Estatais só devem ser vendidas a empresas de capital nacional

Reprodução da internet, sem assinatura

Flávio José Bortolotto

Sempre que o Estado se mete a produzir diretamente bens e serviços, jamais consegue ser tão eficiente quanto a iniciativa privada com matriz no Brasil. Quando a produção de bens e serviços é feita pela iniciativa privada com matriz no exterior, a eficiência geralmente é maior ainda, mas a maioria dos frutos vai para a matriz que é no exterior e não tem o menor interesse em desenvolver a estratégica tecnologia nacional.

Uma empresa estatal, mesmo com os defeitos apontados por todos, desenvolve tecnologia nacional, enquanto a multinacional, com matriz no exterior, nunca o faz.

A meu ver, para fortalecer a economia brasileira, é preciso adotar medidas para beneficiar nossas empresas, de acordo com a seguinte ordem de prioridade:

1- empresas privadas com matriz no país.

2- empresas estatais com matriz no país, mesmo com os problemas apontados por todos.

3- empresas privadas/estatais com matriz no exterior (multinacionais ).

IMPORTÂNCIA DO ESTADO

O Estado pode não ser eficiente na produção direta de bens e serviços, Mas é absolutamente fundamental para incentivar toda a economia. Não existe exemplo de economia próspera e sólida sem um estado forte que alicerce tudo.

País sem indústria, e especialmente indústria de ponta, é país pobre. O Brasil, até a Segunda Guerra Mundial, era um país de economia essencialmente agrária manual. Cerca de  75% da população morando no campo, e cerca de 75% de analfabetos. A partir de 1930, com o grande Governo Vargas, começou um grande esforço de desenvolvimento do do país (alfabetização, eletrificação, mecanização da agricultura, instalação da indústria de base (siderurgia/petróleo/petroquímica etc.), indústria de substituição de importações e indústria de ponta.

No começo, foi inevitável a instalação de muitas empresas estatais, pois não havia empreendedores e capitais privados em quantidade suficiente. Era isso, ou nos mantermos na agricultura manual.

ACOMODAMENTO

Houve certo acomodamento, com proteção excessiva de nosso mercado interno e sem transferência do controle de empresas estatais para a iniciativa privada com matriz no Brasil. Ao mesmo tempo, permitiu-se em nossa economia a excessiva entrada de empresas privadas com matriz no exterior. Das 500 maiores corporações do mundo, 400 estão no Brasil.

Agora, temos que ir consertando nossos “erros”, mas sempre com o cuidado sempre de não jogar fora o bebê, junto com a água do banho. Quanto à venda de estatais, só se for para empresas com matriz no Brasil.

16 thoughts on “Estatais só devem ser vendidas a empresas de capital nacional

  1. Comenta-se muito a necessidade de privatização da Petrobras. Se vendermos para uma empresa de capital nacional, que garantia teremos que ela não será revendida para uma empresa estrangeira? Que garantia teremos que essa empresa de capital nacional não será “laranja” de uma empresa estrangeira? A Petrobras é uma empresa que sempre deu lucro, com exceção do período petista ocasião em que ela foi estuprada. Além disso, o governo de plantão sempre usou e abusou da Petrobras politicamente para os mais diversos motivos. A Petrobras não pode ser privatizada pois ela é importante para a política energética do Brasil. O que Petrobras precisa é de uma administração qualificada e independente voltada para os nossos interesses.

    • É por aí Dutra Neto.
      Tudo se torna profundamente dúbio nessa areia movediça das leis e um patrimônio energético, tecnológico e agro-industrial do porte da Petrobrás NÃO PODE estar sujeito às “variações de humor” dos legisladores e seus interpretes de forma que possa vir a ser privatizada, sem que essa possibilidade possa comprometer os INTOCÁVEIS interesses maiores da nação e de nossa segurança nacional,. . .

