Escândalos da vacina, da madeira e disparada de Lula: um precipício chamado Bolsonaro

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Pedro do Coutto

A semana que se encerrou foi uma das piores na história do país e, pior ainda, para Jair Bolsonaro que se viu sufocado em um redemoinho de atos incríveis para um governo que surgiu nas urnas, mas despencou num princípio político que o próprio presidente construiu e nele se projetou por ações e omissões.

Os três maiores jornais do país, O Globo, Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo, tiveram como manchetes na edição de ontem o estapafúrdio caso da vacina indiana que seria comprada pelo governo com intermediação de duas empresas, uma das quais com apenas um escritório em Singapura.

DENÚNCIAS – O próprio presidente da República ao ouvir as denúncias que lhe foram levadas em 20 de março pelo servidor do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, e pelo seu irmão, o deputado Luis Miranda, deixou escapar, segundo o relato de ambos na sessão de sexta-feira da CPI, uma frase dizendo que entre os protagonistas da tormenta estava o líder do governo na Câmara Federal, deputado Ricardo Barros.

A frase ficou no ar. Nenhuma providência foi tomada e o fato de não ter sido feito pagamento antecipado deveu-se à ação da imprensa.  A mesma imprensa que é objeto permanente de fortes ataques do presidente da República e que confunde os jornais e emissoras de televisão como se fosse ele próprio. O causador da tempestade é marcado principalmente por suas posições contra as máscaras, contra o distanciamento e contra as vacinas, produzidas por laboratórios a preços várias vezes menores do que a Covaxin.

No O Globo, as reportagens são de André de Souza, Julia Lindner e Dimitrius Dantas, além de Natália Portinari, Leandro Prazeres e Paulo Ferreira. Quanto às agressões a jornalistas, sobretudo à repórter Vitória Abel, da rádio CBN, escreveram no O Globo, Bianca Gomes e Suzana Correia. No Estado de São Paulo, Vinícius Valfré e Lauriberto Pompeu.

PESQUISA –  Além do desastre de sexta-feira, Bolsonaro na véspera fora atingido pelo resultado da pesquisa do Ipec que apontou 49% para Lula e 26% para ele, uma diferença de 23 pontos difícil de reverter com a tendência de se ampliar no decorrer do tempo, uma vez que o temperamento do presidente da República figura entre os principais atores do seu próprio desastre.

É importante também observar-se que o distanciamento entre Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão já havia sinalizado para um conflito entre pelo menos duas correntes de pensamento, uma delas a do vice-presidente nas restrições claras que fez ao ex-ministro Eduardo Pazuello e ao agora ex-ministro Ricardo Salles, além de restrições ao ex-ministro da Educação Abraham Weintraub. ,

O general Hamilton Mourão já vinha se opondo de maneira frontal ao desmatamento da Amazônia e às queimadas da floresta verde patrocinadas por Salles que foi exatamente aquele que se deslocou de Brasília ao Pará na tentativa de liberar 200 mil metros cúbicos de troncos de árvores atingidos pela serra elétrica e que se destinavam a uma exportação ilegal a proporcionar lucros aos que incrivelmente vulneraram a própria lei brasiliera. Salles tornou-se um ministro contra o meio ambiente e adicionou para o governo Bolsonaro um ambiente ainda mais calamitoso.

IMPOSTO DE RENDA – No meio de toda tempestade, o ministro Paulo Guedes anunciou uma alteração na lei do Imposto de Renda, ampliando a faixa de isenção na declaração anual de ajuste. Entretanto, os jornalistas Douglas Gavras e Fábio Pupo, Folha de São Paulo, pesquisaram o texto e revelaram ontem que concretamente a mudança amplia a faixa de incidência, mas aumenta o imposto de renda para toda a classe média.

Como se não bastasse, propõe a incidência do tributo sobre os dividendos das empresas. Neste ponto está caracterizada a bitributação simplesmente porque as empresas já são taxadas no mesmo imposto de renda antes da distribuição dos dividendos.

Paulo Guedes não falha e confirma a cada dia o seu caminho.  Faz com que a escala de queda de Jair Bolsonaro se amplie ainda mais na opinião pública, no eleitorado e na população brasileira.

9 thoughts on “Escândalos da vacina, da madeira e disparada de Lula: um precipício chamado Bolsonaro

  1. A derrocada irreversível será a implosão do Posto Ypiranga que deverá ocorrer ainda este ano.
    Pessoalmente Paulo Guedes já assegurou seu futuro com excelentes consultorias.
    Já torrou a Refinaria Landulfo Alves, já estragou de mão beijada os oleodutos da Petrobrás que já estão recuperando o valor pago.
    Mas tudo dentro da legalidade, exatamente como o fez FHC ao doar a Vale e a EMBRATEL.
    A corrupção é um crime que aparece, a malversação é um crime que desaparece.

