Estelionato universitário e os cursos sobre o “golpe” de 2016

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Charge do Marco Aurélio (Arquivo Google)

Percival Puggina

“Art. 171 do Código Penal – Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”.  A definição de estelionato serve como uma luva aos ardilosos cursos universitários de extensão que estão sendo organizados no ano eleitoral de 2018 e papagueiam sobre “O Golpe de 2016 e a Nova Onda Conservadora no Brasil”. Não ria que é sério. A moda começou na Universidade de Brasília e já repicou na UFRGS, no embalo de impróprias intenções e incompreensíveis justificativas.

A diretora do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), em matéria publicada no jornal Zero Hora de 2 de março, afirmou que “em resumo, a gente acha que foi golpe”.

AQUILO QUE “ACHAM” – Como os promotores do curso mandam no seu quadrado, farão um curso acadêmico sobre aquilo que “acham” (com dinheiro do contribuinte, claro, que ninguém dá aula de graça). Militância com contracheque, bem se vê, comprometida com a necessidade de enfrentar a “nova onda conservadora no Brasil”, inconveniente aos anseios “progressistas” dessa destapada militância acadêmica.

A narrativa que convém aos partidos de esquerda, aquilo que eles acham, ficaria adequadamente exposto em salinhas dos diretórios do PT, PSOL, PCdoB e PSTU. Jamais com prerrogativas de extensão acadêmica, numa universidade federal.  Todas as seis universidades que já anunciaram seus cursinhos para militantes são públicas. Por que será? Ao saber que o ministro da Educação solicitara a órgãos e instituições federais competentes que apurassem a responsabilidade administrativa dos promotores do curso, estes se insurgiram invocando “a autonomia universitária e a independência necessária para que a comunidade científica possa levar adiante o seu labor” (ainda no mesmo jornal).

TESES DIFERENTES? – Filosofando com os cotovelos, em português ruim até para o ENEM, um professor de História adicionou que “as universidades devem esse compromisso com a sociedade, que é converter em conhecimento as opiniões, as teses diferentes”. Diferentes, professor? Cadê a diferença, se o curso já traz a conclusão no título?

Trata-se, isto sim, de um esforço concentrado, em ano eleitoral, para transformar em “conhecimento” aquilo que os professores acham, reproduzindo o discurso de “golpe” e combatendo a “onda conservadora”. Tudo sem precisar mexer nos fundos partidários. Gleisi Hoffmann agradece a vantagem ilícita.

PLURALISMO? – Se alguém afirmar que esse tipo de ensino é o avesso do pluralismo inerente ao ambiente e ao espírito universitário, a resposta já vem colada na sola das havaianas que sustentam esse edifício retórico: “Quem acha que não foi golpe que crie seu curso”. Tal foi a manifestação de um parlamentar petista interrogado sobre o assunto em GaúchaZH de 01/03.

Está completa a analogia com o estelionato: 1) obtenção de vantagem política e organização de militância jovem; 2) induzindo alguém ao erro pela ocultação do vasto contraditório disponível; 3) mediante uso ardiloso de meios públicos (a universidade federal); 4) em prejuízo da maioria da população brasileira que compreende a necessidade de retomar valores morais, ditos conservadores, que se perderam na bruma do “progressismo”.

24 thoughts on “Estelionato universitário e os cursos sobre o “golpe” de 2016

  1. Lei estadual n. 7870 de 01 marco 2018, de autoria de Paulo Ramos (P$OL) garante à pipa o status de patrimônio cultural e histórico. Parabéns, pipa. Viva a pipa!

  2. Basta o novo presidente, e do jeito que vão as coisas, vai ser o Bolsonaro, mudar os reitores que foram, quase todos, eleitos no período petista. Depois, não reclamem do verde-oliva. Aliás, o Brasil só vai mudar, quando mudarmos as universidades federais que são antros da esquerda e dos professores folgados. Estão fazendo de tudo para jogar o Brasil na extrema-direita!

    • Se eleito, o que não é provável ele vai ter muito mais que quarenta deputados. Só, que o improvável pode acabar acontecendo. Tanto a esquerda arrota arrogância que o eleitor corre para a direita.

      • Se eleito e empossado, o Bolsa Decreta Intervenção Constitucional, soca um Estado de Sítio no furdunço e pronto! Acaba todo esse mimimi!

    • CUIDADO!
      Tem tem Verde Oliva, e “verde oliveira”

      “Documentos produzidos pelo Exército Brasileiro na década de 1980 mostram que os superiores de Bolsonaro o avaliaram como dono de uma “excessiva ambição em realizar-se financeira e economicamente”.
      Segundo o superior de Bolsonaro na época:

      “Bolsonaro tinha permanentemente a intenção de liderar os oficiais subalternos, no que foi sempre repelido, tanto em razão do tratamento agressivo dispensado a seus camaradas, como pela falta de lógica, racionalidade e equilíbrio na apresentação de seus argumentos”
      —Coronel Carlos Alfredo Pellegrino”

      • Ao que parece a previsão do coronel foi uma tremenda furada, pois de lá para cá quem foi que “realizou-se financeiramente sentado no poder?

  3. .
    Ninguém “acha”!
    É A VERDADE:
    .
    um, é O MAIOR LADRÃO DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE
    confirmado – TRÊS a ZERO !!! – pelo TRF-4;
    .
    a ‘outra’, entusiasta de MANDIOCAS (CRUAS?), ensacadora de VENTOSIDADES, “compradora” de sucatas (levando quanto?).