  2. A PETROBRAS sempre foi e sempre será orgulho de todos os brasileiros. O grande problema é que a empresa vem sendo vítima de ações criminosas dos governos do PT e de seu aliado, até minutos atrás, o PMDB. Desvios bilionários de recursos e compras superfaturadas orquestradas por políticos e operadas por Presidentes e Diretores “escolhidos a dedo”, provavelmente o dedo médio, colocaram a PB na atual situação. Apesar da queda do preço do barril de petróleo, a empresa continua detentora de grande patrimônio e alvo de cobiça de outras companhias estrangeiras.
    Extirpando esta quadrilha e retomando os investimentos em refinarias e complexos petroquímicos nacionais, sem desvios de recursos, a PB voltará à sua posição de destaque no cenário mundial, para orgulho de todos os brasileiros honestos e patriotas.

  3. O petróleo nunca foi nosso.
    Pagamos o mais alto preço por 1 L de gasolina só comparando aqui, na América do Sul.
    Isto é uma falácia.
    Se a Petrobras fosse nossa eles não teriam acabado com ela.
    É na verdade um cabide de empregos, repleto de ratos que vão sendo substituídos a medida que muda o governante.
    Esta retórica alimenta a corrupção. Quanto maior o tamanho do Estado mais altos são os impostos e maior a corrupção .
    Estamos cansados dessa ladainha.

    • ” O petróleo é nosso” é conversa de país subdesenvolvido ou de quem se interesse em que ele seja “nosso”
      para fazer as negociatas a que estamos assistindo. “Estamos cansados dessa ladainha”.

  4. Caro Bortolotto, sou 1000% alinhado com todas as considerações que levantou em seu artigo! O caminho é exatamente esse, mas . . . será que perguntaram para os “Americanos” (como diria um outro por aqui)?

    Na realidade não seria propriamente os “Americanos”, mas a elite SIONISTA promotora, junto da PLUTOCRACIA Transnacional, da Nova Ordem aqueles a quem deveríamos perguntar, pois que “os Americanos” são nesse “contexto” apenas o “braço armado” que excutas as decisões da política exterior de Israel!

    A “Globalização” (Nova Ordem Mundial), foi infinitamente denunciada desde sua criação, até mesmo por figuras expoentes da política e da economia americana e mundial, que, tal como declarou John Kenneth Galbraith em palavras textuais:

    “A Globalização não é um conceito sério, foi a forma que “nós americanos” encontramos para entrar na economia dos outros países”

    • Daí a explicação para toda a corrupção decorrente, . . . sempre que a plutocracia deseja obter o monopólio de algo, promove a necessária corrupção dos dirigentes das empresas visadas. Quando esses resistem ou são estatais, partem para a intimidação dos governantes (classe política), na qual sempre encontra ‘o caminho necessário’ para atender seus interesses!

      O Maçônico PSDB foi o oficializador desse processo, apesar dele já existir no PMDB historicamente, onde a presença dos maçons nas “lideranças” sempre foi flagrante (Sarney, Renan, Temer) e que foi a origem de onde os dissidentes maçôns FHC, José Serra e Álvaro Dias criaram o PSDB!

      Sabendo-se a Ordem da Maçonaria foi cooptada pelo então latente SIONISMO a mais de dois séculos e meio, fica fácil explicar porque nossos “políticos” sejam tão “dóceis e generosos” com os interesses do projeto de Globalização, . . . certamente porque s”ao cúmplices e parte integrante de condução do país a se “integrar” (entregar) para os “Senhores da Nova Ordem Mundial” . . .

  5. Complementando o encadeamento de idéias do sr. Bortolotto, em mais um excelente artigo, é preciso quebrar esta maldita hegemonia do pensamento esquerdista que insiste no dirigismo estatal da nossa economia, esse excesso de intervencionismo gestado por uma mentalidade tacanha que sufoca a iniciativa privada criando desequilíbrios na livre concorrência, pois, o dirigismo econômico cobre a iniciativa privada com os interesses políticos dos grupos dominantes que tende a beneficiar a criação de cartéis, monopólios e oligopólios de grupos empresariais que vão realimentar os grupos políticos, aqueles mesmos que manobram a máquina estatal para defender o interesse das grandes corporações cartelizadas.

