Enriquecimento do filho do ministro Alfredo Nascimento já era sabido desde 2009. O problema é que no Brasil, sem Código de Conduta, ninguém tomava providências.

Carlos Newton

Ao contrario do que ficou parecendo (e nós até registramos aqui no blog), a denúncia do espetacular enriquecimento do filho do ministro Alfredo Nascimento, Gustavo Morais Pereira, de 27 anos, não foi um furo de reportagem de O Globo. Como se sabe, o jornal carioca estarreceu a nação, ao publicar ontem que uma das empresas de Gustavo, a Forma Construções, apenas dois anos após ser criada, com um capital social de modestos R$ 60 mil, conseguiu acumular um patrimônio de mais de R$ 52 milhões, com crescimento de 86.500%, um desempenho de deixar espantado até um consultor do porte de Antonio Palocci.

Ocorre que o assunto já era antigo. Em 2009, a revista IstoÉ, numa reportagem de Claudio Dantas Sequeira, já revelava que o jovem Gustavo, aos 25 anos, se transformara num empreendedor de muito sucesso, coincidentemente por trabalhar para empreiteiras que, também por coincidência, eram contratada pelo Ministério dos Transportes, que, em mais uma coincidência, desde 2003 vinha sendo comandado por Alfredo Nascimento, que ainda coincidentemente vem a ser pai desse fenômeno empresarial, cuja carreira causa espanto e não tem comparação nem mesmo com a do filho de Lula, Fabio Luis da Silva, o Lulinha.

Como se sabe, foi aos 31 anos que Lulinha, passou de monitor de zoológico a empresário bem-sucedido e milionário. Na função exercida no Zoo, Fabio recebia salário de R$ 600 mensais. Porém, em dezembro de 2003, quando Lula estava prestes a completar seu primeiro ano no Palácio do Planalto, a carreira de seu filho simplesmente decolou.

O jovem Lulinha tornou-se sócio da Gamecorp, empresa de games que anteriormente se chamava G4 Entretenimento e Tecnologia Digital, e o ex-monitor do Zoo começou a fazer notável sucesso no mundo dos negócios de alta tecnologia.

Em janeiro de 2005, apenas um ano depois da chegada de Lulinha à empresa, a Gamecorp já estava recebendo o aporte milionário de 5,2 milhões de reais da Telemar – e Lulinha já era um empreendedor de invejável desempenho.  

Na época, questionado no programa de TV Roda Viva, Lula teve que falar em público sobre os negócios do filho. Os jornalistas lhe apresentaram uma questão formulada por um leitor do jornal Folha de São Paulo, que não foi identificado. A pergunta dizia o seguinte: “Tenho 61 anos, sou pai de quatro filhos adultos, todos com curso superior, mas com dificuldades de bons empregos ou de empreender. Como é que o seu filho conseguiu virar empresário, sócio da Telemar, com capital vultoso de 5 milhões de reais?”.

Em sua resposta, Lula mostrou orgulhoso do talento do filho e o comparou a Ronaldinho, como um “fenômeno” dos negócios, e não revelou nenhuma contrariedade com o fato de a empresa de Fábio ter se associado ao grupo Telemar, certamente porque naquela época ainda não existia o “Código de Conduta Ética” que somente agora o governador Cabral, outra revelação em matéria de enriquecimento ilícito, veio a introduzir no Direito Administrativo brasileiro,

A Veja publicou uma extensa reportagem a esse respeito, revelando, ainda, que o filho do presidente associou-se ao lobista Alexandre Paes dos Santos, um personagem altamente negativo, que respondia a três inquéritos da Polícia Federal, por suspeitas de corrupção, contrabando e tráfico de influência.

Revoltado, o filho de Lula processou a Veja, mas perdeu a ação em primeira instância. A juíza Luciana Novakoski de Oliveira, da 2ª Vara Cível de Pinheiros, na capital, indeferiu o pedido de indenização por danos morais contra a Editora Abril e o repórter Alexandre Oltramari, da revista Veja. A juíza indeferiu ainda outra ação contra os mesmos réus, além do lobista Alexandre Paes dos Santos, que, em conversa com o repórter, cuja transcrição foi anexada a processo judicial, se referiu a Fábio Luís da Silva com termos ofensivos.

A juíza assinalou que “a matéria insinua que tal sucesso decorre de sua filiação e das facilidades de acesso” a pessoas influentes, acrescentando que “o fundo da reportagem é verdadeiro e aborda assunto de relevante interesse público”.

E agora surge o filho do ministro Nascimento, a mostrar que, perto dele, Lulinha não era fenômeno coisa alguma, era apenas filho de um presidente.

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