Envergonhado com a corrupção, ministro japonês se suicidou

Jorge Béja

Relembrando o fato. Em maio de 2007, Toshikatsu Matsuoka, deputado e ministro da Agricultura do Japão, 62 anos de idade, cometeu o suicídio. Acusado de corrupção, Matsuoka enforcou-se com uma correia de cachorro na porta da sala onde morava, em Tókio.

A polícia e a justiça descobriram que seu comitê eleitoral recebeu milhões de ienes de construtoras e empreiteiras que ganharam licitações de uma agência de gestão florestal controlada pelo governo.

Estou dolorosamente consciente de minha responsabilidade, como ministro. É meu dever que tal ato não se reproduza“, deixou escrito o ministro-suicida.

O gesto extremo mostrou que Matsuoka sentiu vergonha de si próprio, perante sua família e diante do povo japonês. O que aconteceu lá, também acontece aqui no Brasil: corrupção.

Pergunto aos prezados leitores o que existe de comum, entre o deputado e ministro Matsuoka e os empreiteiros e políticos brasileiros, uns condenados, outros a caminho da condenação por corrupção?

Desde já, grato pelas respostas, pelos comentários.

 

37 thoughts on “Envergonhado com a corrupção, ministro japonês se suicidou

  1. Popularmente conhecido no Ocidente como Haraquiri (suicídio), a prática vem da antiguidade japonesa. Os samurais com seus Códigos de Honra e Conduta (Bushido) deram um toque ritualístico de coragem e nobreza. O Deus budista da morte Yama acolhe o finado encaminhando-o para um local onde será tratado com vistas à futura reencarnação/renascimento rumo à Evolução.

  2. Valeu a lembrança, Dr, Béja…

    Uma nação milenar, que até hoje aceita o céu na Terra, através da figura do Imperador, e cultivou, século após século, uma cultura em que a honra de cada individuo passou a ser a qualidade maior da sua personalidade, dentro da sociedade japonesa.

    Uma espécie de Código de Honra, que perdura e vale naturalmente para todos, do camponês ao mafioso, do professor ao ministro de estado.

    Antes da 2a. Grande Guerra, nos casos de atos tidos vergonhosos para com a pátria ou o imperador, era motivo para o haraquiri, forma de suicídio utilizando uma espada como instrumento de dolorosa morte.

    Hoje, por vergonha, um tiro na cabeça ou o enforcamento é a solução dos japoneses quando pegos nos malfeitos…

    A hipótese de algo mais ou menos parecido acontecer no Brasil, é ínfima
    .
    No caso de políticos, a vergonha, por exemplo, é tratada com óleo de peroba…

  3. Acho que o comentário do Sr Andrade sumarizou a questão. Ele disse exatamente o que eu ia escrever. Infelizmente este país perdeu a vergonha. As instituições brasileiras são um deboche.
    No Japão os políticos sabem que, se forem apanhados em atos ilícitos, suas carreiras políticas estão definitivamente acabadas, o que não acontece por aqui….Vide Jader, Maluf, Calheiros…a lista vai longe