  2. O Boçal, o Guedes e seus assessores, e também FHC, são ainda piores que o Lula e o PT. Todos, no entanto, deveriam ir logo para o fogo do inferno. Deus há de nos livrar dessa bandidagem. Não é possível que, no meio de tantos brasileiros, não haja um cidadão com coragem, educação e capacidade para se eleger e consertar os erros crassos que estes malandros cometeram. Eu pretendo votar no CIRO GOMES.

    • É verdade.

      Os bolsonaristas se parecem muito com os petistas, pois acreditam em homens públicos incapazes de fazer qualquer coisa útil ao país, e não são só os dois matutos metidos a malandros como Bolsonaro e Luiz Inácio, é uma corja sem tamanho que são capazes só de pensar como vão enricar.

      Vejam bem as famílias dos dois matutos, a de Luiz Inácio teve tempo de enricar mais porque está a mais tempo com a boca no botija.

      Ainda bem que temos mulheres de verdade, como Ana Amélia e Simone Tebet, e não aquelas do PT.

    • Ciro é jaboticaba do mesmo pé.

      Não faça isso, e veja por quantos partidos esse cretinos já passou, e foi parar no PDT.

      Se Brizola fosse vivo, certamente, colocaria esse cangaceiro para correr lá para as bandas de onde veio.

      Não vá atrás de pessoas desempregadas como o cangaceiro porque vais se arrepender até de votar porque eleito jamais.

      Estudava vida pública de Ana Amélia e de Simone, e logo mudará de idéia.

      Ciro, Luiz Inácio e Bolsonaro só trazem atraso, roubalheira e baixarias.

  3. Segundo os institutos de pesquisa contratados pela grande imprensa, a prostituta de luxo da bandidocracia tucano-petista, o ladrão-mór Lula da Silva já foi eleito com 215% dos votos dos eleitores. Por conta dessa vitória esmagadora o STF (supremo tribunal de facínoras) já pode até antecipar a posse do marginal petista.

    • Gostei dos 215%, e quando a turma do STF souber vai validar com 430%.

      Luiz Inácio é o bandido de estimação de muitos poderosos que se locupletaram como os donos da Odebrecht e outra empreiteiras amigo do matuto metido a malandro que foi para atrás das grades mas solto pelos amigos do STF.

      Não desistimos, o Brasil é muito maior que essa bandidagem, e certamente alcançaremos a Vitória sobre esses pau mandados dos poderosos.

      Fique tranquilo, na hora da cobra fumar, todos correm.

    • Pedro do Couto tem carradas de razão, estou com ele e não abro. É hoje, um dos mais respeitados analistas políticos.
      Suas fontes são os fatos, a vida diária, os escândalos, o autoritarismo, a falta de controle contra a Pandemia e principalmente, a desastrosa gestão econômica comandada pelo ministro Paulo Guedes. Tudo que ele faz, dá em tragédia, além de ser um elitista contra as classes laborais. Seu discurso é sabido e não deixam dúvidas: tudo para a o capital e as sobras para o trabalhador.
      Além de reclamar que empregadas domésticas viajavam muito para Miami e que filhos de porteiro não deviam cursar Universidades com recursos do FIES ( financiamento público), uma maldade sem tamanho. Isso me dói particular mente, porque só consegui terminar o ensino superior, com financiamento público na década de 80. Paguei todas as prestações a CEF em cinco anos após a conclusão do Curso.
      Agora ele quer reduzir a alíquota do imposto de Renda dos empresários e aumentar o tributo da classe média como compensação. Isso vai encarecer os custos para quem depende dos serviços dos profissionais liberais, que naturalmente vão repassar essa perda no colo dos clientes.
      Uma tragédia atrás da outra, ” pensada” por Guedes e seus asseclas, dentre eles seu secretário executivo, Marcelo Guaranis.
      Guedes avança sempre contra que tem pouca artilharia, os pobres e o funcionalismo público Federal, Estadual e Municipal, os quais tiveram seus salários congelados, corte de benefícios ( plano médico) e agora avança com uma gana incomensurável para acabar com a Estabilidade do Servidor Público, que ele deseja demitir se não fizerem o dever de casa, deixando rolar a corrupção dos altos escalões. Em vez de licença para matar, se passar o fim da Estabilidade teremos em todos os governos, após a votação no Parlamento, a Licença para Roubar.
      Eu gostaria de saber, porque Guedes não reduziu os direitos sociais e, da aposentadoria dos militares, inclusive o congelamento do soldo? Se o fizesse seria injusto também, com essa valorosa classe, que protege o Brasil da ingerência externa cuidando das nossas fronteiras.

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