Entrevista de Helio Fernandes a Marcone Formiga, na terça-feira, 5 dias antes da eleição de Dona Dilma

Marcone Formiga

Aos 90 anos, o jornalista Helio Fernandes continua lúcido, ativo e de prontidão. Analisa, dia após dia, os fatos que acontecem no país com a presteza de um enxadrista profissional, que observa cada peça no tabuleiro. Com uma memória privilegiada, ele é capaz de discorrer sobre quase todos os ocupantes do Palácio do Catete e do Palácio do Planalto, alguns amigos íntimos seus, como, por exemplo, Juscelino Kubitschek, de quem foi assessor de imprensa durante a sua campanha para se eleger presidente da República.

Nesta entrevista, Helio Fernandes analisa o momento político do país e prevê que Dilma Rousseff será a candidata eleita, cinco dias antes das eleições, quando recebeu “Brasília Em Dia” para uma conversa, demonstrando que, mais do que um enxadrista, também é um oráculo…

– Como o Brasil vai sair da disputa pela faixa presidencial?

– Esta é, talvez, ou quase certamente, a campanha eleitoral mais tumultuada e a mais disputada, além do fato de que é a mais difícil de ser analisada de todas as sucessões presidenciais brasileiras em todos os tempos. Nós tivemos, na primeira República, praticamente 41 anos sem eleição, de 1889 até 1930. O último presidente foi Washington Luís, que saiu 42 dias antes de terminar o mandato. Depois vieram os 15 anos de Getulio Vargas sem eleição e a Constituição de 1946, que foi assassinada 17 dias antes de completar 18 anos. Vieram os 21 anos da ditadura militar de 64, veio o presidente eleito, Tancredo Neves, que não tomou posse e morreu; José Sarney, o vice, assumiu. O outro presidente, Fernando Collor de Mello, não completou o mandato porque sofreu impeachment. Assumiu o vice, Itamar Franco, que concluiu o mandato do presidente impedido. Nos últimos 16 anos, tivemos eleições aparentemente legítimas, certas, com o povo votando da maneira que podia votar, decidindo da forma que podia decidir, porque – enquanto não se fizer a reforma partidária no Brasil, que é a mais importante de todas – não haverá um presidente do qual a gente possa dizer: “Este foi realmente eleito pelo povo”.

– Qual é a maior necessidade imediata do Brasil?

– O Brasil tem 27 partidos e dois candidatos. Antes do primeiro turno, eram três. Isso é impossível! Na reforma partidária, existem pelo menos 10 ou 12 itens que têm de ser atualizados ou implantados. Não é possível que 27 partidos utilizem o fundo partidário, recebendo dele três ou quatro milhões por ano. É inadmissível que no horário eleitoral, dito gratuito, mas que é muito bem pago, só se apresentem três candidatos. Então, são 135 milhões de eleitores inscritos, que não podem escolher, na verdade, os candidatos que eles querem, porque são muitos os partidos e poucos os candidatos. Esta eleição é, talvez, a mais curiosa. Além disso, será certamente a mais tumultuada de todas.

– O presidente Lula vai deixar o governo depois de oito anos, passando por crises às quais seus antecessores não resistiriam. Isso tem alguma explicação?

– O presidente Lula foi o único cidadão no mundo ocidental que disputou cinco eleições, perdeu três seguidas e ganhou duas. Não disputou a sexta porque não havia possibilidade. Mas, na verdade, da mesma forma como o antecessor dele, Fernando Henrique Cardoso, Lula queria o terceiro mandato, até tentou de várias formas, mas não conseguiu de jeito nenhum. Dilma vai ser eleita, isso é certo e garantido, porque não há qualquer possibilidade de vitória do Serra. E olha que estou dizendo isso cinco dias antes da eleição. No dia três de novembro, às 21h, já se saberá o resultado, a vitória da Dilma. Agora, a grande pergunta é a seguinte: a partir disso, alguém se arrisca a dizer quem será o presidente? Será a própria Dilma ou será o Lula continuando?

– Qual é a sua resposta?

