Esclarecimento, puro esclarecimento sem polêmica, sem controvérsia, sem contestação. E aceito réplica ou tréplica. O “nacionalista” Bernardes quase ficou de fora.

O bom do debate é o debate, sem que isso seja redundância. As reminiscências, lembranças, o despertar da memória para fatos vividos ou apreendidos, rigorosamente positivo. O grande poeta Pablo Neruda, escreveu livro de recordações, com o título “Confesso que vivi”. E apesar de respeitadíssimo, sofreu críticas diversas.

Existem não só os equívocos ou falhas de memória, mas também a tentativa de esquecer ou esconder o que não interessa mostrar ou relembrar.

Na Constituinte de 1988, José Serra defendeu intransigentemente, o fim do cargo de vice-presidente da República. Contestado e interrogado “como se daria a substituição no caso do impedimento do presidente”, se complicou todo, “deixou para depois”, como é de seu hábito, gosto e costume.

Agora, nos “debates e entrevistas”, foi obrigado a se desdizer e até faltar com a verdade. Vejam só. 1 – Todos sabem que “jogava” tudo no nome de Aécio como segundo na sua chapa. 2 – Me fartei de dizer, com meses de antecedência: tendo 8 anos garantidos no Senado, por que ser vice de um candidato que tem todas as expectativas de ser derrotado?

3 – Pois agora Serra garante que “Índio da Costa já estava escolhido há muito tempo, só não quisemos anunciar para não provocar confusão”. Ha!Ha!Ha! 4 – Por que a indicação de um vice causaria confusão? 5 – No “Jornal Nacional”, afirmou, como se não estivesse diante de milhões de espectadores:  “O Índio da Costa tem 4 ELEIÇÕES IMPORTANTES”.

6 – Contestado e informado que três dessas eleições foram apenas para vereador, engasgou, se atrapalhou, respondeu, “mas ele é deputado federal”.

(Serra não ganha a eleição, não será presidente de modo algum. Ele mesmo, a respeito da vice, no programa, comentou até rindo: “Esperam que eu não vá até o fim do mandato”? Tudo pode acontecer. E se esse vice tiver que tomar posse, não será com facilidade, não há a menor dúvida que teremos nova crise monumental).

Costa e Silva, que pretendia ser “presidente” no primeiro de abril mais enganador da nossa História, só foi tomar posse em março de 1967, depois da PRORROGAÇÃO do mandato de Castelo, “vitória” maior de Golbery.

Costa e Silva não resistiu, foi considerado INCAPACITADO, a crise nos bastidores militares, terrível. Só que na época não era possível dizer coisa alguma. E surgiu Médici, que acalmou as coisas, apesar de não desejar o Poder.

Serra contestou que seja CENTRALIZADOR. Esse é um fato público e notório, que chegou a atrasar a “carreira” de Serra. Quando Collor RENUNCIOU para não ser cassado, Itamar Franco assumiu como vice, mas de forma interina. Os líderes dos partidos políticos se reuniram para formar PACIFICAMENTE o governo, quando Itamar assumisse definitivamente.

(Era até uma forma de evitar que a crise do impeachment e transformasse numa tormenta para o país. Os partidos foram indicando nomes, Itamar, ainda interino, decidiu: “Quero o José Serra como ministro da Fazenda”. Os partidos se reuniram, voltaram a Itamar: “Serra não, é totalmente centralizador”. E não foi nomeado).

Indicado ministro por um presidente e VETADO, quem pode exibir isso no CURRÍCULO?

Antes, em agosto de 1985, quando Dornelles deixou o Ministério da Fazenda, indicaram a Sarney o nome de Serra para Ministro da Fazenda. Sarney: “Esse não. É CENTRALIZADOR, vai querer mandar mais do que eu”.

Sarney então telefonou para Jereissati, que terminava o mandato de governador do Ceará, aceitou na hora. Viajou para Brasília, (no avião emprestado do governador de Sergipe) quando chegou na capital, já estava vetado pelo doutor Ulisses.

Foi nomeado então Bresser Pereira, (surpresa para ele e o país inteiro). Antes, ficou poucos meses uma excelente figura, Dílson Funaro, que morreu de câncer linfático. (O mesmo câncer que atingiu agora o presidente do Paraguai. E que já havia atacado Gabriel Garcia Marques, Prêmio Nobel da Colômbia, que se curou completamente, depois de 5 anos de tratamento, a maior parte nos EUA).

No inútil programa da TV Globo, Serra trocou a sua denominação de CENTRALIZADOR, por ACOMPANHADOR, “gosto de saber de tudo”. Não é bem assim, nem sabe o que dizem dele, a mais completa realidade. Incrível como Serra não sabe das coisas.

***

PS – Ao contrario do que foi dito aqui, a Coluna Prestes não durou 4 anos e sim 2: de 1924 a 1926. Foi sem dúvida um dos maiores episódios da nossa História. Mas só tinha como objetivo, hostilizar e desgastar o presidente Bernardes. Quando ele saiu, a “Coluna” acabou.

PS2 – Também contrariando a realidade: o adversário da “coluna” era Artur Bernardes e seu governo. Não queriam que ele tomasse posse, foi uma das maiores crise da História do Brasil. Mas tomou posse e governou os quatro anos, do primeiro ao último dia, em “Estado de Sítio”, que estava na Constituição de 1891.

PS3 – Esse fato, que quase levou o país a uma guerra civil, entrou na História com o episódio das “Cartas falsas”. (Já foi contado aqui por seguidores, de forma diferente). O “Correio da Manhã”, que na época, 1922, era importantíssimo, publicou cartas atribuídas a Artur Bernardes, hostilizando e mais do que isso, atacando violentamente oficiais generais.

PS4 – Evidente que como os militares mandavam de fato no país, (e não uma vez ou duas, mas sempre) reagiram e tiveram cobertura total do jornal.

PS5 – O episódio ganhou evidência no país inteiro, parecia incontrolável. Até que decidiram mandar buscar dois peritos na Itália, para examinarem as cartas e decidir pela autenticidade delas.

PS6 – Esses peritos tinham prestígio internacional, examinaram em profundidade os documentos, e decidiram: “AS CARTAS SÃO FALSAS”. Essa é a versão (fato) verdadeira e histórica. (O jornal e os generais aceitaram, Bernardes tomou posse).

PS7 – Foi a primeira manifestação ABERTA e OSTENSIVA de grupos estrangeiros (na época chamados de trustes) contra defensores intransigentes do interesse nacional.

PS8 – Como governador de Minas, Bernardes fez campanha duríssima contra essas empresas que enriqueciam com os minérios brasileiros. A mais importante e mais combatida pelo então governador: a Hanna Minning Company, que tentou derrubá-lo. Mas continuou governador, saiu e  foi presidente.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *