Espanha e Holanda, ttica vai decidir a copa

Pedro do Coutto

Tenha a impresso que o desfecho da Copa 2010 serdecidido pelo melhor desempenho ttico das selees espanhola e holandesa. Esta minha viso, inclusive, foi reforada com base no que li na coluna de Tosto na Folha de So Paulo de sexta feira, ontem, e tambm com base nas entrevistas dos treinadores Vicent Del Bosque e Bert Van Marwizk, igualmente publicadas no Caderno de Esportes daquele jornal.

A matria sobre as declaraes de Marwizk est assinada por Fbio Zanini. A que reproduz a opinio de Del Bosque de autoria da equipe da FSP na frica do Sul. As entrevistas ocorreram em clima civilizado, especialmente a do espanhol, sempre muito elegante na comunicao com a imprensa. Da a simpatia maior em torno de si que o seu selecionado alcanou na opinio pblica mundial. Muito importante este aspecto. Forma uma corrente positiva, que se torna tambm aditiva. Mas esta outra questo.

Pelo que vi jogar das selees da Espanha e Holanda, acho que Del Bosque vai manter amanh em Joanesburgo o mesmo estilo que marcou a vitria incontestvel sobre a Alemanha. Dois comportamentos: um quando a equipe estiver com a bola; outro quando a bola se encontrar nos ps dos adversrios. Os dois extremos avanam e abrem espao no ataque, recuam quando se tornam necessrias aes defensivas. Por isso, o meio campo estar sempre bastante ocupado. Dificilmente poder haver acentuada desenvoltura por ali, da mesma forma que lanamentos de larga distncia. Os dois lados vo atuar base da marcao na sada da bola e troca de passes curtos, em sua maioria.

Como a Espanha, na mdia global, apresenta mais acentuadas aes ofensivas, deve partir dela a iniciativa do combate. O carrossel verso 2010 provavelmente abre algum espaopara iniciar a marcao e, no contra-ataque, tentar os caminhos que levam ao gol. Alis, como se diz que todos os caminhos levam a Roma, todas as estradas do futebol conduzem inevitavelmente ao gol adversrio. No novidade, ao contrrio, uma frase que o conselheiro Accio, personagem eterno dos fatos feitos, assinaria.

O problema, assim, a forma de movimentar o processo. Melhor dizendo: os processos, j que cada seleo amanh ter o seu. Para ns, brasileiros, a simpatia maior pende para a Espanha, at porque perdemos h poucos dias para a Holanda. No placar. Na realidade, perdemos para ns mesmos. Quando Felipe Melo, como lembrou Tosto hoje, pisa um atleta holands cado, o que podemos dizer? Nada. Nunca aplaudi (e olha que acompanho futebol desde o Fla-Flu da Lagoa de 1941) qualquer jogador expulso de campo. Tal atitude termina sempre revertendo em favor do adversrio, alm de, em muitos casos, colocar sob risco a integridade fsica de um colega de profisso.

Falei da ttica, da tcnica, mas no falei ainda da arte. Falo agora. O time espanhol, sob este ponto de vista, mais criativo, improvisa mais, mais bonito de ver. Por isso, creio que, em matria de arte, leva a melhor. Porm no se pode de modo algum subestimar a aplicao mais intensa da laranja mecnica. H movimentos oblquos e cruzados da esquerda para a direita, que se tornaram, at esta vspera de deciso, instrumentos muito poderosos. Craques dos dois lados, como Davi Villa e Xavi, e Sneijder e Renner, vo percorrer os enigmas das trilhas criadas no campo. Uma delas levar vitria. Ns, brasileiros, vamos aplaudir a deciso, seja qual for. Nossa meta est em 2014.

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