– Tenho uma dúvida total sobre isso. Se o Lula, como já disse uma vez, for para o seu triplex em São Bernardo e ficar alheio a tudo, então a dona Dilma se responsabilizará por tudo o que acontecer. Na verdade, a partir do dia quatro, no dia seguinte ao do resultado, a luta pelos ministérios já começará, evidentemente. Então, do dia quatro até primeiro de janeiro de 2011, haverá uma grande luta nos bastidores. O presidente Lula tomará parte dessas contestações? E o PMDB? Quantos ministérios vai levar? No governo Lula, o PMDB, que é o maior partido nacional, obrigou o presidente a ter 37 ministros, porque só ele levou 11. Do dia 4 a primeiro de janeiro, quais serão os ministros que tomarão posse com a presidente?

– A Dilma Rousseff tem um temperamento muito forte. Até quando ela vai cumprir tudo o que o Lula quiser? Ela vai querer ensaiar um voo solo? Até porque, quando se senta naquela cadeira no terceiro andar do Palácio do Planalto, a coisa muda…

– Exatamente. Ela tem uma índole forte e é capaz de não resistir ao poder político e eleitoral do presidente Lula, essa é a verdade! Não adianta ela ter essa disposição se não conseguir sobrepujar o próprio padrinho político. Pergunta: qual será o papel do PT no governo? O PT não teve nada nestes oito anos do governo do presidente Lula, ou melhor, nos últimos quatro anos, porque nos quatro primeiros o presidente Lula gastou quase todo o tempo dele em liquidar, dentro do PT, aqueles que poderiam ser os seus sucessores. O Palocci, o Zé Dirceu, o Mercadante, todos os que tinham alguma possibilidade foram liquidados por ele. Em alguns casos, até com o seu próprio comprometimento, como foi o caso do mensalão. Agora, nos últimos quatro anos, ele dominou inteiramente e passou a ter uma popularidade recorde, com a qual ele vai deixar o governo, 80%, que é rigorosamente inédita na história brasileira.

– Não houve precedentes?

– Nem os ditadores de 1930 a 1945 e de 1964 a 1985 tiveram a metade dessa popularidade, embora governassem com mandatos de farsa. Então, se colocam aí três forças possíveis ou imagináveis: o PT, a Dilma eleita presidente e o Lula, que, na verdade, como todo mundo diz, elegeu uma candidata-poste, porque ela não teria a menor chance sem ele. Ela não era nem do PT! Ela foi do PDT durante 21 anos, depois saiu e foi para o PT. Então, três forças: Lula, a Dilma eleita e o PT. Qual será o papel do PT nessa conjugação de forças e na posse de dona Dilma, a partir do dia primeiro de janeiro de 2011? Como todo mundo diz, ela tem um temperamento muito forte, mas o Lula também tem…

– Sim, mas é ela quem vai ficar com a caneta…

– Certo, mas o problema é o seguinte: a dona Dilma não tem a menor força, não tem o menor prestígio, não tem o menor carisma, nenhuma condição de ser a candidata a presidente do PT. Quanto a isso não há a menor dúvida. O que você falou é perfeito, ela tem a caneta. Mas a caneta da dona Dilma tem a tinta dela mesma ou ela precisa pedir ao Lula para encher a caneta?

– Mas a mosca do poder pode contaminá-la…

– Essa é uma questão que só vai poder ser respondida a partir de primeiro de janeiro. E, como uma nuvenzinha, vai se saber, lógico, qual será o ministério. A partir do dia quatro já vão surgir os nomes. Existem apenas três ou quatro certos. Já se sabe, por exemplo, que o chefe da Casa Civil será Paulo Bernardo, porque o próprio Lula, noutro dia, fez uma declaração pública sobre a Erenice Guerra. Ele disse: “Erenice, você perdeu a oportunidade da sua vida”.

– Por quê?

– Porque ela, como braço direito da Dilma, já estava escolhida chefe da Casa Civil. Ninguém tinha dúvida disso. Você tinha? Depois de todos aqueles escândalos, uma parte deles contribuiu para a Dilma não ganhar no primeiro turno. Então, pelos nomes que forem surgindo, o que é que o Zé Dirceu e o PT vão fazer no próximo governo? O PT foi completamente humilhado no governo Lula. Não mandou nada, não teve nada. Agora, os últimos acabaram de perder a eleição em São Paulo. A única que ganhou e quase perdeu foi a dona Marta Suplicy, mas ela não tem cacique. Obviamente, ela vai para o Senado, aos 65 anos, mas o que se fala é que provavelmente, daqui a dois anos, ela será candidata a prefeita. É possível que ela, depois de eleita prefeita, vá fazer como fez o Serra: deve cumprir 15 meses de mandato e disputar o governo. É o que muita gente fez também, porque a legislação permite isso. Agora, ela disputará a prefeitura como cacife do Senado. Se perder, ela ainda terá seis anos no Senado. Então, ela está em uma boa situação. Agora, será isso que ela quer?