    O Estado tem de ser fortemente contido no seu ímpeto de exceder na intervenção econômica, o que produz grandes distorções como a que estamos vendo no atual governo que direcionou 60% dos créditos subsidiados do BNDES a um número pequeno de grandes empresas e apenas 40% para as micro e pequenas empresas, quando, na realidade, esta estatística deveria ser, no mínimo, invertida, com a maior parte dos créditos subsidiados pelo BNDES fomentando àquelas empresas que sustentam às maiores empregadoras da economia – as micro e pequenas empresas.

    É, justamente, por termos um estado fortemente atuante na economia com excesso de intervencionismo que o Brasil está imerso na maior crise recessiva de sua história! As desonerações setoriais concedidas por Dilma e Mantega trouxeram profundo desequilíbrio para o setor público, além de fomentar as distorções da livre iniciativa e da saudável competição de mercado. No setor público, ano passado o déficit primário foi de R$114,0 bilhões. Exatamente o montante deixado de arrecadar coma as desonerações tributárias perpetradas pela “dupla dinâmica”.

    É preciso entender que a saúde da livre iniciativa depende de um governo que mantenha as políticas monetária, cambial, de renda e fiscal de maneira a mais isenta possível, a mais equilibrada possível, para não provocar distorções no mercado, no meio econômico. O desenvolvimento de uma indústria genuinamente nacional depende desse equilíbrio. E mais, do desenvolvimento de uma infraestrutura condizente com o tamanho do país. Do ensino e da pesquisa e, obviamente dos estímulos técnicos e financeiros para que isso exita.

    Cabe, também, a atuação do governo através de agências reguladoras, regular os monopólios naturais, como ocorre com o setor petroleiro e de energia.

    No mais, ao estado cabe ocupar apenas os espaços que o próprio mercado não ocupa e que é de interesse público, prestando serviços de utilidade pública.

    Tudo o que se quer de um estado democrático de direito é o equilíbrio das políticas públicas e a neutralidade e imparcialidade perante o mercado.

    Todo o restante o próprio mercado produz.

    • Caro Wagner, o que o Bortolotto disse foi exatamente ISSO que vc. reforçou, . . . mas, veja você como ficamos ‘apreensivos’ sempre que lidamos com ‘conceitos’!

      Sua complementação se faz certamente necessária pelo fato das DETURPAÇÕES semânticas decorrentes do entendimento que acabou se INSTALANDO ao conceito de “ESTADO FORTE”, quando originariamente esse conceito nada teria a ver com a ‘tendência’ de transmitir a ideia de intervencionismo econômico, mas sim e exclusivamente de ser necessariamente forte para GARANTIR as Leis de Mercado que interessam ao PROGRESSO DO PAÍS!
      Abrçs

  6. Caro Bortolotto suas opinioes sobre economia deveriam ser seguidas a risca por qualquer governo que pensa na grandeza do nosso País.
    A poupança popular deveria ser incentivada a participar, na minha opinião, das privatizações ja que queriam “largar os aneis”. Acho que ainda é tempo de incentivar a terceirização das estardas com um percentual grande da poupança popular. como exemplo 20% para os grandes grupos e 80% para os poupadores, Acredito que seria mais facil vender a participação de 80% do que a de 20%.Gostaria que o Bortolotto emitisse uma opinião sobre isso.