  4. O eminente Dr. Béja trouxe à tona para debate a honra e a dignidade de um homem público.
    A questão é saber de onde se originam tais qualidades no ser humano.
    Na educação de seus pais?
    Nos valores e princípios que lhe foram atribuídos na infância?
    Durante a sua existência?
    Ou nos exemplos deixados por seus familiares e autoridades quanto à seriedade e responsabilidade quando se lida com o que é dos outros?
    Quem sabe seja a índole de cada indivíduo?
    Mas onde se formam o caráter e a personalidade saudáveis, corretas, ímpares?
    Na tradição de um povo?
    Por acaso, seria na concepção dessa pessoa?
    A meu ver todas essas hipóteses que citei acima têm influência sobre o comportamento de alguém, considerando que durante a sua vida ele tenha tido mais exemplos e modelos positivos que negativos, e aprendeu dar valor ao próximo.
    Por que não somos assim?
    Por que nossos homens públicos brasileiros trazem de berço a desonestidade, a corrupção de forma generalizada?
    Suas vaidades políticas, devaneios por sistemas e regimes, que imaginam e mal, como salvadores da miséria do povo?
    Seus endeusamentos e cultos para personalidades?
    Não sei, mas constatar a diferença no Ensino e Educação nas escolas públicas japonesas e de outras nações desenvolvidas em comparação com as nossas, talvez seja uma pista à elucidação dessa diferença.
    Perceber que jamais um governo central concedeu para o povo brasileiro um ensino de qualidade, que moldasse a personalidade da criança, que a fizesse estudar e tivesse gosto pelos livros, possivelmente quando viesse a exercer algum cargo público se lembrasse dos grandes vultos que lhe foi ensinado, e seguisse os passos daqueles que seus nomes compõem a História de forma positiva e útil à sociedade.
    Salvo nomes de políticos de muitos anos atrás, e que também não deram importância à Educação, mas foram honestos, pelo menos, os atuais são conhecidos pela corrupção, desonestidade, más intenções e traição ao Brasil e seu povo.
    O “sistema” político brasileiro se tornou um buraco negro, que atrai bons e ruins ao mesmo tempo, e que não permite que alguém se sobressaia porque alteraria o modo e costume instituídos no parlamento e Executivo como meios de enriquecimento pessoais e partidários, mesmo que ilícitos.
    Se o Brasil, melhor, se o governo quisesse fazer uma revolução esta seria através da Educação, e mesmo que levássemos duas décadas para colher os resultados, eles viriam em escalas sem precedentes, e teríamos as mesmas atitudes de vergonha quando alguém fosse descoberto em más ações.
    No entanto, o Brasil continua a discutir partidos e políticos, sistemas de governo e ideologias, enquanto que o Ensino a cada ano que passa é reprovado porque mal administrado, sem qualidade e, principalmente, sem que se dê o seu devido valor como causa de desenvolvimento e progresso entre os cidadãos de um País.
    Belo artigo, Dr.Béja, como sempre.
    Um abraço.

    • Boa noite, Bendl, mais uma vez estou contigo no que tange à Educação, a meu ver a única saída para este país. Infelizmente, por aqui jamais se pensa a longo prazo…E a como vc assinalou a qualidade de nosso ensino é um descalabro total….No atual panorama, não há muito o que esperar…

      Um abç

      Em tempo: talvez haja algum simbolismo no fato de o suicídio do Ministro japonês ter sido cometido com uma coleira de cachorro…Como se, ao ser apanhado, ele quisesse (conscientemente ou não) demonstrar sua degradação moral…

    • Bendl fez 12 indagações que levam às multiplas causas das diferenças entre as culturas em questão. O Brasil há pouco mais de 500 anos está aprendendo a andar, crescer e se tornar adulto. Adulto responsável. Ainda vai custar mais 100 ou 200 anos para chegar lá. Reitero meus agradecimentos a todos que até aqui leram e comentaram a notícia relembrada no pequeno artigo.
      Jorge Béja

  5. Prezado nik rj,
    Penso que a discussão sobre qualquer tema que nos coloque em situações onde a ética e a moral deixam a desejar, torna-se fundamental abordar a Educação.
    Não só a familiar, que também não é mais a mesma do passado, hoje mais leniente, condescendente, negligente, mas a maneira como se comportam nossos parlamentares e governantes.
    Ora, se há mais de seis décadas o Brasil não teve qualquer governo central que se preocupasse sequer com a Educação básica, os efeitos desse desastre social são as administrações corruptas, desonestas, traidoras do povo e do País.
    Se existe a máxima que somos a nação do “jeitinho”, evidentemente que neste modelo de conduta está explícito a nossa falta de caráter, de obedecer as leis, de falta de respeito ao próximo.
    Assim, pessoas sem condições assumem postos públicos, políticos são eleitos, homens enriquecem sem valorizar seus empregados, pais abandonam seus filhos, filhos não querem saber dos seus pais, idosos são abandonados em asilos e hospitais, o trânsito é onde encontramos demonstrações de total falta de respeito às leis e à segurança de outros motoristas e passageiros, em consequência, as pessoas deitam e rolam quando no poder, imaginando que podem fazer o que quiserem com o País e povo.
    Causa?
    Falta de Ensino e Educação, que moldam o caráter e a personalidade através de exemplos de pessoas que se dedicam a ensinar, os mestres, hoje absolutamente desprezados pelo PT e pelo sistema econômico que lhes roubou a autoridade antes incontestável, e as irresponsabilidades paternas que transformaram as escolas em meros depósitos de crianças, pois jamais verificam os cadernos de seus filhos, as suas notas, como estão indo no colégio.
    Mais a mais, esta fórmula equivocada de impedir que o aluno não passe de ano, significa também que ele não deve se preocupar com seu futuro, pois não terá dificuldades para enfrentar os desafios que surgirão durante a sua vida, basta que dê um “jeitinho”.
    Um abraço, nik rj.