– Qual será o cenário político em 2014?

– O problema é o seguinte: por exemplo, já existe adesivo aí com a chapa “Aécio e Marina” para 2014. Isso é muito precário e muito antecipado. Admito que o Lula possa ter um bom convívio com a Dilma, mas desde que ele seja candidato. Não me passa pela cabeça que o Lula não seja candidato em 2014. E o candidato da oposição, digamos assim, quem será? Será o Aécio? A Marina, no meu entendimento, não significa coisa alguma, nada, nada! Ela perdeu uma eleição no Acre para o Serra e para a Dilma. Ela foi a terceira colocada no estado dela! Então, muita gente está fazendo as contas para 2014. É evidente que muita gente hoje aposta na longevidade do Serra, porque não se joga fora a possibilidade de que ele seja candidato em 2014 novamente, com 72 anos de idade, considerando que o Aécio acabou de fazer 50 há quatro meses. Então, com essa possibilidade, Aécio pode pensar em 2018 com 58 anos. Tudo isso não passa de análises sobre fatos que ainda não aconteceram. O único fato que vai acontecer nos próximos dias é a eleição da dona Dilma. Sobre isso, eu venho dizendo há oito anos que o Serra jamais será presidente…

– Uma pergunta que não quer calar: Lula, afinal, é um fenômeno político ou eleitoral?

– Ele é um fenômeno eleitoral e também político. Ou, se você quiser, é um fenômeno político a partir de 2011 e eleitoral a partir de 2014. Agora, não há dúvida de que não é o Ronaldo que é um fenômeno, não [risos]. O fenômeno é o Lula! Isso não quer dizer que eu considere que ele fez um grande governo, que ele jogou o Brasil para cima, não, não! No meu entendimento, a grande falha dele foi não ter inutilizado as doações de Fernando Henrique Cardoso. Acreditava-se, e eu mesmo escrevi isso, que ele não poderia deixar de anular o que chamam de privatização e que eu chamo de doação. Os cálculos do valor do patrimônio brasileiro entregue pelo tucano estão entre R$ 10 e R$ 17 trilhões. Se o Serra fosse eleito, ele iria continuar com as doações do Fernando Henrique, porque ele participou do governo FHC por oito anos e nunca protestou contra nenhuma dessas doações, que foram feitas com moedas podres, é bom que se lembre. Eram empresas que estavam falidas há 10, 15 anos, e que foram utilizadas com o valor de passe 100 vezes maior do que o investido. Não se investia antes coisa alguma nelas.

– Qual é sua leitura sobre a primeira experiência de um governo de esquerda?

– O Lula não é nada: nem de direita, nem de esquerda. Ele é um oportunista genial! Lula soube aproveitar todas as oportunidades. E, na verdade, a grande surpresa sobre o Lula cidadão e o Lula presidente da República é exatamente aquilo que contradiz o que FHC dizia: “Ele não sabe nada: não estudou, não fala nenhuma língua (embora ele tenha ido para os EUA ainda como líder sindical, levado pela CIA), mas não aprendeu nem inglês, nem nada. Como é que ele vai se projetar no exterior?”. Ironicamente, a grande vitória do Lula é na política externa! Hoje, ele é um cidadão que conhece todos os presidentes e primeiros ministros do mundo, além do próprio presidente Obama, que (não sei se com ironia ou satirizando) certa vez disse: “Lula, você é o cara!”. E, na verdade, o Obama poderia estar brincando, querendo fazer charme, mas no exterior é que o Lula se destacou muito. E isso desmente o prognóstico que o FHC traçou.

– As ideologias não prevalecem mais?

– Ele não sabe coisa alguma, mas, na realidade, dominou tudo isso inteiramente. Onde o Lula aparece no exterior, ele é o personagem principal. Eu não tenho qualquer ligação com este governo e não quero ter também com o próximo. Agora, não é governo de esquerda, nem nada. Além do mais, no mundo, todas as ideologias estão sendo eliminadas. O importante hoje é fazer: tanto faz, tanto faz, tanto faz… [risos].

– A que se deve, aqui no Brasil e no exterior, essa idolatria pelo Lula? É por ele ter sido sindicalista e operário?