  7. Parabéns Bortolotto pelo excelente artigo. A verdade é que nenhuma multinacional
    vem para o Brasil montar um empresa com retorno do capital investido a longo
    prazo, como uma Petrobrás, uma Vale do Rio Doce etc, mas depois de pronta e dando
    Lucro, aí sim, as multinacionais se interessam em compra-la a preço de banana. Interessa
    mais a essas empresas com matriz em outros países montar empresas que deem retorno a curto prazo como laboratórios farmacêuticos, indústrias automobilísticas, de serviços etc.
    É triste saber que os diversos governos não incentivaram a indústria automobilística nacional, mesmo tendo oportunidade, ao contrário, ajudaram a sua eliminação como a FNM, a Gurgel e tantas outras.

  8. Desde priscas eras ouço a ladainha do tal patrimônio nacional que os gringos carcarás cobiçam mas o que realmente vi vejo e verei é o saque, pilhagem e roubo cínico dos nacionais e pior dos nacionalistas que se portam que nem mulher de malandro quanto mais apanha mais “gostcha” – Onde é o cavalo de batalha de todo partido mamar daí sou a favor de privatizar se o problema é a tal “soberania” tem o recurso da GOLDEN SHARE e olha aproveitem enquanto o petróleo ainda tem algum valor pois do jeito que anda: nos últimos anos a média de consumo foi 0,9% a mais, o barril do Bret esta por USD 38,00 depois vem o West Texas Intermediate(WTI) e o Opep Basket. O fetiche estatal é moeda de troca de qualquer governo para suas estrepolias imaginem o Obama telefonando para o líder da oposição e oferecendo a NASA para angariar apoio de votos.

  9. Em nossa Região, a Internet esteve desconectada quase um dia e meio. Só agora tive acesso.

    Prezado Sr. FRANCISCO DE ASSIS,
    A Poupança Popular, por ser o mais genuíno Capital Nacional, deve ter preferência e até subsídio para a compra de Ações de Empresas Estatais.

    Quero, embora atrasado, agradecer de coração a Todos os Comentaristas/Leitores que me honraram com Comentários/Leitura. Abrs.

  10. Caro Sr. Carlos Newton:
    Permita-me, por favor, que eu publique o texto abaixo, tenho certeza que o Sr.; e todos os leitores inteligentes deste blog, fruirão do excelente conteúdo. Muito obrigado. Portela.
    O socialismo clássico já foi rechaçado; o inimigo agora é outro