    • A bem da verdade, o suicídio de Vargas é considerado muito mais como uma manobra (drástica, derradeira e decisiva) política do que propriamente um gesto de vergonha de um político apanhado em delito de corrupção.

  6. Aqui no Brasil milhares de corruptos são até valorizados na sociedade e no poder. Frequentam os melhores clubes e restaurantes. Têm imóveis nos endereços mais nobres e nas mais badaladas cidades de veraneio. Chegam até a mandar num Estado inteiro por décadas, como José Sarney, o grande amigo de Lula.

  7. Entre os empreiteiros japoneses e brasileiros nenhuma diferença. Dominam governos, corrompem burocratas e ficam sempre impunes. As corporações japonesas são conhecidas corruptoras de burocratas governamentais da Ásia, África e America Latina, preferencialmente de governos ditatoriais. Aqui no Brasil, se notablizaram com a NEC (Nippon Electric Company), logo após o golpe de 64. Utilizaram-se até de um coronel do exército como testa-de-ferro. O coronel ganhou tanto nas negociatas de corrupção com eles, que abriu depois da ditadura uma empresa de informática chamada MODATA. Os japoneses da NEC corromperam adoidado ATÉ O FIM DA DITADURA MILITAR quando se mandaram e deixaram os ossos da empresa para o Mario Garnero e o Roberto Marinho se rosnarem para roer. Não escapou nem o ministro das Comunicações do Médici, o coronel “pé de cana” Hygino Corsetti. Quanto aos políticos japoneses, apenas ALGUNS políticos lá agarrados com a boca na botija se suicidam, de acordo com a TRADIÇÃO CULTURAL DO SOL NASCENTE DE PERDEU FAZ HARAQURI. A maioria dos políticos lá já esta “convertida” à cultura capitalista ocidental. Ademais, os políticos japoneses são tão sórdidos, que até hoje não se desculparam ao povo coreano por escravizarem sexualmente suas mulheres para servirem aos seus soldados agressores nos anos 30 e 40. E ainda reverenciam em cerimônia anual o mausoléu dos chefões dos estupradores de mulheres de regiões que ocuparam e massacraram militarmente. O mal de muito aqui é a mentalidade colonizada de achar que os estrangeiros são superiores e santos.

    • O Dirceu se matou ?
      O Delúbio ?
      O Magri ?
      O Maluf ?
      Então nossos não são iguais…
      Não é o primeiro caso no Japão que nego se suicida…
      Aqui… São absolvidos no STF e seguem suas vidinhas patéticas sem honra e sem vergonha na cara !!!

  8. A propósito, o crime organizado é praticamente legalizado no Japão. A YAKUZA tem em sua folha de pagamento um montão de políticos japoneses dominantes e que se revezam no poder desde o fim da II Guerra, e a policia, docemente constrangida, para citar uma velha expressão do Helio Fernandes, fecha os olhos para as suas atividades políticas, empresariais e sindicais. Se duvidam, saiam a pesquisar e correr atrás. A Cosa Nostra italiana em seus melhores tempos de relacionamento com a democracia cristã italiana nunca chegou ao nível da YAKUZA em seu relacionamento com os políticos japoneses.

  9. Bom dia Dr. Jorge Beja

    Respondendo a sua pergunta, creio que a diferença entre os corruptos brasileiros e os japoneses é que os do sol nascente têm vergonha e os nossos corruptos têm cara de pau.

    Quando são descobertos, os japoneses ficam consternados porque sabem que serão execrados pelos amigos e por suas famílias. Alguns chegam ao gesto extremo do suicídio temendo a fama que não se extingue jamais. Enquanto aqui no Brasil, as penas para os corruptos são brandas e em pouco tempo eles ganham as ruas para executarem novas maracutaias com dinheiro público, lógico, que ninguém é de ferro.

    A nossa justiça, baseada nos direitos constitucionais de ampla defesa e do contraditório, que só existem de fato para as elites de colarinho branco, enquanto milhares de pobres chegam aos presídios sem o devido processo legal e ninguém fala nada, pois bem, logo aparece um magistrado para através de uma liminar libertar os presos endinheirados.