– Não, não é nada disso, porque, na Polônia, o Lech Walesa não deu certo. E ele também era um sindicalista. É que Lula tem um charme pessoal e acertou. Tomou posições absurdas com relação ao Irã de Ahmadinejad e à Venezuela de Hugo Chávez, além de ter tomado o partido de Manuel Zelaya na crise hondurenha. O presidente deposto até pediu asilo à embaixada do Brasil e conseguiu… Aquilo foi inacreditável! Nenhum presidente da República pode fazer aquilo, seja de onde for, mas ele fez. Zelaya ficou lá, usou as instalações da embaixada do Brasil durante meses… Muita coisa Lula não poderia ter feito e mesmo assim fez, porque, realmente, ele dominou todos os lugares. Agora, não há definição para isso. Do ponto de vista de uma análise mais científica, mais política, mais eleitoral, o Lula não poderia existir, essa é que é a verdade. Mas ele existe e, agora, nas vésperas da eleição, cabe uma pergunta: “O que é que o Lula vai significar no governo da Dilma?”.

– Como o senhor acha que ele vai reagir à posse da Dilma, tendo de voltar para casa sem poder “monárquico”?

– Ele já deu duas vertentes, confirmando que vai ficar no triplex em São Bernardo, mas depois mudou a nota: “Vou andar pelo Brasil todo e pode ser que eu aconselhe a Dilma em alguns pontos”. Quer dizer, ele mesmo não sabe o que é que vai acontecer. Agora, ele será candidato para 2014, se não acontecer qualquer fato fora da nossa alçada, alguma coisa que só o destino pode definir. Mesmo que a Dilma queira a reeleição, ela não vai ter condições. E isso nós vamos ver logo no primeiro, no segundo ano, é evidente. Agora, na própria formação dos ministérios, nós vamos ver como é que esse governo será feito, com ou sem a participação do Lula. É bem verdade que vai ser um governo muito difuso, porque existem muitos partidos. Se, por acaso, o Serra for eleito, digamos assim, ele terá muito menos condições de governar do que a Dilma, se o Lula não atrapalhar, porque – no cenário da Câmara dos Deputados – a maioria eleita pessoalmente pelo Lula é muito grande, realmente. Ele tem maioria absoluta no Senado e na Câmara.

– E com a Dilma, como será?

– Não sei se ela vai querer governar com esse Senado. A chave de tudo é o comportamento do Lula. Não há qualquer possibilidade de reeleição para a Dilma. Ela pode fazer até um governo maravilhoso, que ela não tem qualquer condição de fazer, esse é que é o grande problema. Por outro lado, 2014 pode ter Aécio e Marina juntos. Já se fala até no Alckmin novamente, que foi eleito governador do maior estado da federação. Agora, o Lula é um candidato certíssimo! Se ele vai ganhar ou não depende dos acontecimentos. No primeiro ano, vai dar para ver muita coisa, e ocorrerá muito tumulto político, eleitoral, parlamentar, judicial… Não haverá um único dia – inclusive para nós, jornalistas – sem assunto, sem notícia, com tranquilidade. Nada disso! Vou poder escrever à vontade, a não ser que eles não deixem.

– O analfabetismo foi reduzido em toda a América Latina, menos no Brasil. Prevalece algum interesse político em deixar essa grande massa analfabeta?

– Prevalece, é evidente! O Lula, de certa maneira, fez a mesma coisa que Getulio Vargas quando esteve 15 anos no poder, tanto que ele foi chamado de “pai dos pobres e mãe dos ricos”, que era o rótulo dele. A mesma coisa fez o Lula: ele foi o pai dos pobres, porque criou o Bolsa Família, deu o máximo que podia… Agora, nunca na história brasileira os banqueiros, as seguradoras, as empreiteiras que fazem obra para o governo estiveram tão ricos. Eles jamais ganharam tanto quanto faturaram no governo Lula. Algo equiparável, proporcionalmente, só ao governo do Getulio Vargas, mas, evidentemente, a população era muito menor, o dinheiro em circulação era em bem menor quantidade, a importância do Brasil era muito menor. Se eu tivesse de rotular o governo Lula, seria com a mesma etiqueta do governo getulista: “pai dos pobres e mãe dos ricos”. Os banqueiros estão satisfeitíssimos, as seguradoras também.

