Enquanto Guedes passeia em Washington, o cerco se fecha ainda mais contra ele em Brasília

Guedes vai a Washington, em reunião com FMI, e deve atrasar depoimento à Câmara

Cartazes ironizam a conta milionária de Guedes no exterior

Israel Medeiros
Correio Braziliense

Em meio ao caos que se tornou sua gestão, Guedes adotou uma postura mais discreta e viajou a Washington para acompanhar a reunião anual do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, de forma a escapar da polêmica sobre sus milionária conta offshore em paraíso fiscal.

Desde que o escândalo das offshores veio à tona, envolvendo também o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o ministro da Economia, Paulo Guedes, sofre pressão para deixar a pasta.

PRESSÃO NA CÃMARA – No último domingo, o Correio Braziliense mostrou que há um movimento na Câmara para desgastá-lo, na tentativa de desmembrar novamente o ministério. Agora, ele é pressionado, também, por membros do governo, interessados em se beneficiar da crise envolvendo Guedes, com o objetivo de conseguir capital político para 2022.

Ministros do primeiro escalão e lideranças do Congresso — todos do Nordeste, onde o PT tem muita força — exercem pressão pela renovação do auxílio emergencial a todo custo, de olho nas eleições do ano que vem.

O benefício está previsto para acabar no fim de outubro, e o plano original do governo era ampliar o Bolsa Família, transformando-o em Auxílio Brasil já em novembro.

TRANSFERÊNCIA DE RENDA – Assessores de Guedes evitam falar sobre o assunto e dizem que ele está focado no avanço das pautas que permitirão a adoção do novo programa de transferência de renda, como a reforma do Imposto de Renda e a PEC dos Precatórios.

Nos bastidores do Congresso, no entanto, há quem veja Guedes sem forças para resistir às pressões. Para estender o auxílio emergencial, será preciso furar o teto de gastos — o que o ministro é contra —, num contexto em que os problemas no orçamento da União já estão fora de controle.

Na avaliação do cientista político Márcio Coimbra — presidente da Fundação Liberdade Econômica e coordenador do MBA em Relações Institucionais e Governamentais do Mackenzie —, à medida que Guedes fica fragilizado, passa a ser mais suscetível às pressões, especialmente do Congresso.

DIZ COIMBRA – “Ele tem se tornado cada vez mais fraco e, agora, não tem como enfrentar essas lideranças, não tem como resistir. Eu me admiro de ele estar lá ainda, porque já perdeu a capacidade de tocar qualquer tipo de reforma. Essa desculpa de que está lá porque seria pior se não estivesse, isso não cola. É um cara do mercado financeiro”, disse.

O especialista acredita que a extensão do auxílio emergencial poderia fazer a diferença para vários políticos aliados do governo que querem se eleger ou se reeleger no Nordeste.

“Isso funciona para a eleição de deputado, por exemplo. Eles já estão pensando na reeleição deles. A renovação parece pouco, mas para a população pobre do Nordeste faz muita diferença. Quando você é um deputado que consegue isso, sua reeleição é praticamente certa. No interior do país, isso faz muita diferença”, afirmou.

MAL DA INFLAÇÃO – Já no caso de Guedes, a situação parece ser irreversível. Ao Correio, um influente deputado afirmou duvidar que o auxílio fará muita diferença, já que a inflação “está comendo tudo”. Enquanto a crise piora, ressaltou o parlamentar, o ministro ainda age como se a economia estivesse decolando e não apresenta soluções.

Em meio ao caos que se tornou sua gestão, Guedes adotou uma postura mais discreta e viajou a Washington para acompanhar a reunião anual do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. Por aqui, um dos assuntos do dia de ontem foi quem será o substituto do ministro em uma eventual exoneração. Um dos principais nomes é o ex-secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, que já descartou que tenha sido convidado para a vaga.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A boataria é grande em Brasília. Mas Bolsonaro resiste em se livrar de Guedes, que vai ser um entrave à reeleição do presidente. (C.N.)

11 thoughts on “Enquanto Guedes passeia em Washington, o cerco se fecha ainda mais contra ele em Brasília

  1. É o resultado de políticas econômicas equivocadas deste país, a elite que se aproveita deste sistema falido, faz parte deste estado de coisa, a fome, desemprego, salário medíocre, falta de política habitacional, é um sistema que contribui para a marginalização, sistema que permite que políticos se locupletem e enriqueçam, a base de leis criadas por eles mesmos, já perdi a esperança faz tempo deste sistema que aí está.

    matéria uol:https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2021/10/total-de-favelas-dobra-no-brasil-em-dez-anos-e-20-milhoes-estao-passando-fome.shtml

    • Até concordo que ele tenha problemas. Mas nada a ver com conta fora. O grande problema dele foi a maxidesvalorizacão do real, com influência na alta dos preços. ISSO TEM CAUSA NA PANDEMIA
      MAS O POVO NÃO QUER SABER DISSO NÃO. E NEM OS ACIONISTAS DA PETROBRÁS, QUE SÃO RICOS E PODERIAM SER TOLERANTES. E MUITO MENOS A OPOSIÇÃO! SE SE NÃO MUDAR RÁPIDO ESSA SITUAÇÃO DE INFLAÇÃO, BOLSONARO PERDERÁ A ELEIÇÃO.

  2. O cara é um irresponsável vai passear em Washington pra ver FMI e Banco mundial e deixa pra trás, abandonado, seus compromissos com o Brasil, deputados. senadores e jornalistas tem que tomar uma providência, onde já se viu tamanha desídia e falta de patriotismo?

  3. Amigos meus, da extinta RFFSA aposentados , e juntamente com as pensionistas estão passando fome. Tem deles que a aposentadoria minguou tanto que está menor que salário mínimo.

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