Espadachim do absurdo, Bolsonaro desafia os médicos e a ciência, em nome da cloroquina

Diagnosticado com Covid-19, Bolsonaro publica vídeo tomando cloroquina

Bolsonaro é uma espécie de garoto-propaganda da clooroquina

Pedro do Coutto

O Globo e a Folha de São Paulo manchetaram suas edições de hoje destacando a atitude desafiadora do presidente Bolsonaro ao anunciar que havia contraído o coronavírus e que decidiu recorrer a cloroquina, droga não aceita pelos médicos ouvidos pelo assunto, que alertaram inclusive para os efeitos colaterais. Mas o presidente da República foi em frente e chegou ao ponto de minimizar a pandemia que, no Brasil, já contaminou mais de 1 milhão e 600 mil pessoas das quais cerca de 67 mil morreram.

A percentagem é a melhor prova da gravidade da virose, que, aliás, se tornou um trágico fenômeno mundial. A matéria de O Globo não está assinada. A da FSP por Ricardo Della Coletta, Gustavo Uribe e Daniel Carvalho.

EXCENTRICIDADE – Na minha opinião Bolsonaro tem um impulso que o leva a excentricidade característica de personalidades que sentem prazer em inverter o óbvio ululante de Nelson Rodrigues. Antes do Covid 19, Bolsonaro também assumiu atitudes que levam a perplexidade, como nos casos, por exemplo da escolha de Weintraub para o Ministério da Educação e depois em relação a sua indicação para o Banco Mundial. Há uma série de outros exemplos que considero desnecessário citar tão múltiplos eles são.

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RELATOR CONFUNDE LIBERDADE E ANONIMAT0

Reportagem de Paola Soprana, edição de hoje da Folha, inclui uma entrevista de David Kaye, relator na ONU, à manifestação brasileira sobre a matéria. A representação do Brasil é aquela que atua em Genebra, dirigida à ONU visando à proliferação também das fake news. David Kaye, na minha opinião, enfocou mal o debate. Não se trata, como ele sustenta, de um avanço contra a privacidade das mensagens e contra a liberdade de expressão. Trata-se, isso sim de combater o rechaçar o anonimato. Ninguém de bom senso pode se opor à liberdade de expressão, mas pessoa alguma pode também defender o anonimato, tese básica de Kaye.

Mesmo porque, como é o caso brasileiro, e acredito que de todos os países democráticos, a lei garante o direito de resposta. A lei prevê igualmente o direito dos ofendidos a processar os autores das ofensas por injúria, calúnia e difamação.

USO ILEGAL – Dentre as questões legais, os poderes públicos podem também processar os autores que usam a internet para pregar a desordem, pedofilia, exploração sexual, e a colocação de sombras que envolvem o sadismo e o masoquismo. David Kaye, para mim, encontra-se mal informado, assumindo uma posição negativa e, ao mesmo tempo, singularmente excêntrica.

No caso dos robôs, incluindo as fake news, os pensadores eletrônicos têm dono e responsável humano pelo seu trabalho falso, portanto, desumano.

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DESONERAÇÃO FISCAL PARA EMPRESAS                

Marcelo Corrêa e Geralda Doca, O Globo desta quarta-feira, focalizam as reações ao veto de Jair Bolsonaro à prorrogação de desonerações fiscais.

Rodrigo Maia defende que a equipe econômica de Paulo Guedes apresente uma proposta capaz de conciliar as posições em choque.

A emenda apresentada pelo Legislativo tem como objetivo evitar novas demissões no mercado de trabalho. Entre as empresas beneficiadas pela desoneração encontram-se os setores da construção civil e a indústria automobilística, de comunicações no qual, penso eu se incluem os jornais, emissoras de rádio e televisão.

DESONERAR A FOLHA – A senadora Simone Tebet disse que o Ministro Guedes quer desonerar a folha somente dentro da reforma tributária. Nessa reforma, por exemplo as empresas deixariam de contribuir para o INSS com base de 20% sobre as folhas de salário e passariam a pagar sobre o faturamento, numa escala entre 1 a 4%.

Para mim, se tal mudança for transformada em lei, no dia seguinte explodiria a Previdência Social em nosso país.

6 thoughts on “Espadachim do absurdo, Bolsonaro desafia os médicos e a ciência, em nome da cloroquina

    • Perai, ele foi convidado a se retirar qdo era Tenente. Ao passar para a reserva ganhou o posto de Capitão. O exército logo cedo percebeu suas limitações, para dizer o mínimo.

      • Há um erro aí, Ronaldo.
        Bolsonaro já era capitão quando se rebelou contra os salários dos militares em pleno regime militar. Não ganhou promoção alguma.

        Abs.

        CN

  1. Sapo de Toga boa noite.
    É isto que me intriga e muito; dei aula em um curso preparatório para escolas militares e escola técnica.
    Posso te garantir que quem passa para o Colégio Naval ou Escola Preparatória de Cadetes do Ar, são suprassumos em inteligência, determinação, resiliência e outras qualidades como abdicação de diversões próprias para a idade deles. São dedicados ao objetivo eles e família.
    Não consigo entender como o “tosco” passou para uma dessas escolas.
    PS: Desculpem meu péssimo português.

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