Erenice Guerra na posse? Cumprimentando a presidente? É inacreditável e inconcebível. Ela foi de penetra ou tinha realmente convite? E quem a convidou?

Carlos Newton

Wagner Tiso é o autor da trilha sonora do documentário “Jango”, de Silvio Tendler, com  roteiro de Claudio Bojunga, que traçou um belo retrato do presidente João Goulart. A música-tema, lindíssima, não tinha letra. Milton Nascimento gostou tanto da canção que resolveu fazer uma parceria. Nascia assim “Coração de Estudante”, que foi um dos hinos da redemocratização do País, era tocado em todo comício das “Diretas Já”.

“Mas renova-se a esperança”, cantava Milton Nascimento, registrando um sentimento bem brasileiro. A cada eleição, não importa o vencedor, no final a maioria das pessoas sempre espera que as coisas melhorem, dá-se uma espécie de crédito de confiança ao futuro presidente. Até na ditadura militar funcionava assim: sempre que mudava o inquilino do Palácio do Planalto, a gente torcia para as coisas melhorarem.

Agora, a mesma coisa. Embora Lula tenha feito um bom governo, com algumas conquistas importantes, mas endividando o país (R$ 2,3 trilhão de divida interna e R$ 100 bilhões de dívida externa federal) e sem realizar as indispensáveis obras de infraestrutura e logistica para o país crescer solidamente (portos, aeroportos, rodovias e ferrovias), há uma expectativa positiva em relação a Dilma Rousseff.

Mas ela começou mal. Como receber Erenice Guerra na posse? A quem atribuir essa afronta aos cidadãos brasileiros? Quem convidou? A presidente foi a última a saber? Ou foi a própria Dilma que mandou entregar o convite? Continuam amigas inseparáveis?

Caramba, quantas dúvidas diante uma certeza: a de que Erenice Guerra foi lá e ainda teve condições de cumprimentar Dilma, que na foto publicada pelo jornal O Globo aparece visivelmente contrafeita.

Erenice é amiga da presidente? Claro que não. Se fosse realmente amiga, tivesse o mínimo de consideração e respeito por ela, jamais teria ido à posse, mesmo convidada (por quem?) Mas ela foi, com uma única e exclusiva intenção: mostrar que ainda é poderosa, que até agora nada lhe aconteceu nem vai acontecer, porque faz parte do Poder e é amiga da presidente. Só faltou dizer, imitando Lula: “Eu voltarei”.

Por mera coincidência (embora digam que depois dos 40 anos ninguém deve acreditar em coincidências), na antevéspera da posse, em seu último ato como Chefe da Casa Civil, o então ministro Carlos Eduardo Esteves decidiu por arquivar a sindicância que apurava o escândalo familiar da ex-ministra Erenice Guerra, que segue investigada pela Controladoria Geral da União e pela Polícia Federal. Vai acabar em pizza, claro.

Erenice Guerra não é muito diferente da maioria das autoridades e políticos brasileiros, que julgam estar acima da lei e da ordem (e parecem estar mesmo). A grande diferença é que ela tem mais cara-de-pau e não demonstra o minimo de dignidade. Sua presença na posse mostra que pouco evoluímos em termos de ética e ainda somos uma exótica “democracia tropical”

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