    Por essa razão, Pizzolatos, et catervas, fogem para a Itália, para Mônaco e outros paraísos fiscais e vão leves e fagueiros curtirem o produto do roubo praticado conta os cofres públicos.

    Caro Jorge Béja, o que provoca repulsa na sociedade é a sangria de recursos roubados e que poderiam compor o caixa da Educação e da Saúde visando o bem estar dos doentes e das nossas crianças, estas sim as maiores prejudicadas, pois as salas de aula estão imundas e sem o mobiliário necessário para a prática das aulas e os professores desestimulados pelo salário baixo, enfim, o Brasil não avança na Educação e na Tecnologia, pois poucos amealham fortunas, que não poderão gastar nem se chegassem aos mil anos de vida.

    É isso aí, a individualidade chegou a um grau extremo, que pode causar a desagregação da sociedade, pois quando o inconsciente coletivo começa a formar a opinião de que o bom é cada um por si e quem não pratica a roubalheira é um otário de galocha, o caos começa a ser formado e qualquer estopim será o suficiente para explodir a democracia.

  10. Perfeito, prezado Roberto Nascimento, seu comentário é abrangente e mostra a situação nacional. Consideremos, também, o afrouxamento da legislação penal. Com o passar dos anos, surgiram leis que levam a crer que o “crime compensa”, seja ele qual for. Cito um exemplo: desde 1940 que o Código Penal prevê pena de reclusão de 12 a 30 anos para o homicídio qualificado, isto é, aquele cometido por motivo fútil, mediante paga ou promessa de recompensa, motivo torpe, à traição, emboscada, etc..
    Raramente um homicida, que matou com aquelas qualificadoras do artigo 121, § 2º do Código Penal, é condenado na pena estabelecida do CP. E quando chega a ser, cumpre apenas 1/6 da pena e sai da prisão, que não regenera, mas torna o condenado mais perigoso. Tem, também, a chamada progressão de regime, do fechado para o semiaberto, deste para o aberto, deste para o domiciliar….
    No Brasil, a fuga do condenado, ou a demora da captura de um criminoso, conta tempo para a prescrição da ação punitiva. Em outros países, como Portugal, não. Outro exemplo: está preso no Rio um natural da Nova Zelândia que estuprou um menor em seu país e, em seguida, matou o pai do adolescente estuprado. Condenado à prisão perpétua, conseguiu fugir para o Brasil, onde a polícia o encontrou hospedado em Santa Tereza, bairro do Rio. Se for pedida sua extradição, a Constituição Brasileira somente a autoriza se a Justiça da Nova Zelândia reduzir a pena de prisão perpétua para pena de prisão de 4 a 12 anos!!!!Isto porque no Brasil não existe a pena de prisão perpétua, situação que permitirá que o tal sujeito passe a residir no Brasil, ou melhor, no Rio de Janeiro, cidade que escolheu para fugir de seu país.
    Obrigado por ter lido e comentado a notícia revivida, a do suicídio do ministro do Japão.
    Jorge Béja

