Esquema da Lava Jato acabará envolvendo Dirceu e Genoino

Desenrolar das investigações vai apanhar os mensaleiros

Carlos Newton

Os jornais, sem assunto, anunciam que o procurador-geral da República Rodrigo Janot só vai pedir aberturas de inquéritos e oferecer denúncias sobre políticos envolvidos na Operação Lava Jato em fevereiro de 2015, o que é o óbvio, pois desde antes do Natal o Poder Judiciário está em recesso, em sua prática de funcionar o mínimo possível.

No último dia 17, o procurador Janot enviou a delação premiada do doleiro Alberto Youssef ao ministro Teori Zavascki, relator dos processos relativos à Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), que já a aprovou, o que significa sinal verde para os processos.

Os pedidos de abertura de inquérito e denúncias contra políticos terão como base as delações de Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, que firmaram acordo com o Ministério Público para revelar crimes e tentar reduzir o tamanho de sua eventual condenação pelo desvio de recursos da empresa. Mas ainda há diversas delações premiadas em curso e espera-se que outros envolvidos também se beneficiem desse instrumento legal, com novos depoimentos que complicarão ainda mais a situação dos políticos e autoridades que participaram do esquema de corrupção.

MUITO SUSPENSE

Como dizia o compositor Miguel Gustavo, o suspense é de matar o Hitchcock. Mas já houve um vazamento no sigilo judicial e o Estadão publicou que o ex-diretor Paulo Roberto Costa teria delatado 28 políticos, dos quais três já morreram – os ex-deputados José Janene e Sérgio Guerra e o ex-governador Eduardo Campos. Os 25 que restaram estão passando um final de ano desolador. Não existem esperanças de um próximo ano melhor do que este. Pelo contrário, o que eles veem é um futuro tenebroso e um encontro marcado com o fracasso.

Roseana Sarney, por exemplo, já conseguiu duas aposentadorias (como ex-parlamentar e ex-governadora) e vai morar no exterior, certamente em algum país com o qual o Brasil não tenha tratado de extradição de criminosos. Outros envolvidos também podem se evadir, como fez o mensaleiro petista Henrique Pizzolato, que atende pelo nome de Celso, identidade do irmão falecido usada por ele para fugir, mas já estava acostumado a fazê-lo, e Celso chegou até a exercer o direito de voto depois de morto, conforme todos sabem.

O mais importante, porém, é que os processos contra políticos estão apenas começando. Alguns mensaleiros que já ganharam a liberdade podem voltar para a cadeia, como José Dirceu (chefe da quadrilha) e José Genoino (então presidente do PT). No mensalão eles escaparam da formação de quadrilha, mas desta vez será muito mais difícil. Quanto a Lula e Dilma, tudo é possível, e podem também acabar envolvidos na teia que eles próprios teceram, no sonho impossível de o PT permanecer eternamente no Poder.

5 thoughts on “Esquema da Lava Jato acabará envolvendo Dirceu e Genoino

  1. Tanto o MENSALÃO quanto o PETROLÃO tinham o mesmo objetivo criminoso, ou seja, o assalto aos cofres públicos com objetivo da manutenção do poder político e enriquecimento de pessoas pertencentes ao esquema.

    Se no PETROLÃO já está mais do que configurada a FORMAÇÃO DE QUADRILHA e sendo ele a CONTINUAÇÃO DO MENSALÃO, vem à tona o erro do STF em absolver os delinquentes políticos do crime de FORMAÇÃO DE QUADRILHA, o que resultou em reduzir expressivamente suas penas, fazendo com que já estejam todos em casa e em plena atividade política e de gordos faturamentos com “consultorias”.

    Esses fatos mostram que não podemos deixar de acreditar na Justiça (a norte-americana, é claro…)

  2. Diga-se de passagem, Sergio Moro deu uma tacada de mestre nesse charivari todo, ao acusar os “não políticos” primeiro. Do contrário, o rolo todo já estaria nas mãos do STF, o foro privilegiado dos políticos, misturando alhos com bugalhos, como ocorreu no mensalão, quando veio tudo de uma vez só e acabou dando no que deu, com pouca pena para muito crime.

    Isso sem contar que o nosso supremo agora está mais “aparelhado” que nunca.

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