Esquema de Eike para receber dinheiro subsidiado do BNDES não tinha garantias

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Carlos Newton

Desde o início da Lava Jato, o empresário Eike Batista sabia que seria apanhado, era só questão de tempo. Bem assessorado juridicamente pelo escritório de Sérgio Bermudes (o maior e mais importante do Rio de Janeiro, com 84 advogados e consultores, que têm apoio de 90 estagiários), ninguém se preparou tanto para enfrentar a força-tarefa do que o criador do grupo X. Justamente por isso, Eike foi o único envolvido na corrupção a procurar espontaneamente a força-tarefa para prestar depoimento.

O criador do grupo X se apressou a dar depoimento em maio de 2016, na tentativa de justificar os contratos de construção das plataformas P-67 e P-70, vencidos pelo Consórcio Integra Offshore (formado pela Mendes Júnior e a OSX Construção Naval), num negócio de US$ 922 milhões, fechado com a Petrobras em 2012, no primeiro governo Dilma Rousseff.

HOUVE PROPINA – Um dos delatores da Lava Jato, Eduardo Musa, trabalhou para Eike. Ele tinha sido gerente da Petrobras na área responsável pelo contrato (Diretoria Internacional) e depois virou diretor da OSX,  justamente na época do negócio. Ao depor, Musa disse que houve propina paga por Eike – ou seja, dedurou o ex-patrão.

Espertamente, Eike logo se colocou à disposição da Lava Jato e viajou a Curitiba para ser ouvido pelos procuradores Roberson Pozzobon e Julio Motta Noronha. No depoimento, confirmou que recebeu um pedido do então ministro Guido Mantega e então depositou R$ 5 milhões na conta offshore da Golden Rock Foundation, indicada por Mônica Moura, mulher e sócia do marqueteiro João Santana, que trabalhou na eleição de Dilma. Mas Eike negou se tratar de propina, era apenas uma “colaboração”, vejam quanta desfaçatez.

PRESTANDO SERVIÇOS – Para amaciar os procuradores da Lava Jato, no depoimento Eike passou uma informação importante, ao sugerir que investigassem as garantias dos financiamentos concedidos pelo BNDES.

Você bota o que quiser (como garantia), uma fazenda que não vale nada, o cara avalia por um trilhão de dólares, é fácil, né?” – revelou, vangloriando-se de ter dado bens pessoais para garantir os empréstimos que conseguira no banco estatal, no valor de R$ 10,4 bilhões, dos quais só conseguira sacar R$ 6 bilhões, porque suas empresas entraram em parafuso e o crédito do grupo X teve de ser cortado.

Que negócio é esse? O dinheiro do BNDES deve ser investido, então a minha crítica, sinceramente, olhe para os outros que não deram seus avais pessoais, que é aí que está a grande sacanagem”, advertiu Eike, que fez essa denúncia para impressionar os procuradores, por  saber que a força-tarefa não conseguiria investigar as operações do BNDES, porque passaram a ser sigilosas desde o início da gestão de Guido Mantega na presidência do banco, em novembro de 2004.

COUTINHO MENTIU NA CPI – O BNDES se tornara impenetrável. Dos US$ 11,9 bilhões emprestados para obras de empreiteiras no exterior, US$ 8,3 bilhões foram concedidos a juros inferiores a 5% ao ano, negócio de pai para filho. O presidente Luciano Coutinho compareceu várias vezes ao Congresso e se recusou a dar informações, alegando a Lei do Sigilo Bancário. Chegou a dizer, numa CPI, que os US$ 682 milhões para o Porto de Mariel, em Cuba, tinham aval da Odebrecht. Era mentira, não havia garantias, foi um empréstimo a fundo perdido, que não é permitido pelas regras do BNDES e será pago pelo programa Mais Médicos, no decorrer deste século.

Se estivéssemos num país minimamente sério, Coutinho teria sido imediatamente algemado, porque a legislação citada determina o contrário – toda operação financeira com recursos públicos não pode ser sigilosa. Mas nenhum deputado ou senador se deu ao trabalho de ler a Lei do Sigilo Bancário, e assim Coutinho ficou à vontade para alegar o que bem entendesse.

EIKE SEM GARANTIAS – No caso de Eike, ele jamais deu garantias reais ao BNDES, salvo nas operações intermediadas por bancos privados, mas não vale citar o BTG, que estava no esquema de corrupção do PT, nem o Votorantim, que atualmente é apenas codinome do Banco do Brasil.

O pior é que, no governo de Michel Temer, o BNDES continua alegando descaradamente que, por “uma questão de sigilo bancário”, não pode especificar os nomes das empresas contratantes, as garantias oferecidas, o volume amortizado e os empreendimentos financiados com seus recursos. Nada mudou em matéria de transparência.