  4. Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.

    § 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 11, de 1996)

    § 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa científica e tecnológica. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 11, de 1996).

    A universidade não discute ou questiona sua existência, se esse for a ideia de ‘autonomia’. Ela sabe que existe. É um dado de sua existência. Portanto, ela não poderia um belo dia ‘dissolver-se’ alegando que sua autonomia permite a isso.

    Os dois parágrafos que se seguem ao caput são definidores do que seja autonomia:

    [1]. Admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da lei.
    [2]. E isso, por extensão, aplicar-se-ia a instituições de pesquisa, científica e tecnologia.
    [3]. Autonomia não é soberania: a universidade não pode tudo, ou liberdade absoluta.
    [4]. Autonomia não é valor: a menos que o ‘valor’ seja medido pelos dois parágrafos seguintes.
    [5[. Autonomia é também jurídica, mas relativa, posto que considerada dentro dos ditames da Lei (CF/88).

    Ela tem liberdade de pesquisa até sobre o ‘efeito-do-cocô-da-borboleta-nas-asas-de-um-avião-a-jato-a-1000-km-por-hora’, mas isso não é autonomia. Como ela pode pesquisar a ‘relação-didática-cultural-entre-Dilma-e-a-mandioca’. Estabelecido, claro, os parâmetros dos parágrafos 1 e 2.

    Escolas particulares darão o curso sobre o impeachment de Dilma? Não. Por que? Porque cu$ta e não são bestas. E a instituição pública? Sim. Não são bestas, mas tendem a ser perdulários com o dinheiro alheio.

    Por que? Porque não fazem conta do dinheiro que vem do cidadão e julgam que autonomia é para gastar à vontade.

    O que normalmente a universidade pública faz é confundir liberdade de pesquisa com autonomia

    • Eu não entendi seu comentário, e não usei ‘não entendi’ com desdém.

      O pronome demonstrativo “isso” se refere a ‘autonomia’ ou a ‘pesquisa’?

      Posso estar enganado, aceito a correção se estiver. Mas onde se diz que cursos obrigatórios para as universidades são definidos pelo MEC à luz da LDB? O termo ‘autonomia’ é usado na CF/88 com sentido específico (§ 1 e 2). A LDB é infraconstitucional e não se aplica ao caso específico da citação do Art. 207 da CF/88.

      Se a USP quiser contratar até o capeta, ela poderá faze-lo, administrativamente. É fato que Covas está lá, ou é uma ilação?

  5. A UERJ, por meio do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana (PPFH) e do Laboratório de Políticas Públicas (LPP), ofertarão a disciplina “O golpe de estado de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”.

    Segundo a coordenação do programa, “o intuito da disciplina é ampliar o debate sobre o golpe de 2016 e suas múltiplas consequências para a frágil democracia no Brasil”

    https://goo.gl/H4Utbb

    Isso se chama autonomia universitária.

    • Tá na hora de botar a esquerda na cadeia. Provoquem bastante e depois vão pedir auxílio ditadura. Estão fazendo de tudo para que haja uma revolução e ela vai acabar acontecendo. Depois, não reclamem das azeitonas com caroço.
      Autonomia universitária só existe quando existe maturidade o que não acontece nas universidades patrulhadas ideologicamente. Professores que não trabalham, reitores tendo que se suicidar para não ir para a cadeia o descalabro total. Este é o PT.

  6. Primeiro ato é liberdade para o abate de qualquer meliante armado, segundo extirpar a doutrina Paulo Freire da educação. A lista é grande mas é preciso começar na base do nascedouro de ratos.

  7. A pipa do vovô não sobe mais…
    A pipa do vovô não sobe mais..

    Agora como ela foi oficialmente “tombada” , agora é que não sobe mais, mesmo!

  8. O tema é tão ridículo que não vale a pena comentar.
    Quem assistirá tais cursos? Os mesmos de sempre.
    Quem conhece o que acontece nas universidades sabe: são sempre os mesmos fazendo para eles próprios. assim, resultado prático, nenhum.
    Gastarão dinheiro público como vem fazendo nas últimas décadas.
    Como mudar? simples. Acabem-se com eleições e qualifique-se as direções.

    Fallavena (ainda fora da sede).

  9. Se dependesse de mim, nem as universidades seriam estatais. Privatizava todas.
    No Japão as Humanas já foram privatizadas.

    Dinheiro público na educação só para o ensino básico.

  10. Virgílio, você tem toda a razão. Não perca mais tempo com esses caras. A Tribuna da Imprensa, desde que foi fundada pela maior expressão civil da extrema direita no Brasil, Carlos Lacerda,, em 27 de dezembro de 1949, sempre foi isso aí.

  11. O problema também, que envolve universidades é que elas vêm de uma época bastante diferente de hoje. Não têm mais tanta utilidade como antes, pois com as novas tecnologias (internet,etc), pode-se ter um aprendizado bastante melhor, com um custo infinitamente menor.
    Se nas universidades, principalmente as nossas, pelo menos fosse ensinado que estamos no século XXI (=21)….

  12. Por que as “pedaladas fiscais” não valeram em determinado momento e após o golpe valem? Por que presidentes não podem sofrer escutas, mas em determinado período valeu? Isso que as universidades fazem agora chama-se esclarecimento, fica e escuta quem quer.
    Diferente do crime realizado pela turma que julga

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