Escolha de pastor para o MEC tenta agradar Centrão e minorar crise com STF

Pastor Milton Ribeiro no MEC: a vitória da bancada evangélica ...

Ribeiro é “tremendamente evangélico” e enfrentará resistências

Deu no Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro nomeou Milton Ribeiro, pastor da Igreja Presbiteriana em Santos (SP), como novo ministro da Educação. O nome do evangélico foi publicado no Diário Oficial da União na tarde de ontem. Pressionado para escolher uma pessoa que agradasse a ideológicos, militares e evangélicos, o chefe do Executivo optou por um perfil conservador e moderado. Até a decisão, porém, a pasta ficou 22 dias sem um titular. Milton Ribeiro é o quarto ministro à frente do MEC em um ano e sete meses de governo Bolsonaro.

“Indiquei o professor Milton Ribeiro para ser o titular do Ministério da Educação. Doutor em Educação pela USP, mestre em direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e graduado em direito e teologia”, publicou Bolsonaro nas redes sociais. Em maio de 2019, Ribeiro havia sido nomeado pelo mandatário para a Comissão de Ética Pública da Presidência.

DOIS PADRINHOS – A escolha dele para o MEC teve forte influência do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Jorge Oliveira, auxiliar de confiança do chefe do Planalto, e também do ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça.

Com a nomeação de Ribeiro, Bolsonaro cumpre um dos principais objetivos do Palácio do Planalto ao retirar Abraham Weintraub da pasta, no mês passado: o de amenizar o conflito do Executivo com o Supremo Tribunal Federal (STF).

O novo titular do MEC tem ótimo trânsito na Corte, sobretudo com o ministro Alexandre de Moraes, relator dos inquéritos no tribunal que mais preocupam o presidente — o que investiga a produção de notícias falsas e ofensas contra o Supremo e o que apura a realização de protestos antidemocráticos no país.

SEM RESISTÊNCIA – Com o nome de Ribeiro, Bolsonaro deve evitar novos desgastes. O pastor é visto pelos olavistas como “terrivelmente evangélico” e, por mais que não seja o candidato preferido dos fardados, não encontrou resistência por parte da ala militar. Além disso, a escolha do presidente faz com que ele tenha ainda mais apoio do Centrão no Congresso: Ribeiro teve o aval de Gilberto Kassab, presidente do PSD.

A nomeação de Milton Ribeiro dividiu a opinião de representantes de instituições relacionadas à educação. O diretor de estratégia política do Todos pela Educação, João Marcelo Borges, reiterou ser importante que o novo ministro estabeleça uma ponte de comunicação mais efetiva com estados e municípios. “Ele chega, ainda, com outros desafios, que é o de mostrar que possui respaldo político para a função, porque todo esse período sem um gestor provocou uma espécie de leilão público para o MEC”, disse.

CONSELHO TERRAPLANISTA – Borges afirmou que Ribeiro chegará à pasta já tendo de prestar explicações sobre a lista de indicados ao Conselho Nacional da Educação (CNE), publicada ontem no DOU, que é formada essencialmente por nomes ligados a Olavo de Carvalho, à ala evangélica e a setores privados da Educação.

Entre os 11 novos nomes, não há nenhum representante do Conselho de Secretários Estaduais de Educação (Consed) e da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).

“A lista foi publicada, inicialmente, sem o consentimento dele. Ele não participou da escolha. É estranho, pois, se Bolsonaro escolheria o ministro da Educação ontem (sexta-feira), por que ele indicou horas antes os novos nomes ao CNE com essa composição?”, questionou.

UM NOME FRÁGIL – “De um lado, a publicação da lista antes da posse parece já fragilizar Ribeiro. O CNE é um órgão de assessoramento da Educação. Causa estranheza que a escolha tenha sido feita na ausência do ministro.”

A União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) desejou “que a nova gestão do Ministério da Educação, no comando de Milton Ribeiro, venha ao encontro dos anseios de estados e municípios, e que priorize o diálogo e a transparência”.

Por sua vez, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) frisou que este é um momento desafiador em consequência da pandemia da covid-19, e toda a atenção será necessária para que a retomada segura das atividades acadêmicas presenciais. “Esperamos ter com o novo ministro um diálogo propositivo em prol da educação superior de qualidade no país”, destacou.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria é contraditória, porque é uma exagero dizer que a nomeação apazigua a crise com o Supremo e agrada ao Centrão. Trata-se de um ultraconservador, que vai encontrar muita resistência do corpo técnico do MEC. Podem aguardar. (C.N.)

14 thoughts on “Escolha de pastor para o MEC tenta agradar Centrão e minorar crise com STF

    • Luiz, faltou na tua lista os judeus ultraortodoxos que não admitem, sequer, publicada num jornal da seita/ordem, a imagem da Hillary Clinton numa reunião da presidencia do Obama.

  1. As amarras para facilitar a governança de quem oprime, jamais levará em conta o prejuízo dos oprimidos.
    Optando por pastotes, sujeitos com uma tendência à submissão rasteira, de “Amélia”, fica bem mais fácil para o opressor reproduzir, através de um igual seu, as desgraças arquitetadas contra a população.
    Nesse esquema, também se enquadra o padrão Mercosul, das placas veiculares: combinações alfanuméricas, algarismos intercalados a letras, e vice-versa. O momento de um acidente é marcado por alta tensão; tanto para os circurstantes, e bem mais para os envolvidos diretamente (quando sobrevivem). Num país que ainda detém um número de semi e analfabetos considerável, assim como uma comunidade da terceira idade crescente, anotar ou memorizar a placa de um veículo, naquele instante, tornar-se-á mais difícil.

  2. Exatamente, caro CN. Concordo com o seu comentário!

    Não sei se pesquisou algo sobre ele. Gostaria de ver um comentário seu aqui na TI mais longo ou um artigo depois e de outros tribunários.

    Ontem assisti a um vídeo que ele mesmo disse que o que pensa “poderia chocar algumas mães”.

    Simplesmente esse ministro é adepto do castigo físico, da dor para educar crianças(!) fora que deve ainda o machismo.

    Com certeza uma espécie de Damares de calças.

    Abs.
    Mountain Lion

  3. Pra calar os recalcados Bolsonaro deveria colocar o presidiário de garanhuns no ministério da educação , dilmanta no ministério da fazenda ..witzel na saúde , boulos no ministério das cidades etc …

    Né colunistas da tribuna , vocês ficariam em estase quase sexual com Bolsonaro , não é não ?

  4. Por gentileza comentaristas, observem o bigode – nada contra quem usa, claro! – mas o formato e o estilo do ministro?! remetem a forte lembrança. Riremos, riremos muito, e não vai demorar.

  5. Se eu fosse o ministro da educação recém nomeado e tivesse que aceitar como funcionários um grupo orientado por olavo de carvalho, pediria demissão IMEDIATAMENTE ! Esse terraplanista idiota devia ter nascido morto. É, sem a menor dúvida, o mais jumento de todos os habitantes do planeta.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *