Enxugando gelo e ensacando fumaça

Carlos Chagas

Durou de segunda-feira depois da eleição até ontem, quarta-feira, a ilusão da presidente Dilma de que poderá pautar a reforma política conforme suas concepções e através de um plebiscito junto ao eleitorado. O Congresso reagiu pelos seus líderes, da situação e da oposição, não admitindo ser ultrapassado pela visão do Executivo. Mais firme será a resistência quando se iniciar a nova Legislatura, ano que vem, tendo em vista o aumento das bancadas oposicionistas.

A inusitada intervenção da presidente, em sua primeira fala ao país depois de eleita, demonstrou que ela não aprendeu nada, com a vitória apertada. Continua a mesma, absoluta, intransigente e arrogante, imbuída das mesmas distorções sobre só ela ser a dona da verdade.

Por duas vezes, uma no governo Lula, outra na administração Dilma, o Congresso interceptou o sonho da reforma política. Só falta mesmo a presidente reeleita desencavar a proposta da Constituinte Exclusiva, outro absurdo nascido dos devaneios autoritários do PT.

Pelo jeito, união nacional, para Dilma, é a reunião de todos em torno das ideias dela. Mudanças, só as que fluírem do palácio do Planalto. Em matéria de reformas, a postura do novo governo parece aquela do lusitano cidadão que apregoava ser a sua filha livre para casar com quem quisesse, “desde que fosse com o Manoel”.

Sem pretender bater de frente com Dilma, o desgastado Congresso em final de mandato procura compor com panos quentes as afirmações da vencedora, posteriores à eleição. Rejeita o plebiscito mas sugere o referendo, como afirmaram os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Henrique Alves. Depois de fevereiro, o tom das recusas será mais forte. Estará submetida a um moedor de carne cada proposta de reforma vinda do Planalto a respeito das modificações na legislação política e eleitoral. Até hoje pouca coisa foi admitida por deputados e senadores. Divididos em seus interesses partidários, eles não aceitaram a cláusula de barreira, o voto distrital, a votação em listas partidárias ou sequer a proibição de doações das empresas para as campanhas eleitorais. Muito menos o fim da reeleição, apesar do carnaval feito em torno da sugestão. De forma alguma admitirão o plebiscito, forma de manifestação popular anterior às decisões parlamentares. E quanto ao referendo, a posteriori, nem ele subsistirá no caso de uma eventual recusa ao que já tiver sido aprovado na Câmara e no Senado. Estará caracterizado um impasse institucional.

Em suma, fazendo da reforma política o carro-chefe do segundo mandato, Dilma começou enxugando gelo e ensacando fumaça.

A PEDRA DE TOQUE

Na construção de um muro, os mestres de obras dedicam-se a definir a localização da pedra de toque ou do tijolo de sustentação, aquele ponto crucial que fará o trabalho duradouro ou eventual, conforme as instruções dadas aos pedreiros. Às vésperas do segundo mandato, as informações são de que a presidente Dilma antecipará para dezembro a indicação do novo ministro da Fazenda, precisamente o tijolo de sustentação ou a pedra de toque de seu novo governo. Fala-se em alguém recrutado nos meios financeiros, mas também se admite um luminar do PT. Henrique Meirelles, Aloysio Mercadante e Antônio Palocci são cogitações, mas é posspivel que a presidente surpreenda. No fim, o novo ministro terá de . rezar pela cartilha dela.

12 thoughts on “Enxugando gelo e ensacando fumaça

  1. Uma promessa, a Presidente vai cumprir, deixou claro na entrevista da Band: não vai mexer no fator previdenciário, e continuará a dar aumento diferenciado aos aposentados que ganham mais de um salário mínimos.

  2. Não vejo arrogância alguma na Presidente reeleita se referir a um plebiscito para que sejam realizadas mudanças. Alguém acha que este novo velho congresso vai mudar alguma coisa ? A presidente foi humilde ao se apresentar de branco, foi uma bela mensagem. O lula também apareceu de branco. A mensagem foi : Paz e união por um Brasil melhor. Vamos agora trabalhar pelo Brasil porque mesmo que a oposição continue a criar incertezas políticas e econômicas pela lei de Newton a resultante são mais 3 milhões empurrando o Brasil para frente. O Delta S, o deslocamento, será positivo como podemos observar pelo PIB que nunca diminuiu com o PT , cresceu pouco mas nunca diminuiu.

  3. Se a Drª Dilma vai ter que nomear algum “Henrique” para ser o ministro da Fazenda e mandar nele, o Henrique Meirelles não parece ser o mais indicado.

    O Henrique Pizzolato deverá ter a preferência, pois já está adaptado ao “modus operandi” do PT.

    • Prezado Sr. CELSO, Saudações.
      A presidenta DILMA terá que nomear Ministro da Fazenda alguém em quem “os Investidores” tenham CONFIANÇA. Dar as Diretrizes que o Ministério da Fazenda deve seguir, é um direito que a Presidenta conquistou nas Urnas. Se vai ser o brilhante Sr. HENRIQUE MEIRELLES ou não, que fez excelente trabalho no BC do Presidente LULA, não sabemos. Uma coisa é certa, gostemos ou não, a Presidenta aprendeu muita coisa nesses 4 anos.

  4. Plebiscitos e referendos

    Plebiscito e referendo são consultas ao povo para decidir sobre matéria de relevância para a nação em questões de natureza constitucional, legislativa ou administrativa.

    A principal distinção entre eles é a de que o plebiscito é convocado previamente à criação do ato legislativo ou administrativo que trate do assunto em pauta, e o referendo é convocado posteriormente, cabendo ao povo ratificar ou rejeitar a proposta.

    Ambos estão previstos no art. 14 da Constituição Federal e regulamentados pela Lei nº 9.709, de 18 de novembro de 1998. Essa lei, entre outras coisas, estabelece que nas questões de relevância nacional e nas previstas no § 3º do art. 18 da Constituição – incorporação, subdivisão ou desmembramento dos estados –, o plebiscito e o referendo são convocados mediante decreto legislativo. Nas demais questões, de competência dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, o plebiscito e o referendo serão convocados em conformidade, respectivamente, com a Constituição Estadual e com a Lei Orgânica.

  5. EXISTE JUSTIÇA NO BRASIL?
    Claro que sim, aqui se aplica corretamente a justiça quando o criminoso é pobre ou um trabalhador, em casos contrários se pratica apenas tentativa de fazer justiça ou seja meia justiça é este o Brasil do PT.

  6. Eu não acho que a Presidência da República não deva servir de
    estágio para aprendizado no primeiro mandato e governar melhor no segundo mandato. Infelizmente foi assim com Lula, teve sorte,
    viajou 8 anos em céu de Brigadeiro, mas a Dilma não foi tão feliz.
    Plebiscito ou qualquer tipo de votação com essas urnas eletrônicas?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *