Especialistas avaliam as opções para “marcha da insensatez” definida por FHC

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Charge do Zope (Arquivo Google)

Simone Kafruni
Correio Braziliense

Com as pesquisas de intenção de votos antecipando um cenário de polarização que deveria ocorrer apenas no segundo turno, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso divulgou uma carta aos eleitores, na qual alerta para a necessidade de os candidatos que não se aliam às visões radicais de esquerda e direita — representadas por Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) — juntarem forças a fim de deter o que chamou de “marcha da insensatez”. Para os especialistas, a radicalização, alimentada pela recessão econômica e pela crise institucional, é reflexo do desgaste do PSDB, partido do ex-presidente, da fragmentação das candidaturas de centro e do antipetismo.

Uma saída, na opinião dos analistas, seria aglutinar forças em uma terceira via: um postulante menos indigesto do que os dois extremos. Mas a avaliação é de que dificilmente algum candidato desistirá de concorrer para apoiar outro.

TUCANO EM BAIXA – Para o cientista político Cristiano Noronha, vice-presidente da Arko Advice, a repercussão negativa do apoio do centrão ao PSDB e o desgaste da legenda, após o envolvimento de Aécio Neves com a JBS, a prisão de Beto Richa, ex-governador do Paraná, e busca e apreensão contra o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, desidrataram a candidatura tucana. “A declaração de FHC sobre uma aliança com o PT também criou dificuldade”.

Marcus Vinícius Macedo Pessanha, especialista em direito constitucional e cientista político, pontuou que o antipetismo é maciço e fortaleceu a candidatura de Bolsonaro. “Depois que Lula se retirou formalmente da disputa, o crescimento do Haddad fez os candidatos de centro perderem votos. Eleitores de centro-direita começaram a correr para Bolsonaro”, analisou. O medo do adversário antecipou o segundo turno, segundo ele. “O voto ideológico é no primeiro turno. Mas, com a polarização alimentada pelas crises econômica e institucional, o eleitor pulou de fase e partiu para o voto útil”, disse.

DOIS EXTREMOS – Na percepção do professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) Geraldo Tadeu Monteiro, os dois extremos se alimentam. “A candidatura de Bolsonaro vinha estagnada. Com o atentado, criou uma pequena bolha e subiu dois pontos. Depois que o PT definiu Haddad e a primeira pesquisa mostrou o crescimento vertiginoso do petista, como reação, o representante da extrema direita também subiu. Há um efeito de retroalimentação que esvaziou o centro”, assinalou.

O especialista lembrou, no entanto, que os extremos têm, em média, 30% das intenções de voto, segundo as pesquisas mais recentes. À direita, com Bolsonaro, e à esquerda, com a soma de Haddad e de Ciro Gomes (PDT). O quadro mostra ainda entre 21% e 22% de nulos, brancos e indecisos, avaliou. “Os 20% de centro, que tradicionalmente definem uma eleição, estão órfãos de uma candidatura. Mas a soma deles com os indecisos, nulos e brancos poderia tornar um terceiro caminho viável”.

FRAGMENTAÇÃO – Monteiro destacou que o dilema do eleitor de centro é que, como estão pulverizados em candidaturas fragmentadas, a migração teria que ser praticamente integral. “Chegamos a um impasse. Esse é o sentido da mensagem de FHC. Se nada for feito agora, ficaremos prisioneiros de um dos extremos”, disse. Nenhum dos especialistas acredita na desistência de candidaturas de centro para formação de uma coalizão contra os extremos.

“O apelo de FHC é muito rarefeito. A força da intenção de voto está refratária à razão. Os eleitores votam com raiva e com medo dos opositores. O que o ex-presidente fez foi mostrar sua posição contrária à extrema direita”, avaliou Pessanha. “Acho pouco provável que os atores políticos tenham esse desprendimento, porque um rearranjo é complicado neste momento da eleição. O que precisa ocorrer é um movimento dos eleitores”, sentenciou Monteiro.

4 thoughts on “Especialistas avaliam as opções para “marcha da insensatez” definida por FHC

    • O interessante Acme e classifirem o PT como extrema esquerda,coisa que nunca foi .Polarizaçao de extremos se daria entre PSTU e o PSL.O PT e hoje um partido de centro direita ,sao as praticas politicas que definem posiçoes ideologicas.

  1. Do site O Antagonista:

    “O editorialista do Estadão está furioso com o eleitorado.

    Ele diz:

    “Cada um à sua maneira, o bolsonarismo e o lulopetismo consolidaram-se na campanha presidencial como estridentes manifestações de hostilidade à democracia e às instituições que garantem seu funcionamento. Esses movimentos nada têm a ver com a saudável e necessária crítica ao sistema, que deve ser feita regularmente em sociedades abertas; o que está em curso é uma ofensiva desenfreada para desmoralizar as instituições democráticas, como se estas só existissem e funcionassem para favorecer os inimigos políticos, estando, portanto, em estado de permanente suspeição. A história está repleta de exemplos do dano que tal visão irresponsável das coisas da vida é capaz de provocar.”

    O eleitorado vinha repetindo há quatro anos que queria votar num nome novo – e os partidos de centro resolveram oferecer-lhe Geraldo Alckmin.

    A democracia não pode prescindir dos eleitores.”

    https://www.oantagonista.com/brasil/democracia-sem-eleitores/

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