Entenda por que Lula não consegue apoio do PSB a Haddad em São Paulo.

Carlos Newton

Em matéria de coalizões eleitorais, a confusão é geral, em função do tumultuado processo democrático brasileiro, que registra um pluripartidarismo cada vez mais anárquico, praticamente sem traços ideológicos e com uma multiplicação de legendas que parece não ter fim.

A questão das coalizões partidárias é importante e delicada, porque o quadro político varia muito de um estado para outro, de um município para outro. Quase sempre, a realidade local é muito diferente da política nacional, não tem nada a ver.

Em meio a essa anarquia político-ideológica, surgem composições verdadeiramente surrealistas, como já aconteceu várias vezes no Acre, onde o PT dos irmãos Viana se coligou ao PSDB, situação que se repete hoje em Belo Horizonte.

Como se sabe,  por maioria absoluta, a convenção do PT em Belo Horizonte decidiu ontem que o candidato Marcio Lacerda, do PSB, deve fazer coligação também com o PSDB. Assim, o assunto está encerrado em BH, com o PT coligado ao PSB e ao PSDB, vejam se é concebível isso.

O caso de São Paulo, porém, é muito mais complicado. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, não tem gabarito para tão importante função e está caindo no ridículo. Tudo que faz dá errado, como o vídeo que gravou semana passada com objetivo de ensinar os petistas a usarem a CPI do Cachoeira como instrumento para esvaziar o julgamento do Mensalão.

Sobre coalizões, Falcão deu declarações fantasiosas, ao admitir que o PT poderá abrir mão da candidatura própria em vários municípios importantes, em troca de um ainda improvável apoio do PSB ao petista Fernando Haddad em São Paulo, sem levar em consideração a realidade específica de cada município.

O “presidente” do PT jamais poderia falar nada sobre isso, porque não é ele quem está conduzindo o processo, que ficou a cargo do próprio Lula, todos sabem disso. Mas nem mesmo Lula está se mostrando capaz de resolver a questão do acordo político com o PSB.

Como se sabe, recentemente o ex-presidente reuniu-se em São Bernardo do Campo com o presidente nacional do PSB, governador Eduardo Campos, mas não conseguiram fechar a coligação. Em entrevista a rádios de Recife, Campos resumiu da seguinte forma a conversa:

“Em São Paulo, eu disse a ele (Lula) que não há decisão antes de junho. O debate vai passar pela direção municipal, pela direção estadual e vai chegar até a nacional, porque não há consenso”.

A situação é muito complicada, porque o PSB é coligado ao PT no governo federal, mas em São Paulo (estado e capital) há anos faz coalizão com o PSDB e o PSD, respectivamente, participando das duas administrações. Justamente por isso, há tanta resistência dos diretórios estadual e municipal do PSB, que não querem apoiar o petista Fernando Haddad, preferindo o tucano José Serra, que tudo indica vai ganhar a eleição, e é isso que interessa.

Destaque-se que, segundo os regulamentos dos partidos, os diretórios municipais são soberanos para definir candidaturas e coalizões. Portanto, o diretório nacional só pode atuar se fizer intervenção no diretório municipal, através de um ato ditatorial que ninguém aceita e arrebenta com a unidade do partido.

No caso do PSB de São Paulo, repita-se para ficar claro, o apoio a Serra é dos Diretórios estadual e municipal, o que complica ainda mais a situação. Teria de haver intervenção federal nos dois diretórios, fazendo a galera inteira do PSB migrar para o PSD ou o PSDB.

Traduzindo tudo isso: em junho, as candidaturas municipais de PT, PSB, PSDB etc. já estarão mais do que consolidadas, nem Eduardo Campos nem Lula conseguirão fazer qualquer mudança consensual. Esta é a realidade.

Os partidos aqui no Brasil geralmente têm donos, mas às vezes ficam rebeldes.

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