  11. Mais uma vez o excelente comentarista Laco Silva abordou com propriedade o Japão de hoje, excluindo os períodos em guerra, por si só de exceção.
    Ainda bem que no meu comentário em relação ao artigo do Dr. Béja apenas comparei o nível educacional daquele País com o nosso que, quer queiram ou não, é melhor que o brasileiro.
    E fiz uma série de perguntas correspondentes à formação do caráter de uma pessoa, que a leva ter vergonha na cara, por exemplo.
    Entretanto, o dinheiro fala mais alto para a maioria absoluta da humanidade, tanto faz se rica ou pobre.
    O período atual, eu diria de 60 para cá, modificou os valores das sociedades de grande parte das nações tanto orientais quanto ocidentais, fazendo com que abandonassem suas tradições e costumes e adotassem o pragmatismo como padrão comportamental.
    Honra, decência, dignidade, orgulho, foram abolidos pela busca de recursos materiais para se viver melhor, ter conforto, segurança monetária, poder de aquisição.
    O próprio custo do dinheiro, altamente valorizado pelos juros absurdos cobrados de países em desenvolvimento ou emergentes, e mesmo em percentuais bem menores para nações ricas, mesmo assim caro, determinou que enriquecer ou ter uma vida melhor é a razão atualmente de princípios e valores individuais, familiares e sociais, serem secundários, até mesmo supérfluos, dependendo das circunstâncias.
    O dinheiro é o novo Deus reinante na maioria das mentes, no comportamento pessoal, nas organizações, nas empresas, na vida do ser humano.
    Pelo “vil metal” o homem morre, mata, tortura, e vende a sua alma.
    O dinheiro é mais poderoso que a vida, tem mais valor que a existência, prepondera sobre a moral e ética, sobrepuja princípios e valores, é mais importante que o amor entre homem e mulher!
    Desta forma, quando se lê uma notícia que um homem público deu cabo da sua vida porque flagrado em ilicitude, o fato surpreende, e nos obriga a resgatar o caráter e a personalidade perdidas em nome do dinheiro que, neste caso, não venceu a vergonha, a honra, a decência do oriental em questão, enaltecendo o personagem pela coragem de se matar porque a sua pessoa era mais importante que a acusação de corrupção que lhe faziam.
    Definitivamente a tentação do pelo consumo, o irresistível apelo de se ter dinheiro, que significa falsamente felicidade, alegria, poder, tem levado o ser humano ao desespero, à frustração, a assassinatos, em perder a sua vida porque entende que sem dinheiro jamais poderá ser alguém.
    A meu ver, esta é a luta do momento; o desafio maior a ser enfrentado pelo ser humano; a grande batalha da sua vida; o verdadeiro significado de si mesmo, que é não se deixar vencer e de maneira humilhante pelo dinheiro.
    Também, lá pelas tantas, escrevo desse jeito porque sou um pelado.
    Quem sabe se eu não estaria me comunicando de outra forma se eu tivesse a bijuja?
    Talvez, mas a verdade é que a felicidade que sinto pela família que possuo e amigos ao meu lado, mesmo sem condições, comprovam que gente rica – e que eu as conheço – não tem esta felicidade e alegria que a vida me proporcionou, ao contrário, a tristeza impera em seus lares com raras exceções.
    Enfim, ainda existem pessoas que estão acima da tentação monetária, que são excelentes mesmo com dinheiro e sem ele, que valorizam o próximo, que sabem que a vida é mais importante que uma incomparável conta bancária.
    O nosso blog é um exemplo do que afirmo, quando pessoas sabidamente independentes financeiramente dividem este espaço conosco, trocam idéias, respondem a comentários, debatem, expõem seus ensinamentos e conceitos.
    Um maravilhoso domingo a todos, indistintamente.

  12. Se a tradição japonesa fosse adotada em terras tupiniquins,haveria um oceano (não de água) mas de sangue,porque a imensa maioria da população é composta de oportunistas,
    canalhas,imbecis coletivos,existencialistas-materialistas,(…) e “bagaços espirituais”.

  13. Prezado Jorge Béja: O nobre advogado é realmente um craque na inteira acepção da palavra.
    Na resposta do seu pedido para comentar seu artigo, o qual interpretei como uma ordem em nome do debate esclarecedor das ideias, o ilustre professor nos brinda com uma aula de Direito Penal.
    Não há o que se dizer mais nada, simplesmente sensacional tudo que dissestes. A progressão das penas no Brasil é um oásis para os que cometem delitos de toda ordem.
    Lembro das palavras do Marques de Beccaria em seu opúsculo: “Dos delitos e das penas”, na qual afirma que, o que mais assusta o bandido é a certeza de que será punido e ficará encarcerado durante todo o período da sentença prolatada, sem maiores delongas. Tendo essa certeza, o meliante pensa mil vezes antes de assaltar, roubar e matar. Logo, a criminalidade reduz-se substancialmente.

    Um abraço do admirador extasiado.

    • Nobre Roberto Nascimento, suas palavras me comovem. Não as mereço. Mas vindas de Roberto Nascimento, levantam minha autoestima, que anda baixa, por causa dos acontecimentos em nosso país, que arrasam as pessoas de bem.Um dia, vamos nos conhecer pessoalmente.
      Gratíssimo por ter lido a notícia revivida (a do suicídio do ministro do japão, em 2007) e comentado.
      Jorge Béja

  14. Se matou de Vergonha da família, do vizinho, dos correligionários, dos políticos do parlamento, porque estes não são corruptos. Esta é a maior prova que a corrupção no Japão não é uma prática normal senão o político japonês não cometeria o suicídio. Melhor morrer que viver com o estigma de ser corrupto, numa sociedade íntegra.

