Era só que faltava. A neta de Mussolini pede retaliações da Itália contra o Brasil, por causa de Battisti.

Marco Goldenberg

Esta certo que o governo da Itália anuncie que vai recorrer à Corte Internacional de Justiça, de Haia, na Holanda, sobre a decisão do SupremoTribunal Federal que barrou a extradição do ex-ativista italiano Cesare Battisti, condenado em seu país à prisão perpétua por quatro assassinatos. Recorrer é um direito da Itália, ainda mais quanto de trata de uma decisão tão polêmica.

O presidente italiano, Giorgio Napolitano (que é uma espécie de rainha de Inglaterra, reina, mas não governa), afirmou “deplorar” a decisão e expressou seu respeito às famílias das vítimas dos crimes que, segundo ele, foram cometidos por Battisti.

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi (que é uma versão masculina da Cicciolina, que chegou ao poder), se disse desapontado pela decisão do Supremo de negar a extradição de Battisti e afirmou que o país manterá os esforços para levá-lo à Justiça. E a ministra para Assuntos da Juventude, Giorgia Meloni, classificou a decisão brasileira como “a mais recente humilhação infligida às famílias das vítimas e uma bofetada no rosto da Itália”.

Mas duro mesmo foi ver a parlamentar Alessandra Mussolini, neta do ex-ditador Benito Mussolini, que chefiou a Itália durante a Segunda Guerra Mundial, pedir que a Itália promova retaliações diplomáticas contra o Brasil.

Os italianos deviam se queixar diretamente com Lula. Afinal, o Supremo apenas confirmou a decisão tomada pelo então presidente, em dezembro, pouco antes de deixar o cargo, quando concedeu asilo político ao italiano.

Como se sabe, Battisti escapou de uma prisão italiana em 1981 enquanto aguardava julgamento por quatro acusações de assassinato, crimes alegadamente cometidos quando ele era um membro do grupo terrorista Proletários Armados para o Comunismo. Ele foi condenado à revelia em 1990, e sentenciado a prisão perpétua.

Na noite de ontem, logo após a decisão do Supremo,  Batisti deixou a Penitenciária da Papuda, em Brasília, para comemorar a liberdade ainda que tardia, já que deveria ter sido solto em dezembro, com a decisão de Lula, que ao Supremo só cabia referendar.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *