Escolha de Montezano para o BNDES é a pior notícia que poderia ser dada ao Brasil

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Carlos Newton

Poucas pessoas têm a real noção do que significa, para o Brasil, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, criado por Getúlio Vargas em 1952. Se não contasse com uma instituição de fomento deste porte, que até recentemente era a maior do mundo, o Brasil jamais atingiria o grau de desenvolvimento socioeconômico de que desfruta hoje, com um parque fabril bastante diversificado, apesar da crise e do processo de desindustrialização que está ocorrendo.

O presidente Jair Bolsonaro costuma repetir que não entende de economia, mas o ministro Paulo Guedes e a equipe econômica deveriam ter um mínimo de conhecimento sobre a importância do BNDES para a retomada do crescimento econômico. A indicação de Montezano indica que o governo virou zona, como se dizia antigamente.

PIADA DO ANO – O ministro Paulo Guedes afirmou que estava procurando alguém com grande experiência no setor financeiro. Os jornais falaram em alguns nomes, como Gustavo Franco, Carlos Thadeu de Freitas, Solange Vieira e Salim Mattar. Mas o indicado foi justamente o ilustre desconhecido Gustavo Montezano, de 38 anos, secretário adjunto de Desestatização e Desinvestimento.

Grande piada! É preciso ser gênio do humorismo para colocar na presidência do Banco de Desenvolvimento justamente um especialista em Desinvestimento… A anedota é forte, pode até concorrer ao troféu Piada do Ano.

Infelizmente, porém, o assunto é sério e não cabe brincadeira, porque a economia só poderá ser reativada se houver financiamento aos setores estratégicos, e quem financia as empresas é o BNDES.

ESTRANHO NO NINHO – Com toda a certeza, Montezano não tem condições para conduzir o BNDES nesse momento de gravíssima crise econômica. Não tem a menor experiência e será um estranho no ninho. O destaque em seu currículo é a condenação recente por distúrbio e prejuízo no condomínio onde morava. Montezano foi processado e condenado por arrombar os portões do condomínio, para comemorar seu aniversário de 35 anos, em 2016,

O elemento não tem perfil nem experiência para cumprir a principal missão do BNDES, que é a retomada da economia. Por isso, a escolha de seu nome foi de uma irresponsabilidade atroz. E ninguém sabia a quem culpar.

De início, dizia-se que tinha sido convidado por  Paulo Guedes. Especulou-se também que teria sido indicado por Sami Mattar, que é secretário de Desestatização e, portanto, chefe de Montezano.

Mas a verdade mesmo é que ele foi escolhido pelos filhos de Bolsonaro, pois ele é amigo íntimo de Eduardo, o Zero Três, que estava na festa do arromba e convenceu a polícia a não interromper a tumultuada comemoração.

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P.S.
É preciso que algum ministro mais próximo diga a Bolsonaro que tudo tem limites. O BNDES não pode ser entregue a um executivo cujo feito mais importante do currículo foi a destruição do portão do condomínio onde morava com um amigo, ao forçar a entrada para dar prosseguimento à comemoração de seu 35º aniversário, por volta das três horas da madrugada.  (C.N.)

19 thoughts on “Escolha de Montezano para o BNDES é a pior notícia que poderia ser dada ao Brasil

  1. “…estava na festa do arromba e convenceu a polícia a não interromper a tumultuada comemoração.” Para os amigos tudo, para os inimigos a lei, interpretada da pior e mais cruel maneira possível. Assim caminha a hipocrisia no Brasil, de mal a pior, às vezes o sistema podre muda as moscas mas a merda é sempre a mesma.

  2. Se o cara arromba portões, também deve ser capaz de arrombar a caixa preta do BNDES.

    Só assim os cidadãos vão ficar sabendo os nomes dos marajás daquele cabidão que lucraram com os empréstimos fajutos.

  3. Se abrir a caixa preta do BNDES conforme quer nosso presidente, retiro o garoto e bato palmas. Vamos aguardar que tenha a valentia dos jovens e coloque para o país o que a petralhada e o PMDB fizeram com o país. Se abrir, Molusco mofa na cadeia.