Portanto, ao alegar que colocou seu patrimônio pessoal como garantia, Eike passou a concorrer ao troféu Piada do Ano. Na verdade. ofereceu apenas suas ações, mas o tal grupo X era composto de “empresas de papel”, sem ativos e patrimônio real. Com a queda das cotações, as ações passaram a não valer mais nada. E essa é a “garantia” que hoje o BNDES alega ter.

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PS
Ao falar de BNDES, é preciso fazer uma ressalva e louvar a administração de Carlos Lessa e Darc Costa. A transparência nas operações era absoluta e o banco enviava releases à imprensa explicitando os detalhes dos financiamentos – juros, carências, prazos e… garantias. Foi a melhor gestão da história do BNDES e ajudou o governo Lula a levar o PIB a crescer espantosos 7,5% num só ano. Mas quem se interessa? Quanto a Luciano Coutinho, ele é alvo das investigações da Lava Jato no Rio, Curitiba e Brasília. Não perde por esperar.  (C.N.)

13 thoughts on “Esquema de Eike para receber dinheiro subsidiado do BNDES não tinha garantias

  1. E a atual administração vai continuar como a caixa preta. ?

    Estranho…

    Márcio Schiefler Fontes pediu para deixar suas funções depois que os juízes auxiliares do gabinete de Teori concluíram, na última sexta-feira (27), as audiências em que ouviram os 77 executivos e ex-executivos da empreiteira Odebrecht que fizeram acordo de delação premiada. Na última segunda (30), a ministra Cármen Lúcia homologou as delações.

    Fontes vai retornar para Santa Catarina. A saída do juiz auxiliar é uma baixa para a Lava Jato no STF. Ele é considerado o “arquivo” da operação no gabinete do ministro Teori Zavascki porque acompanhou todo o caso ao lado do ministro desde 2014.

  2. Eis aí, na nota da redação, o ponto crucial do fim do projeto do PT. Ao invés de priorizar o país, mantendo Carlos Lessa no comando do BNDES, economista que ousou contrariar os bancos, ao emprestar diretamente as empresas, sem a intermediação da rede bancária, desnecessária por sinal, que LULA jogou sua carreira no lixo da história.

    Preferiu atender ao médico Antonio Palloci, que exigiu a demissão de Lessa. A mística de homem de visão, pragmático, apesar de pouca cultura veio por água baixo. Os sucessores de Lessa não foram bons gestores, pois como se lê na matéria, nem as garantias legais eram exigidas às empresas amigas e as empreiteiras, principalmente a Odebrecht, a rainha de todas elas. Triste Brasil.

    Outro erro de Lula, foi arrancar apoio para as votações do governo no Congresso, através, das pequenas legendas, num jogo dúbio do varejo político, que originou no Mensalão.

    Entretanto, o maior erro de Lula, sem sombra de dúvidas foi apostar na burocrata Dilma, aquela que construiu a fama de gestora competente e dura, para sucedê-lo em 2010. Pois bem, a mãe do PAC não foi capaz de tocar o governo e além do mais rompeu acordo com LULA, impedindo-o de voltar em 2014. A mosca azul pousou em sua consciência dizendo que tinha direito aos oito anos no Planalto. Se tivesse saído em 2014 teria entrado para a história, mas, pensar nunca foi o forte dessa gente, que traiu a confiança do povo.

    Perderam uma espetacular oportunidade de fazerem a diferença e agora são obrigados a engolir o antigo aliado, o PMDB, tomar o governo deles e expor seus erros desde 2002.

    Baseado nos erros monumentais de Lula e do PT, o Planalto já anuncia uma ampla parceria com o PSDB de Fernando Henrique, com a nomeação de um tucano para o lugar de Gedel Vieira Lima, baiano como o antecessor. Os pensadores do PMDB olham com luva de pelica para a eleição presidencial de 2018. O PT não tem a mínima chance, mesmo que o candidato seja Lula da Silva, que perdeu a capacidade de empolgar as massas. Um raio não cai mais de uma vez na cabeça coroada de ninguém.

  3. Quando existe povo, as cobranças e a transparência aparece.
    O grande trabalho a realizar é o de acordar a sociedade.
    É preciso que os roubados defendam seu patrimônio.
    Nas mãos dos ladrões e de seus auxiliares , tudo continuará no mesmo.
    É preciso cobrar de Temer a aberura deste “caixão de defunto”.
    Fallavena

  4. Tadinho do Eike, a “vítima” dos políticos malvados…..kkkkkk

    Tá dormindo numa cela de 15 metros quadrados!!
    Será que ele dorme direito nesse calor???

    Vamos fazer uma vaquinha pra comprar um ventilador pra ele….kkkkkkkkkkk

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