de São Paulo continua sem encontrar ninguém para compor a chapa. Agora, falam em Álvaro Dias e Índio da Costa. Gostaria de saber: ele pode disputar a eleição sozinho na chapa, sem mais ninguém?”

Comentário de Helio Fernandes:
Poder, pode, Mauro. Mas seria rigorosamente inédito na História da República. O vice, teoricamente (e até eleitoralmente) é um reforço para o candidato, geralmente é um nome prestigioso, que acrescenta votos. Se o candidato recusa esse fator favorável, digamos, o prejuízo (?) seria dele.

Temos que levar em consideração que Dona Dilma também deixou a chapa vazia. Colocando um cidadão como Temer, que não tem voto, prestígio ou credibilidade, a candidata do presidente Lula, foi como se dissesse à opinião pública: “Não preciso de ninguém, (lógico, só de Lula) para ganhar a eleição”. (Mas terá um vice falso, que assumirá em qualquer circunstância).

Se o governador de São Paulo não preenchesse a chapa, estaria criando um grave problema para o país, talvez fosse a sua intenção. Em caso de impedimento eventual, o presidente da Câmara teria que assumir. Só essa possibilidade já transformaria num incêndio devastador a escolha do presidente da Câmara.

E numa eleição não apenas circunstancial, mas por todo o tempo que sobrar o mandato, aí o país não resistirá. A única tranquilidade, essa indiscutível: Serra jamais será presidente. Tanto faz que tenha vice ou concorra sozinho. O vice de Serra, antecipadamente. Estará praticando haraquiri. Político e eleitoral.

***

PS – Esta nota já estava escrita, ontem, quando surgiu a notícia de que a convenção nacional do DEM indicara novo vice na chapa de Serra, o deputado federal Indio da Costa, do Rio de Janeiro, ligado a Cesar Maia.

PS2 – Como poucos o conhecem, as agências de notícias logo esclareceram que Antônio Pedro de Siqueira Indio da Costa tem 39 anos e é formado em Direito pela Universidade Cândido Mendes. Foi vereador no Rio de Janeiro de 1997 a 2005. Além do DEM, ele teve uma passagem pelo PTB. Na Câmara deste 2006, o deputado é membro da Comissão de Constituição e Justiça, da Comissão de Defesa do Consumidor e da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática.

PS3 – Por incrível que pareça, não tive de mudar uma só linha na nota que já havia redigido. É como se Serra estivesse concorrendo sem vice. Tanto tempo de escolha, tanta briga, tanto desgaste, para quê? Para nada, como dizia o poeta pernambucano Ascenso Ferreira. Aliás, Marco Maciel teria sido uma escolha muito mais acertada. Tem seus defeitos, uma trajetória ligada aos militares (como Sarney), mas pelo menos já foi vice por 8 anos e jamais pairou sobre ele qualquer suspeita de enriquecimento ilícito.

Convenção do PRB

O partido se reuniu para apoiar Dona Dilma, que estava exultante. Juntaram 126 militantes, uma perda de tempo. Bastava declaração da única força política e eleitoral do partido: José Alencar, não por ser vice, mas por ser quem é.

Candidato sem voto

Clésio Andrade começou como vice-governador de Minas, lógico, sem disputar nada, no primeiro mandato de Aécio Neves. Em 2006, tornou-se suplente do senador Eliseu Resende, de mais de 80 anos. Essa suplência vai até 2014.

Para reforçar a esperança, acumulará suplências. É o segundo de Fernando Pimentel, que pode até ganhar. Uma das vagas no Senado em Minas é do Aécio, a outra ficará com Itamar ou Pimentel.

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