– O país vive uma crise ética tão grave que ser honesto é considerado uma virtude, quando, na verdade, deve ser uma obrigação de qualquer cidadão. Como o senhor vê isso?

– Eu tenho divergências sobre o hábito de se analisar a questão ética do ponto de vista moral. É evidente que ser honesto é uma obrigação, mas o grande problema da ética não é moral, é do investimento. Vou dar um exemplo. Se você tiver R$ 1 bilhão para construir uma estrada e você gastar R$ 3 bilhões, sendo que R$ 2 bilhões vão ficar pelo caminho, você está faltando com a ética, mas, principalmente, tirando investimentos da população. Se você, realmente, gastasse R$ 1 bilhão, como estava previsto, e aqui no Rio se enfastiaram de ganhar dinheiro dessa forma, então você construiria três estradas, em vez de uma. Em São Paulo, nos últimos 15 ou 10 anos, eles construíram coisas que nem precisariam ter sido construídas, mas foram tão “inteligentes” que chamaram todas as estradas de “marginais” [risos]. O ponto de vista ético e moral é importantíssimo, mas existe corrupção no mundo inteiro. O problema é que se joga muito dinheiro fora. Está aí o Paulo Maluf, que desperdiça R$ 432 milhões nos EUA, porque ele diz que não é dele, que qualquer pessoa pode ir buscar porque não é dele. Só que ele se transformou, por causa disso, no único cidadão no mundo que está proibido de entrar em 101 países. Ele só pode ficar no Brasil, viajava muito e agora não pode viajar. E o Supremo Tribunal Federal teve de decidir, antes da eleição, se ele tem o direito de tomar posse ou não. Ele, o Jáder Barbalho, uma porção de gente que está dependendo do julgamento do STF.

– Há 30 anos, a América Latina era ocupada por generais-presidentes golpistas. Hoje, o que se vê no mapa é que estão aumentando os governos de esquerda. Como o senhor analisa essa situação?

– O Theodore Roosevelt, que assumiu o governo dos Estados Unidos em 1901, quando foi assassinado o presidente William McKinley, foi até um bom presidente, mas foi ele quem apelidou a América do Sul e a América Central de “Bananas Republics”. Eles gostavam de tratar com ditadores. Houve uma época em que não havia sequer um país sem um general no poder. Mas hoje eles preferem conversar com pessoas mais analfabetas. Eles estão dominando totalmente a América do Sul e a Central. Não há sequer um presidente que seja brilhante. De qualquer maneira, nenhum desses países tem condições de progredir, de criar recursos. O único país é o Brasil, realmente. O Richard Nixon, quando fez uma viagem para a América do Sul e a Central, em 1969 para 1970, tentou entregar o Brasil e fez uma declaração que teve grande repercussão na época, quando disse: “para onde for o Brasil, irá toda a América do Sul e a América Central”. E, realmente, essa é a verdade, não se pode negar. O Brasil sempre foi chamado “o país do futuro”. Hoje, ele não é mais chamado assim, pode ser que ainda tenha muita coisa a se fazer, mas o Brasil hoje tem uma presença garantida, embora com investimentos deturpados.

– Como assim?

– Por exemplo, hoje se fala como prioridade no trem bala Rio–São Paulo, que vai custar R$ 56 bilhões. Isso é uma loucura total! Um país que precisa de infraestrutura, cujos portos estão engarrafados… Os Estados Unidos hoje adoram exportar para a Índia ou para a China porque eles desembaraçam 30 a 40 navios por dia. Então, é uma coisa extraordinária. Aqui, o maior porto, que é o de Santos, e o de Paranaguá não funcionam de jeito nenhum, a ponto de, na campanha, os dois candidatos terem dito que para uma mercadoria ir de Santos ao porto de Paranaguá custa mais caro do que ir de Santos ou do porto de Paranaguá até a China. Então, é lógico que não funciona. Lógico que precisa de muita coisa, e eu considero que a Dilma, que vai ser eleita no domingo, não tem a menor condição de fazer…

– E se o José Serra for eleito?

– Se o Serra for eleito, você pode dizer que eu sou o pior analista do Brasil. Se a Dilma for eleita, e ela será, sem dúvida, será a maior infelicidade para o Brasil, infelicidade igual a que seria com a vitória do Serra, porque nem ele nem ela estão preparados para governar um país como o Brasil. Eles não têm competência nem qualidade. Eles não têm credenciais. Só têm ambições e mais nada…

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