Estão chutando o nosso traseiro

Carlos Chagas

Em termos da Lei da Copa está o governo Dilma Rousseff pendurado no pincel, sem escada. Obriga-se a presidente a sancionar o texto a ser em breve aprovado no Congresso, quase todo de acordo com as imposições da Fifa. Vetos não são previstos, apesar de possíveis, por razão muito simples: foi tudo aprovado pelo Lula, quando no poder, depois de explosões de euforia pela escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo de Futebol.

Naquela manhã festiva, na Suíça, nenhum assessor lembrou-se de alertar o presidente da República para as exigências descabidas constantes do protocolo por ele assinado.

Agora, salvo milagre, bebidas alcóolicas estão liberadas nos estádios: uísque nas áreas VIPS, cerveja para a plebe discriminada, com o agravante de que apenas uma marca poderá ser comprada nas arquibancadas, por coincidência aquela que patrocina a entidade internacional.

Da mesma forma, nas ruas e avenidas que demandam os estádios, os estabelecimentos comerciais ficam proibidos de expor em suas vitrinas e de fazer propaganda de produtos concorrentes aos apresentados pelos patrocinadores da Copa. Não só de bebidas, mas de material esportivo e até de alimentos.

Tem mais: o governo brasileiro compromete-se a rasgar a Constituição e a proibir greves e paralisações nas capitais onde se realizarão os jogos, desconsiderando o inalienável direito do trabalhador. A meia entrada estará proibida para os estudantes, assim como o tesouro nacional compromete-se a indenizar eventuais prejuízos causados às bilheterias da Fifa, até por fenômenos da natureza.

Estamos ou não sendo chutados no traseiro? A Fifa sabe muito bem que os estádios em obras ficarão prontos até o início do certame, constituindo-se em balão de ensaio as críticas a respeito do atraso. A pressão se faz, mesmo, para a aprovação pelo Congresso das regras draconianas em péssimo momento aceitas pelo Lula. Como depois dos deputados, cabe aos senadores pronunciar-se, e à presidente Dilma sancionar ou vetar a lei, convém aguardar…

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CARTAS NA MESA

O vice-presidente Michel Temer não está brincando quando apóia o manifesto dos deputados do PMDB, protestando contra o tratamento preferencial que o governo dá ao PT, na máquina pública.

Também não brinca ao confirmar que Gabriel Chalita vai até o fim como candidato do partido à prefeitura de São Paulo, afastando a hipótese do apoio a Fernando Haddad, do PT. Como o governo precisa tanto ou mais do PMDB do que o PMDB do governo, vale aguardar os próximos lances, mas erra quem supuser rompimento entre eles. Só resultados inusitados das eleições municipais de outubro poderão alterar o atual equilíbrio.

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RUSSOMANO INSISTE

O ex-deputado Celso Russomano insiste em que continua candidato a prefeito e festeja a pesquisa mais recente, quando permanece em segundo lugar, perdendo apenas para José Serra. Consultado por um lider do PT se não poderia aceitar a candidatura a vice-prefeito na chapa de Fernando Haddad, devolveu a proposta: que tal o ex-ministro da Educação vir a ser o seu vice?

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TIRIRICA E O POVO

De bobo ele não tem nada. Fala-se do Tiririca, que acaba de responder à indagação sobre sua candidatura, dizendo depender ela do povo. Do povo e do PR, que se não receber de volta o ministério dos Transportes poderá lançar o deputado. De quem ele tomaria votos? Não será de José Serra…

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