Espumas em profusão

Carlos Chagas

Amanhã, depoimento de Carlinhos Cachoeira na CPI do próprio, caso não tenha sido adiado sob o argumento de que não vai falar nada. Na quarta-feira, instalação solene da Comissão da Verdade, capaz de começar a trabalhar no dia seguinte estabelecendo normas para o seu funcionamento. Ainda na quinta, comparecimento de Demóstenes Torres na CPI, além de decisões fundamentais a respeito das dezenas de requerimentos já feitos por seus integrantes.

À primeira vista, uma semana para ninguém botar defeito, em termos explosivos. Certo? Mais ou menos. Pode ser muito colarinho e pouco chope. Porque em termos concretos, a Polícia Federal já apurou quase tudo o que a CPI precisa apurar. Ninguém duvida da existência da quadrilha do bicheiro e de suas ramificações nos meios políticos, empresariais e governamentais. Identificados estão os praticantes de malfeitos grandes e pequenos. Como a CPI não julga, muito menos pune, ficará tudo na mesma, até que o vagaroso Poder Judiciário se pronuncie.

Quanto à Comissão da Verdade, também é por aí, com a diferença de que a Justiça está proibida de punir torturadores e assassinos, beneficiados pela Lei da Anistia. Há muito seus nomes são conhecidos através da farta literatura editada a respeito dos anos de chumbo. Chamados a depor, negarão qualquer culpa, podendo seus crimes no máximo constar de relatórios preparados pelos sete membros do grupo ao longo dos próximos dois anos. Em suma, espumas em profusão.

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O CACHOEIRA E AS GOIABAS

É conhecida mas merece ser recontada a história do Zezinho e do Juquinha, dois peraltas acostumados a pular o muro do quintal de dona Mariquinhas para roubar goiabas. Dispunham os dois meninos de uma defesa prévia sempre que prestes a ser acusados do roubo das frutas: “Foram os comunistas…”

O tempo passou, os comunistas também, Juquinha e Zezinho cresceram, mas outros pimpolhos ainda invadem o quintal da velha senhora, só que agora com outra argumentação: “Foi o Cachoeira…”

O meliante está recebendo o que merece, mesmo ficando no ar a indagação: “Só ele?”

No universo de corrupção que nos assola, existem bandidos muito mais eficazes do que o Cachoeira. Assim como empreiteiras bem mais espertas do que a Delta Engenharia. E parlamentares capazes de receber não apenas geladeiras e fogões de presente de casamento, como Demóstenes Torres, mas fazendas, mansões, ações de empresas, milhões de dólares e capacidade para indicar altos funcionários e até ministros. Estão todos felizes, porque, afinal, “foi o Cachoeira”…

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