  4. Qual raposa velha teria coragem de fazer o serviço de assepsia que o BNDES precisa? A maioria iria se comportar como Levy.

    Inchado
    O novo presidente do BNDES, Gustavo Montezano, terá pela frente a quase obrigatória redução do quadro de pessoal, que está dimensionado para uma situação que não mais existe. O BNDES tem hoje 2,6 mil funcionários e emprestava entre R$ 150 bilhões a R$ 180 bilhões. Só que, nos últimos três anos, isso caiu para R$ 70 bilhões por ano. E Montezano também deverá acelerar a venda de ativos: quando aceitou o convite de Paulo Guedes se comprometeu a executar esse programa.

  5. Um sujeito; que nem tem carteira de motorista, pilotando um avião gigante. Vai ser desastre na certa. E este tal de Bolsonaro não tem gabarito nenhum para ser presidente nem a mínima autoridade para controlar os filhos que não soube criar, além de ser controlado por um imbecil cuja maior referencia é ser rico e imbecil e que abandonou o Brasil para morar na Virgínia.

  6. O filho 03 dispensou os “canas” na base da carteirada mas o processo seguiu em frente e Montezano teve que pagar indenização ao condomínio via acordo judicial. Pela idade e falta de experiência nem com o melhor currículo da praça & seminarista! Mais perda de tempo para o Brasil e mais desgaste para esse desgoverno que terá que indicar outro logo logo!

  7. O que pode se esperar de um presidente despreparado, já confessou que não nasceu para ser presidente e um ministro da economia também despreparado, ambos só pensão naquilo: privatização.
    Para maioria das nomeações feitas por esse governo, não importa o conhecimento do setor, basta ser privativista.
    Por falta de conhecimento desse governo do que é uma nação, está em jogo o futuro do país

  8. APENAS UMA PARTE DO QUE JÁ SE CONHECE QUANDO FOR ABERTA A CAIXA PRETA DO BNDES

    1. O governo empenhava-se em garantir financiamentos generosos para um grupo seleto, de pouco mais de 1.000 empresas do país, cujo faturamento passava dos R$ 300 milhões. Sozinhas, estas empresas – que representam 0,00002% das empresas do país – ficaram com 67% de todo o financiamento concedido pelo BNDES. O custo? R$ 1 trilhão em subsídios totais.
    Na prática, cada um dos 85 milhões de brasileiros atingidos por algum programa social, recebeu ao longo do mesmo período uma média de R$ 437 por ano em benefícios.

    Pequeno detalhe: cada um destes 85 milhões de brasileiros paga mensalmente 53,9% da sua renda em impostos para subsidiar o outro grupo.
    2. 80% do lucro gerado pelo programa ficou com os bancos privados
    .
    Com boa parte dos recursos do banco tendo origem no caixa do governo federal, por meio de emissão de dívida pública, o BNDES ainda encontrou um problema para repassá-lo às empresas: o banco não possui agências e sua capacidade de distribuir os recursos é limitada.

    Foi aí que grandes bancos privados entraram em cena. Do total de recursos liberados, cerca de 91% se deu através das chamadas operações indiretas. Em outras palavras, o BNDES pegava dinheiro com o governo, repassava-o aos bancos privados e estes realizavam as operações finais.
    Todo o risco da operação, realizada com juros menores do que a inflação no período, ficava com o próprio BNDES, enquanto o custo real de captação do dinheiro ficava com o governo. Na parte dos lucros, porém, a coisa mudava de figura.
    Apenas no PSI, o Programa de Sustentação do Investimento, que liberou R$ 359 bilhões entre 2008 e 2015, os bancos privados lucraram R$ 8 bilhões, contra R$ 2 bilhões do banco público.
    Em inúmeros casos, a taxa de juros praticada pelo banco chegou a ser de 0%, contra 1,5% nos empréstimos de maior risco (valor que se somaria aos 5,5% que o banco era obrigado a pagar ao governo pelo empréstimo dos recursos).