    O século XX testemunhou o surgimento, a expansão e o fim do mais trágico experimento da história humana: o socialismo. O experimento resultou em significativas perdas humanas, destruição de economias potencialmente ricas, e colossais desastres ecológicos. O experimento terminou, mas a devastação irá afetar as vidas e a saúde das futuras gerações.
    A real tragédia deste experimento é que Ludwig von Mises e seus seguidores — que estão entre as melhores mentes econômicas deste século — já haviam explicitado a verdade sobre o socialismo ainda em 1920, mas seus alertas foram ignorados. — Yuri Maltsev (1990).
    O socialismo está morto tanto como ideologia quanto como movimento político. Trata-se de um exemplo de um deus que fracassou.
    O socialismo é uma forma muito específica de opinião econômica. Um socialista acredita que o governo deve ser o proprietário dos meios de produção. É isso que o socialismo sempre significou: controle estatal dos meios de produção.
    Quando Ludwig von Mises refutou o socialismo em 1920, ele tinha em mente exatamente esse enfoque econômico.
    Eis o seu argumento comprovando que o socialismo é uma impossibilidade prática: se o governo detém todos os bens de capital (máquinas, ferramentas, instalações etc.) de uma economia, então não há um mercado para esses bens. Não havendo mercado para esses bens, não há uma correta formação de preços para eles. Sem preços, os planejadores não têm como estabelecer o valor dessas ferramentas. Consequentemente, não há como uma agência de planejamento central determinar quais são os custos de produção dos bens de consumo mais demandados. Com efeito, não há sequer como determinar quais os bens de consumo mais demandados. É necessário haver um livre mercado para que haja uma precificação dos bens de consumo e dos bens de capital. Em uma economia socialista, não há nenhum dos dois. Consequentemente, disse Mises, um planejamento econômico socialista é inerentemente irracional.
    Esse argumento de Mises foi ignorado pela vasta maioria dos socialistas, e nunca foi levado a sério pelos keynesianos.
    No entanto, quando a economia da União Soviética entrou em colapso no final da década de 1980, ficou claro pelo menos para Robert Heilbroner, professor de economia multimilionário e de esquerda, que Mises estava certo. Ele próprio admitiu isso em um artigo na revista The New Yorker intitulado “Após o Comunismo” (10 de setembro de 1990). Ele literalmente disse a frase: “Mises estava certo”.
    Ato contínuo, Heilbroner disse que os socialistas teriam de mudar de tática, parando de acusar o capitalismo de ineficiência e desperdício, e passar a acusá-lo de destruição ambiental. Consequentemente, deveriam ser criadas inúmeras burocracias, regulamentações e leis com a explícita intenção de subverter totalmente as características do capitalismo a ponto de fazer com que, segundo os próprios socialistas, o novo arranjo social gerado não possa de modo algum ser considerado capitalismo.
    Adicionalmente, Heilbroner disse que o socialismo era simplesmente uma ideologia morta.
    No momento, não há virtualmente ninguém fora da América Latina, da Coréia da Norte e do Zimbábue que abertamente argumente em favor do socialismo clássico. Coréia do Norte e Cuba oficialmente são economias comunistas. Como consequência, são assolados pela miséria. Suas economias não têm influência nenhuma no mundo. Ninguém mentalmente são utiliza esses países como modelo econômico. O Zimbábue é gerido por uma tribo marxista, e também ninguém quer imitá-lo.
    Theodore Dalrymple fez o seguinte, e preciso, comentário sobre o marxismo africano:
    Embora os marxistas costumassem alegar que as deficiências da União Soviética nada tinham a ver com o marxismo, o fato é que a humilhante dissolução de um regime que sempre afirmou ser marxista representou um profundo e fatal golpe para a ideologia.
    Conheci vários marxistas no norte da Nigéria. Eles eram jovens e confusos, mas acreditavam em uma explicação vagamente marxista para seu descontentamento. Eles não eram militantes, exceto mentalmente. Se houvesse uma manifestação, eles talvez se juntassem a ela, mas não matariam ninguém pela ideologia. Eles se contentavam meramente em proferir palavras.
    Com o colapso da União Soviética, surgiu um vácuo ideológico para aquelas pessoas que buscavam uma explicação total para seu descontentamento — pessoas que, graças à difusão cultural, eram provavelmente mais numerosas e estavam mais desesperadas do que nunca. A única alternativa disponível, e uma muito mais profunda do que o marxismo, era o islamismo fundamentalista. O islã prospera naqueles locais onde o marxismo não mais possui grande influência.
    O principal inimigo é outro
    Com o colapso do socialismo clássico ocorreu o fortalecimento dos social-democratas.
    Estes aceitam a existência de uma economia de mercado e também aceitam a propriedade privada sobre a maior parte dos meios de produção. Aceitam também que o mercado precifique grande parte dos bens de consumo de uma economia.
    Mas, assim como os socialistas, eles defendem políticas redistributivistas. Assim com os socialistas, eles defendem o confisco de uma fatia da renda dos indivíduos produtivos da sociedade e sua subsequente distribuição para os não-produtivos. Assim como os socialistas, eles acreditam que os burocratas do governo devem intervir no mercado e redistribuir riqueza. Eles não se importam se isso irá reduzir o crescimento econômico. Eles são motivados pela inveja. Eles estão dispostos a ver uma economia produzindo menos desde que isso satisfaça sua demanda por algo que seja semelhante a uma igualdade econômica.
    Mas há diferenças.
    Ao passo que, para os socialistas clássicos, o objetivo era a estatização dos meios de produção, a erradicação da classe capitalista, e a tomada de poder pelo proletariado, os social-democratas entenderam ser muito melhor um arranjo em que o estado mantém os capitalistas e uma truncada economia de mercado sob total controle, regulando, tributando, restringindo e submetendo todos os empreendedores às ordens do estado.