    • ME ENGANA QUE EU GOSTO, porque conheci a CULTURA DE NEGÓCIOS dessa gente de perto AQUI MESMO NO BRASIL. E suas corporações e seus sindicatos majoritariamente controlados por uma máfia secular e quase religiosa são INTIMAMENTE ASSOCIADOS AOS SEUS POLÍTICOS. Gostam muito de dinheiro, são habilidosos na utilização de terceiros para se locupletarem de forma desonesta e quase nunca deixam rastros. Cortam até seus próprios dedos em juramento de fidelidade criminosa. Siga colocando como incauto sua mão no fogo por eles.

  15. Estimado Dr. Jorge Béja … Bom dia!

    Muito bem colocado pelo ilustre jurista a questão do suicídio político … é o paroxismo das meditações metafísicas!!!

    (http://pt.wikipedia.org/wiki/Budd_Dwyer) mostra que o suicídio também faz parte da nossa cultura ocidental … mesmo nos dias de hoje … pois Budd Dwyer se suicidou em 1987 perante as câmaras televisivas!!!

    Também Sócrates foi suicidado por IMPIEDADE … conforme sentença da democrática Helena!!!

    (http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-90742012000100003&script=sci_arttext) traz interessante pesquisa sobre a loucura de certos imperadores romanos (há quem credite a loucura ao fato deles tomarem vinho quente em taça de mercúrio) … nela está que ” … – no caso de Nero, forçado a cometer suicídio.”

    No Antigo Testamento temos 2 suícidios:
    1 – “Enquanto oferecia os sacrifícios, Absalão mandou chamar também Aquitofel, gilonita, conselheiro de Davi, à sua cidade de Gilo. E assim a conjuração se fortificava e se tornava cada vez mais numerosa em torno de Absalão”. (2Sm 15,12) … “Aquitofel, vendo que seu conselho não fora seguido, selou o seu jumento e tomou o caminho de sua casa, na sua cidade. Pôs em ordem os seus negócios e enforcou-se. Morto, foi enterrado no túmulo de seu pai”. (2Sm 17,23)
    2 – “37. Aconteceu também que Razis, um dos anciãos de Jerusalém, foi denunciado a Nicanor. Era um homem dedicado aos seus concidadãos, de grande reputação, e cognominado pai dos Judeus, por causa de sua benevolência. 38. Anteriormente, por ocasião da resistência ao paganismo, havia sido acusado de judaísmo e pelo judaísmo ele se havia exposto de corpo e alma com um zelo extremo. 39. Nicanor, que pretendia dar uma prova de sua hostilidade para com os judeus, enviou mais de quinhentos homens para apoderar-se dele, 40. supondo que, prendendo-o, causaria aos judeus um golpe penoso. 41. Como essa tropa foi apoderar-se da torre e forçar a entrada, uma vez que havia sido dada a ordem de atear fogo e incendiar as portas, Razis, quando ia ser preso, transpassou-se com a própria espada, 42. preferindo morrer nobremente antes que cair nas mãos dos ímpios e padecer ultrajes indignos de seu nascimento. 43. Na precipitação, porém, dirigiu mal o golpe e, enquanto os soldados forçavam do lado de fora contra as portas, ele correu animosamente para cima do muro e, com coragem, precipitou-se de modo a cair sobre eles; 44. estes afastaram-se com rapidez, e Razis esmagou-se no espaço deixado vazio. 45. Todavia, ainda respirando, cheio de ardor, ergueu-se e, embora o sangue lhe jorrasse como uma fonte de suas horríveis feridas, atravessou a multidão numa carreira; em seguida, de pé sobre uma rocha escarpada 46. e já inteiramente exangue, arrancou com as próprias mãos as entranhas que saíam, e lançou-as sobre os inimigos. Foi assim seu fim, pedindo ao Senhor da vida e do sopro que lhos restituísse um dia”. (2Mc 14)

    No Novo Testamento temos Judas Iscariotes.

    Saudações.

  16. Grato, Lionço, por ter lido e comentado. E acrescento: na manhã de 14 de Setembro de 2014, Dong Xuegang, de 51 anos de idade, alto dirigente na cidade de Yuncheng (nordeste da China), pulou para morte de sua janela, no 9º andar. Deixou esposa e um filho.