    Na prática, o governo criou não apenas um “Bolsa-Empresário”, mas também um “Bolsa-Banqueiro”, com lucros altos e risco zero.

    3. As obras realizadas pela Odebrecht no exterior geraram um prejuízo de R$ 1 bilhão por ano aos trabalhadores.

    O porto de Mariel, em Cuba, tornou-se a grande estrela das críticas feitas ao financiamento do BNDES a obras no exterior. Trata-se não apenas de apoio a uma ditadura com sérios problemas de violação dos direitos humanos, mas também uma das operações mais privilegiadas já realizadas pelo sistema financeiro mundial.

    Para emprestar os recursos à Odebrecht, que construiria o porto, tivemos de aceitar como garantia de pagamento por parte do governo cubano a renda obtida pelo país em exportação de tabaco, além de garantir que os juros se manteriam rigorosamente abaixo dos praticados mundialmente em operações do tipo e atrelar o valor da operação ao peso cubano, e não ao dólar, como seria o padrão. Como estas, outras 3.000 obras foram realizadas com dinheiro brasileiro, sendo 85% delas feitas pela empreiteira Odebrecht.

    Ao contrário das obras realizadas localmente, o banco utilizou recursos do FAT, o Fundo de Amparo ao Trabalhador, para financiar as obras. Ao todo R$ 55 bilhões tiveram este destino.
    Graças à diferença entre os juros praticados lá e a inflação aqui, os trabalhadores brasileiros tiveram um prejuízo de R$ 11 bilhões com as operações, ou cerca de R$ 1 bilhão por ano.

    Com cerca de 35 milhões de contas ativas no FAT, ligado ao FGTS, o prejuízo médio de cada trabalhador chegou aos R$ 314, apenas com obras como a linha 4 do metrô de Caracas na Venezuela, hidrelétricas na Nicarágua, estradas em Angola e inúmeras outras.

    4. As quatro empresas que mais receberam dinheiro do banco no período estão no centro da Lava Jato.

    Com a prisão do ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine, a JBS torna-se hoje a única entre as quatro maiores beneficiárias pelo banco a não ter seu presidente ou ex-presidente preso. Eike Batista, que cumpre prisão domiciliar, e Marcelo Odebrecht, condenado a mais de 19 anos de prisão, concluem a lista.

    Dentre todas as empresas, nenhuma recebeu tantos recursos quanto a estatal. Foram cerca de R$ 35 bilhões para financiar o ousado plano de investimentos da companhia, em especial obras em refinarias como Abreu e Lima e o pré-sal, além da construção de sondas pela empresa Sete Brasil, formada por um consórcio de fundos de pensão e bancos privados como BTG, Santander e Bradesco.

    Segundo se sabe hoje, pelas investigações da força tarefa da operação Lava Jato, foi nestas obras que ocorreram a maior parte dos crimes contra a Petrobras, cujos protagonistas foram as maiores empreiteiras do país.

    A maior delas, a Odebrecht, beneficiou-se não apenas indiretamente, como também diretamente ao obter linhas de financiamentos para negócios tão distintos quanto a produção de cana-de-açúcar e etanol e submarinos nucleares. De fato, a Odebrecht – assim como a EBX de Eike Batista – tornou-se uma especialista em tudo.

    Onde quer que houvesse uma oportunidade de conseguir um financiamento público e prestar um serviço ao governo, lá estava a empreiteira.

    Das empresas de Eike financiadas pelo BNDES, a Eneva, de energia, e a Prumo, de logística, mudaram de mãos, sendo vendidas para controladores estrangeiros, como o nome já deixa claro (perderam o famoso X colocado pelo empresário nas empresas originais).

    O mesmo destino aguarda boa parte do império construído pela família Batista na JBS. Hoje, da empresa de iogurtes à empresa de celulose, quase tudo está à venda.

    5. 90% dos recursos do banco são direcionados a empresas que geram 16% dos empregos do país.

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