    O objetivo social-democrata não é necessariamente a “guerra de classes”, mas sim um tipo de “harmonia de classes”, na qual os capitalistas e o mercado são forçados a trabalhar arduamente para o bem da “sociedade” e do parasítico aparato estatal. Os social-democratas, muito mais espertos que os socialistas, entenderam que têm muito mais a ganhar caso permitam que os capitalistas continuem produzindo e gerando riquezas, ficando os social-democratas com a tarefa de confiscar uma fatia dessa riqueza e redistribuí-la para suas bases.
    Politicamente, os socialistas clássicos queriam uma ditadura do partido único, com todos os dissidentes sendo enviados para os gulags. Já os social-democratas preferem uma ditadura “branda” — aquilo que Herbert Marcuse, em outro contexto, rotulou de “tolerância repressiva” —, com um sistema bipartidário em que ambos os partidos concordam em relação a todas as questões fundamentais, discordando apenas polidamente acerca de detalhes triviais — “a carga tributária deve ser de 37% ou de 36,2%?”.
    E há características de atuação ainda mais nefastas.
    Ao mesmo tempo em que os social-democratas mantêm os pequenos empresários sob restritos controles e regulamentações, eles fornecem trânsito livre para os grandes empresários, os quais, em troca de propinas e doações de campanha, usufruem a liberdade de fazer conluio com políticos e burocratas e, com isso, auferirem grandes privilégios e favores. Políticos concedem a seus empresários favoritos uma ampla variedade de privilégios que seriam simplesmente inalcançáveis em um livre mercado. Os privilégios mais comuns são contratos privilegiados com o governo, restrições de importação, subsídios diretos, tarifas protecionistas, empréstimos subsidiados feitos por bancos estatais, e agências reguladoras criadas com o intuito de cartelizar o mercado e impedir a entrada de concorrentes estrangeiros.
    (E estamos aqui desconsiderando os privilégios ilegais, como as fraudes em licitações e o superfaturamento em prol de empreiteiras, cujas obras são pagas com dinheiro público).
    Em troca desses privilégios (legais e ilegais), os grandes empresários beneficiados lotam os cofres de políticos e burocratas com amplas doações de campanha e propinas.
    Ou seja, neste arranjo social-democrata, quem realmente arca com a fatura são os pequenos empresários e os assalariados que trabalham nessas pequenas empresas.
    Economicamente, os social-democratas são keynesianos. Mas é um grande erro dizer que o keynesianismo é socialista. O keynesianismo claramente não é socialista. O keynesianismo defende as características básicas do capitalismo. Sempre defendeu. O próprio Keynes poderia ser considerado um defensor do capitalismo. Ele acreditava que, para aditivar a economia, o estado deveria intervir no mercado aumentando seus gastos. Para isso, ele defendia que o estado ou criasse dinheiro do nada ou pegasse dinheiro emprestado dos capitalistas. Keynes queria que o estado saísse comprando bens e serviços para estimular a economia. Ele queria ver uma expansão do capitalismo, mas ele acreditava que os déficits orçamentários do governo e a inflação monetária do banco central seria a melhor maneira de restabelecer a produtividade econômica do capitalismo durante uma recessão.
    Na prática, o keynesianismo é uma política que beneficia grandes empresários. Sempre que o governo aumenta os gastos públicos e incorre em déficits orçamentários, ele aumenta os lucros de alguns empresários privilegiados (ou ineficientes) à custa dos pagadores de impostos.
    Por exemplo, se o governo disser que irá gastar mais com assistencialismo, os bancos irão financiar o déficit e os pagadores de impostos ficarão com os juros. Se o governo disser que irá gastar mais com saúde, além dos bancos, as empresas do ramo médico — desde as grandes fornecedoras de equipamentos caros aos mais simples vendedores de luvas de borracha — também irão lucrar mais.
    Quando o governo decide “estimular” a economia por meio de mais gastos, ele pode fazer duas coisas: ou ele pode contratar uma empresa privada para fazer alguma obra de infraestrutura, ou ele pode executar seus dispêndios por meio de alguma estatal, o que inevitavelmente também gerará toda uma série de lucros privados, não apenas em prol de seus empregados, mas também e principalmente em prol de empreiteiras, fornecedores, clientes etc.
    Conclusão
    Social-democratas são keynesianos e são defensores do estado assistencialista e do capitalismo de estado. Eles defendem regulação da economia, impostos sobre todo o setor produtivo e privilégios para grandes empresas. Isso custa caro em termos de impostos e regulamentações para os pequenos empresários.
    Eles querem dirigir o sistema capitalista da mesma maneira que os fascistas da década de 1930.
    Eles defendem que os meios de produção sejam propriedade privada, mas querem especificar aos proprietários o que eles podem e o que eles não podem fazer com seu capital. Eles querem dirigir a produtividade do capitalismo.
    Em troca disso, concedem favores e privilégios aos grandes empresários.
    Eles, a princípio, não defendem estatização dos meios de produção (isso é um fetiche marxista). Eles apenas querem ter o porrete para dirigir o sistema produtivo, mas não querem a responsabilidade por ter feito isso.
    Eles estão satisfeitos em ter um sistema corporativo produtivo o suficiente para beneficiar o governo com grandes receitas. Eles gostam dessa galinha dos ovos de ouro. Parasitas não querem matar seus hospedeiros.
    Já o socialismo é, por definição, uma filosofia econômica na qual o hospedeiro é morto. A esquerda atual é majoritariamente composta por parasitas, idealistas e bon vivants, e não por comunistas linha dura. A esquerda atual quer manter os ovos de ouro fluindo para seus cofres.
    O keynesianismo, a social-democracia e o conluio entre políticos keynesianos e grandes empresários são os inimigos atuais.
    ____________________________________________
    Murray N. Rothbard (1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.
    Gary North, ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história.

