Estados Unidos mantém a pressão na ONU para transformar a Síria numa nova Líbia

Carlos Newton

A alta comissária para Direitos Humanos da ONU, a tâmil Navi Pillay, faz o jogo dos Estados Unidos e pressiona para que haja uma invasão da Síria, a pretexto de conter a violência contra civis. Mesmo sem ter ido à Síria, Pillay diz que é provável terem ocorrido crimes contra a Humanidade, com “sistemáticas violações de direitos humanos”. É provável? Ou ocorreram? Ela não tem certeza.

Mesmo assim, em discurso na Assembleia Geral da ONU, Pallay seguiu fazendo ilações e disse que o veto de Rússia e China no Conselho de Segurança encorajou o governo sírio a manter a violência contra civis. Ela acusou o governo sírio de usar hospitais como prisões e centros de tortura.

A alta comissária apresentou ainda números para respaldar sua afirmação, com base na investigação de “uma equipe independente”: mais de 18 mil prisões arbitrárias, 25 mil pessoas abandonaram o país, 70 mil refugiados internos, além de milhares de desaparecidos. E salientou que o Alto Comissariado da ONU (leia-se, ela própria) acredita que pelo menos 5.400 pessoas já morreram nas mãos das forças de segurança.

Enquanto Navi Pallay discursava na ONU, em Washington o governo dos Estados Unidos, em campanha pela reeleição, prometia fazer tudo para isolar o líder sírio Assad. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, classificou como inaceitáveis os bombardeios em Homs.

– É lamentável que o regime tenha intensificado a violência em cidades de todo o país, incluindo o uso de artilharia e os disparos de tanques contra civis inocentes – disse Hillary, sem lembrar que os Estados Unidos procederam exatamente assim no Iraque e, mais recentemente, na Líbia.

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RÚSSIA VETARÁ INTERVENÇÃO

O chanceler russo, Sergei Lavrov, disse estar estudando o plano de paz da Liga Árabe. O órgão propõe uma ação conjunta com a ONU, com envio de tropas, e o diálogo com a oposição ao presidente Bashar al-Assad.

— Deve haver um diálogo político compreensivo que satisfaça o povo sírio — disse Lavrov, lembrando que só apoiará a resolução com o consentimento de Damasco.

Segundo Lavrov, Moscou está estudando a proposta conjunta da ONU e da Liga Árabe, mas precisa de mais detalhes sobre o plano. O chanceler fez mais um apelo por um cessar-fogo de ambas as partes, tanto dos opositores quanto do regime.

— Em primeiro lugar, para deslocar uma força de paz, é necessária a autorização da parte que a receberá. Em segundo, para poder enviar uma missão para manutenção da paz, tem que haver paz. Ou seja, é preciso um cessar-fogo — disse Lavrov, lembrando que uma trégua seria muito difícil, já que a oposição “não obedece a ninguém”.

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