Escândalos abalam imagem e derrubam ações da Petrobrás

Pedro do Coutto

A imagem pública de uma empresa é essencial para sua valorização, claro, e para sua atuação no campo econômico capaz de traduzir seu êxito no campo financeiro. Exatamente ao contrário do que os escândalos que invadiram a Petrobrás estão causando à principal empresa brasileira, inclusive atingindo sua reputação no exterior. Em termos de comunicação e repercussão esses escândalos, comprovados pelos fatos e confissões reveladas por acusados, superam de muito as subtrações de recursos monetários decorrentes de superfaturamento em sequência impressionante.

Reportagem de Anderson Figo, Folha de São Paulo, edição de terça-feira 16, destacou nitidamente o que significam quanto ao valor de suas ações no mercado, as quais desceram a menor de 10 reais cada uma, tanto as preferenciais quanto as ordinárias. Foi um desastre. Que necessita urgentemente ser revertido, sobretudo porque o abalo da Petrobrás afeta a solidez do próprio governo. O adiamento da divulgação do balanço relativo ao terceiro trimestre do exercício já havia causado perplexidade, não se sabendo ao certo se a queda do valor das ações foi uma consequência do fato, ou se o fato levou à queda dos papeis.

Provavelmente a soma de múltiplos fatores, sequência veloz que começou com os superfaturamentos e foi se agravando numa escalada impressionante de acontecimentos. Compras à base de preços muito acima do mercado, locações de plataformas e serviços por cifras altíssimas, até assinatura de contratos em branco aconteceu. A Petrobrás foi ocupada por uma desordem criminosa que alcançou o país como um todo. O destino da estatal está agora totalmente nas mãos do governo, que também joga seu destino tanto no êxito das investigações e no julgamento dos denunciado , quanto na urgente recuperação da própria Petrobrás.

UM SÍMBOLO BRASILEIRO      

Pois não é possível que um dos grandes símbolos brasileiros, construída através de uma sucessão de desafios, desde sua criação em 53 pela Lei 2004, e sua entrada em funcionamento no ano seguinte, ainda no governo Vargas, permaneça exposta a uma desvalorização acentuada, o que, por seu turno, termina contribuindo para sua imobilização. Não há como uma empresa submersa pelas ondas causadas por ações ilegais possa seguir em frente como se nada acontecesse. Não há como. Logo o triplo desafio se coloca à frente da presidente Dilma Rousseff, à frente do Palácio do Planalto, à frente do país como um todo.

Não será tarefa fácil superar a crise que explodiu. Mas pior será se não houver medidas urgentes em sentido contrário. A inércia marca a passagem de um tempo que, no fundo, volta-se contra o governo e contra a nação. O governo necessita tomar iniciativas de peso que fortaleçam sua estrutura e refortaleçam a estrutura da empresa. Não há outra saída. O Poder Executivo não pode deixar, por omissão, a Petrobrás submergir na margem da desordem e das sombras dos crimes praticados. Ela tem que voltar à superfície e assim sobreviver à tempestade.

6 thoughts on “Escândalos abalam imagem e derrubam ações da Petrobrás

  1. Os reflexos negativos sobre a Petrobras, seu patrimônio, suas ações e seu valor de mercado só serão atenuados a partir do momento em que houver renovação da sua diretoria, a quantificação do valor das perdas do ativo por desvios e corrupção for contabilizada e quantificada contabilmente, suas demonstrações contábeis e financeiras forem novamente auditadas por auditoria independente e o governo retirar de sobre a empresa a responsabilidade de represar os preços dos combustíveis em sua política de contenção da inflação.

    Depois disso será preciso aguardar a retomada da lucratividade normal da empresa que hoje está em torno de pouco mais R$20,0 bilhões anuais, mas deveria ser de pouco mais R$30,0 bilhões.

    Aí sim, retomado a estabilidade e a governança da empresa teremos novamente uma Petrobras pujante. Seja em sua taxa de retorno e lucratividade, seja no mercado de ações ou na avaliação mercadológica.

  2. Concordo com o jornalista Pedro do Coutto.
    Vai ser, mesmo, muito difícil reverter o dramático quadro econômico-financeiro e até estrutural em que está a empresa.
    A gigante, está nas cordas, em visível nocaute técnico…
    Acionistas aguardam a contagem por parte de quem de direito, no caso, o sócio majoritário, a União, e as autoridades que deveriam zelar pelos capitais investidos, a CVM.
    A questão do tempo é crucial… a contagem não pode e nem deve ser feita em câmara-lenta. Infelizmente, é o q

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