    • Excelente e INTERESSANTÍSSIMO artigo que postou como comentário Portela.
      Complementando-o dentro da observação da REALIDADE em curso, seria o caso de se AFIRMAR que:

      Esses “sociais-democratas” e os “keynesianos” são os inimigos sociais atuais devido terem se tornado “agentes” cúmplices de partilhas, para a patrimonialização dos BENS PÚBLICOS dos Estados Nacionais, que conduzem simultaneamente e diligentemente as atuais Estruturas de Estado, ao colapso institucional que tanto interessa ao Sionismo ESCRAVAGISTA através de seu exército de Maçons alçados aos cargos públicos, para a implantação da Nova Ordem Mundial.

      Com esse “adendo”, passa a se formar uma fotografia nítida “das forças condutoras” da política do país, onde se evidencia que o quadro seja formado pela associação tanto pelas “lideranças” que se autodenominam “marxistas”, como as “sociais-democratas” como os defensores do keynesianismo, ou seja: FHC+Serra+Alkimin+Aécio+Álvaro, que compõem a cúpula do PSDB maçônico, associada a Temer+Renan+Sarney, que compõem a cúpula do PMDB maçônico, associada a toda a infinidade de representantes marxistas que compõem o PT+PSol+PCdoB+PCB+PSB+. . . . com a única FINALIDADE de transformar a DEMOCRACIA, num ESTADO TOTALITÁRIO ESCRAVOCRATA, sob o comando do poder da concentração infinita do capital nas mãos de uma “ELITE” FASCISTA !

  11. Zaratrusta: Murray Rothbard foi aluno do Von Mises , grande economista, e escritor prolífico. Era americano e foi muito respeitado como excelente escritor. Saudações.

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