Escrevi sobre o discurso de Aécio Neves, ficando 6 horas e 35 minutos dominado pelos holofotes. Era a estreia dele, foi um sucesso. Deixei bem claro, “não é elogio”. Dezenas de comentaristas escreveram me condenando.

Helio Fernandes

Tenho vontade de responder com aquilo que criei há mais de 20 anos, e que o Jaguar identificou como gargalhada gráfica. Ha!Ha!Ha! Todos os que tentaram ontem abrir o seu próprio espaço, mesmo “lendo o que escrevi, usando óculos bifocais com as lentes invertidas”, não entenderam nem queriam mesmo entender alguma coisa.

Não disse em nenhum momento que Aécio seria presidente da República. Mas é evidente que depois de presidente da Câmara, governador eleito e reeleito, agora senador, está na vida pública para quê a não ser presidente?

Além de tudo isso, Aécio é Neves, não por obrigação hereditária, e sim por escolha, pessoal e intransferível. Ele devia ser Aécio Cunha, mas blandiciosamente, que palavra, considerou que Neves era herança política e eleitoral mais forte do que Cunha, se apossou dela.

Quem escreve, aparece, comparece ou desaparece neste blogue, devia ter mais cuidado com a própria opinião. Ou com a vontade premeditada de me desmentir, perdão, desmentir a si mesmo. Gostando ou não gostando de Aécio NEVES (?), é imprescindível resguardar os fatos.

Em relação ao que escrevi sobre a sua estreia, posso voltar a afirmar e reafirmar: A estreia de Aécio foi sucesso total, não me lembro de nenhuma outra igual a essa. Toda planejada e executada para conseguir o que conseguiu, virou “notícia total”. Interna (dentro do PSDB) e externa, (debatendo com a base), não apenas nas 6 horas e 35 minutos da tribuna, mas a consequente repercussão.

Agora, como pessoas supostamente equilibradas, sensatas, gostando ou não gostando de Aécio, examinemos os fatos, o cenário político e eleitoral do país (apesar do tempo que falta), a colocação do cidadão Aécio Neves (?) dentro desse quadro. Dele e dos outros.

Em nenhum momento afirmei que Aécio será candidato a presidente, fosse em que data fosse. Mas falando em sucessão, citei (apenas como fato e não como análise) 2014 e 2018. E sem que seja necessária uma palavra minha, o nome de Aécio surge naturalmente. Por que isso?

Aécio Neves (?) fez 51 anos no último dia 10 de março. Portanto, nesse quadro que tem personagens que estão aí há 20 anos, por que esquecer o ex-governador?  Em março de 2014 (data de desincompatibilização para alguns), ele estará completando 54 anos. Em 2018 (só para citar as datas), terá completado 58 anos. Como esquecê-lo?

O discurso-lançamento de Aécio teve como objetivo mobilizar o PSDB e não ameaçar o PT-e-a-base-de-apoio. Ele sabe muito bem, que dentro de um quadro normal e com alterações apenas normais, sendo candidato (se fosse), enfrentará em desvantagem Dilma ou Lula.

Isso é irrefutável, indiscutível, uma base quase intransponível. Seu problema é com o PSDB, que como vem acontecendo há anos (digamos a partir de 2002) tem os mesmos candidatos, Serra e Alckmin. Nenhum dos dois convidado, Serra sem constrangimento, Alckmin não queria aumentar a repercussão para o ex-governador de Minas.

Serra apareceu, provando o que tenho comentado aqui, diversas vezes, a partir do que ele falou, no dia mesmo da derrota, na proclamação de Dona Dilma: “Isto não é um adeus, é um até logo”. Era tão óbvio, que tirei conclusões e transformei isso numa “plataforma-advertência” de Serra.

E só tenho motivos para confirmar, com minhas fontes e até a dos outros. Jorge Bastos Moreno, na sua ótima coluna, sem mentir ou inventar, contou ontem a seguinte conversa entre Dona Dilma e Kassab, num encontro que ninguém noticiou, jornais, televisões, sites, internetes, foram “furados” por um colunista semanal. Que se fosse diário, seria invencível e insuportável, até para os personagens.

Repetindo o diálogo Dilma-Kassab, como foi contado pelo jornalista. Ele: “Presidente, se o Serra for candidato a prefeito ou governador, não posso deixar de apoiá-lo”. Ela: “E para presidente?”. Ele: “Aí terá que ser internado, estará louco”.

Deixando as fontes de Moreno e recorrendo às minhas. Amigos do ex-prefeito e governador afirmam perguntando: “Serra, você não pode ser presidenciável pela terceira vez, e aos 72 anos, é temerário”.

Serra, sem dúvida ou constrangimento: “Serei presidente na terceira candidatura, perdi apenas duas vezes, com o povo mostrando que desejava que eu fosse presidente”. Parou, continuou: “Lula Perdeu três vezes, ganhou na quarta. Quanto aos 72 anos, é amanhã, estou em forma física, política e eleitoral melhor do que todos os outros”. Acabou a conversa.

É mais do que lógico e visibilíssimo, que Serra não abandonará o Maracanã de suas ambições. Não suportará ir para casa, viver o resto da vida isolado pelo silêncio do ostracismo. E como todos sabem que adora dormir de dia e ficar acordado durante a noite, quem poderá acompanhá-lo?

Como Serra é matreiro, esperto (embora se julgue inteligente, nada a ver), poderá usar um GPS, para em plena campanha eleitoral, mudar o rumo e ficar em São Paulo mesmo. Apoiando Alckmin para presidente. No acordo, seria novamente governador, nenhum desprestigio ou demérito, afinal São Paulo é o segundo cargo da República, lógico, também o segundo orçamento.

***

PS – Com toda antecedência, é facílimo afirmar que Serra não apoiará um mineiro contra um paulista. Por isso e pelos interesses pessoais, não apoiará Aécio, haja o que houver.

PS2 – Não é arriscado nada do que está dito aqui. Não existe preferência por nenhum nome, embora dificilmente Dona Dilma e Lula deixem de ser favoritos.

PS3 – Ela por direito de conquista e ratificado pela pergunta que fez a Kassab sobre Serra. Na ordem natural das coisas e pelo direito à reeeleição.

PS4 – Até agora, Dona Dilma está no mesmo patamar da entrada no Planalto-Alvorada. E assim mesmo, ainda não fez nada, mas também não se desgastou. Depois do primeiro ano é que se confere o bilhete da loteria imaginária mas existente. A cotação de Dilma começa a valer a partir do substituto de Mantega.

PS5 – Lula estará presente em tudo, 2014 e 2018. “Nunca, em toda a História, houve um presidente como ele”. Essa tão retumbada popularidade está mantida no freezer do futuro?

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