Era só o que faltava. A Justiça, que já anda a passos de tartaruga, pode entrar em greve para aumentar os próprios salários

Carlos Newton

 A pressão continua implacável. Aproveitando a ausência da presidente Dilam Rousseff, que faz discurso nas Nações Unidas, representantes do Judiciário e do Ministério Público Federal foram ao Palácio do Planalto para tentar o apoio do vice-presidente da República, Michel Temer, exigindo reajuste salarial.

Como Michel Temer não tem o que fazer, esta foi a primeira vez que o Planalto recebeu entidades de classe para tratar do assunto, depois que o governo cortou as propostas de aumento previstas para o Orçamento de 2012.

O encontro com o vice-presidente ocorreu depois de ser anunciado que está sendo preparada por juízes e membros do Ministério Público em Brasília uma macromanifestação de protesto. A expectativa é que o evento reúna 1,3 mil profissionais para exigir não só a reposição integral das perdas inflacionárias – que consideram superiores a 20% nos últimos seis anos – mas também por mais segurança no trabalho. Há hipótese de greve caso as demandas não sejam atendidas.

De acordo com o representante da Associação dos Juízes Federais do Brasil, Fernando Tourinho Neto, Temer não fez promessas e se limitou a ouvir as demandas. Também participaram da reunião a Associação dos Magistrados Brasileiros, a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho e a Associação Nacional dos Procuradores da República.

A pressão das entidades de classe é vista com receio pelo Supremo Tribunal Federal, que negocia paralelamente com o Executivo e com o Legislativo. Um dos motivos é a intransigência na cobrança de reajustes integrais, que estaria prejudicando a negociação de índices próximos dos demais Poderes.

O problema é que o reajuste do Judiciário tem efeito dominó sobre a administração pública, praticamente com um todo. Como se sabe, o limite constitucional é o salário dos ministros do Supremo. Quando ele sobe, podem apostar que as remunerações dos outros podres poderes também acabam sendo reajustadas. Como diz a gíria, aonde a vaca vai, o boi vai atrás.

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