    Na noite anterior, Dong havia sido interrogado por investigadores do Partido Comunista da China, suspeito de receber propina de construtoras. Leio em lanacion.com, de 22.10.2014, que “o suicídio entre funcionários do Partido Comunista da China pode estar perto de 30% além do resto da população chinesa que comete o suicídio”. Tudo isso em razão do combate à corrupção.
    Jorge Béja

  17. Este artigo, que relembra a vergonha que sentem os políticos e administradores públicos no Japão, que cometem o suicídio quando apanhados recebendo propina da corrupção de empreiteiras, como foi o caso do ministro da Agricultura daquele país, deputado Matsuoka, foi publicado no dia 15 de Novembro passado. De lá para cá, nenhum político, nenhum órgão de imprensa abordou o assunto, restrito e levantado pela Tribuna da Internet.

    Hoje, 4 de Dezembro de 2014, matéria do conhecido e respeitado jornalista Evandro Éboli, com o título “Quando a corrupção acaba em morte” (O Globo, página 3), noticia que na tarde de ontem o deputado federal Luiz Carlos Heinze, do PP do RS, subiu à tribuna (da Câmara, para não deixar dúvida) para lembrar “que em países como China e Japão, corruptos flagrados costumam se matar…o deputado Shokei Arai, de Tóquio, enforcou-se, lembrou Heinze ao microfone”.

    Heinze, certamente, é leitor da Tribuna da Internet. E sua fala foi corajosa e oportuna. Acrescente-se: estatística mostra que na China, o suicídio de parlamentares e administradores públicos acusados de corrupção é 30% maior que os suicídios que cometem a população. Enquanto isso, aqui no Brasil, essa gente não tem vergonha mesmo. Não choram. Não se mostram abatidos. Não perdem perdão ao povo. Continuam arrogantes….Esse ex-diretor da Petrobras, que mora na Barra da Tijuca, no Rio, onde cumpre prisão domiciliar decretada pelo Juiz Federal Doutor Sérgio Moro, ele, com voz firme, e “enojado”, como declarou na acareação de anteontem com Cerveró, disse ele que aceitou a delação premiada, não, a pedido de seu advogado; não, para o bem do Brasil; não, para ver atenuada sua pena; não, por dever de consciência; não, para devolver o que surrupiou da empresa….Nada disso. Disse Costa que concordou com a delação premiada a pedido de sua esposa, de seus filhos e genro que lhe alertaram: “você vai pagar por isso tudo sozinho?”. Ou se não foi exatamente isso, foi algo de igual teor ou sentido, tal como “você não pode responder por tudo isso sozinho”.
    Jorge Béja

  18. Considere este comentário por gentileza, foi corrigido.

    Prezados, boa noite. Estou escrevendo um trabalho sobre mecanismos de tomada de decisão e por algum motivo cheguei nessa página. Gostaria de agradecê-los, pois, após a leitura de todos os comentários decidi me tornar um leitor assíduo da página.

    Estava em busca de uma ilustração para um tópico que aborda as atitudes que deixamos de tomar em função de não estarmos confortáveis com as consequencias ou mesmo não ter a coragem necessária para assumí-las. Para isso, buscava algo que fosse um paradoxo radical, por isso pensei no suicídio de políticos japoneses corruptos, algo que já havia ouvido falar, só ouvido.

    Peço licença ao autor para me apoderar das informações da notícia, levando a mensagem de que mesmo que decisões antiéticas sejam tomadas, as quais não faço apologia, o indivíduo que as comete pode sim ter plena sobriedade sobre as consequências, mesmo que extremas como neste caso.

    Boa noite a todos.

    • Esteja à vontade, Bernardo Dória. Todas matérias aqui estão disponibilizadas. Muitos artigos são reproduzidos em outros blogs e sites, alguns citam a fonte e os autores; outros, infelizmente, não o fazem. Seja bem-vindo.

      CN

  19. nao sei como se chama por aqui no brasil mas, vcs acham mesmo que o corrupto brasileiro vai cometer tal coisa e que ele tenha envergonhado-se com tal coisa, aqui roubam e nao devolve, vai preso e em pouco tmpo estao solto pq a lei sempre tm uma brecha e sai da cadeia na maior e em pouco tmpo é eleito outra vz, nosso país nao tm lei pra esses delitos e continua assim e isso ja é velho.

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