Estilos de Jânio Quadros e Bolsonaro se encontram e passam à história como prova de instabilidade

Bolsonaro revela a cada dia que não tem compromisso algum

Pedro do Coutto

No espaço que ocupa às quartas-feiras, no O Globo e na Folha de São Paulo, o jornalista Elio Gaspari focaliza com a sua lente as atitudes de Jair Bolsonaro que conduzem à instabilidade e ameaçam tanto a democracia quanto às instituições, deixando perplexos os eleitores e eleitoras do país, para falarmos do efeito voto e a opinião pública deslocada.

Gaspari alinha uma sequência de episódios nos quais ficou flagrante a reação habitual do presidente da República ao que se refere a companheiros seus de início da campanha e que foram sendo abatidos e excluídos passo a passo. Tal reação tem no fundo o objetivo de criar uma crise que leve o Brasil a mais uma ruptura de seu processo como nação atingida por uma vocação nitidamente autoritária, cujo projeto é ultrapassar a barreira entre a liberdade e a ditadura.

CONTRA APOIADORES – Na medida em que Gaspari descreve a aproximação seguida do distanciamento de companheiros da campanha, quando esta surgia como uma possibilidade ainda remota, lembro de Jânio Quadros que praticou atos, rompeu consigo mesmo e passou a afastar e a agredir exatamente aqueles  que melhor e mais intensamente o apoiaram na campanha que o levou ao Planalto.

Bolsonaro participou de manifestações no meio de apoiadores que propunham e propõem na Esplanada de Brasília o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. Isso não aconteceu só uma vez. Pelo contrário, repetiu-se em várias ocasiões. O comportamento de Jair Bolsonaro, marcado pelo destempero, visa diretamente a imprensa, pois não consegue projetar através dela uma imagem irreal de si mesmo.

Jânio Quadros tentou em 1961, com a renúncia, provocar uma manifestação gigante do povo como se ele fosse às ruas e praças exigir a sua permanência no poder. Bolsonaro não chega a um lance de dados desse risco. Mas tenta se aproximar da visão autoritária por etapas.  As rupturas do atual presidente com aqueles que em algum momento discordaram de suas atitudes coincidem com as reações de Jânio Quadros logo depois da posse em janeiro de 1961. Os seus maiores apoiadores foram, sem dúvida, o então deputado Carlos Lacerda e o jornal Estado de São Paulo, de Júlio Mesquita Filho.

SEM COMPROMISSO – Bolsonaro, em seus dois anos de governo, revela a cada dia que não tem compromisso algum com o cenário político, econômico e social de nosso país. Ele se elegeu para assegurar o compromisso democrático e banir a corrupção do mapa verde-amarelo, cores brasileiras.

Aconteceu exatamente o contrário: a democracia passou a viver sob ameaça e, quanto à corrupção, vemos agora nas reportagens de Leandro Prazeres e Mariana Muniz, no O Globo, e na de Vinicius Sassine, Folha de São Paulo, indícios de despesas adicionais no contrato que prevê a compra de vacinas da Índia. Os preços da referida vacina, segundo o Jornal Nacional da TV Globo, edição de terça-feira, são o praticamente o dobro das vacinas de outros fabricantes,

Nesse ponto, recorro ao título de Ian Fleming, autor do 007, “Os diamantes são eternos”. Como acentuou Gaspari, também ontem, O Brasil ingressou em um enigma e está  em curso um processo que atingirá o seu ponto crítico em 2022.

8 thoughts on “Estilos de Jânio Quadros e Bolsonaro se encontram e passam à história como prova de instabilidade

  1. Mas tem uma diferença importante não mencionada.
    Mourão foi escolhido por Bolsonaro, enquanto Jango, vice de Jânio era de outro partido e Jânio sabia que os militares não o deixariam assumir.
    Hoje os militares estariam satisfeitos caso Bolsonaro renunciasse. Mourão assumiria com glórias.

  2. Não se compara um com o outro, apesar de haver pouquíssimas semelhanças, mas Jânio, em primeiro lugar era muito mais letrado e não tinha quase nada de corrupto.

    Bolsonaro somente é comparável a Luiz Inacio, e lógico, menos corrupto..

    Não busquemos fantasias em nossas análises porque os dois últimos já são lixos da história e só se comparam entre si porque um é escarrado o focinho do outro. Basta olhar.

  3. Jânio Quadros não é aquele que condecorou o sanguinário assassino Che Guevara em Brasília? Lula e Dilma se encaixam como uma luva na comparação.

  4. Sem querer mudar de assunto, mas dizem “pelaí”:

    Fala-se numa grande festa no Planalto ao entardecer do dia de hoje.

    Bolsonaro vai dançar com a sua quadrilha porque é Dia de São João.
    Ou vai dançar quadrilha ou a quadrilha é que vai dançar ou só o presidente …
    Não sei mais … tá muito confusa essa história de quadrilha com Bolsonaro!!!

    Bom, mas a informação foi transmitida!

  5. Não é correto comparar a psiquê de Jânio Quadros com a psiquê de Jair Bolsonaro. Jânio Quadros era um alcoolista, e provavelmente (não posso afirmar) Jânio era um Esquizofrênico. Ambas patologias são doença mental e têm tratamento – embora, que eu saiba Jânio nunca procurou tratamento psiquiátrico. Todavia, Jair Bolsonaro é um Psicopata Narcisista, ou, segundo a nova nomenclatura da CID-10 e da DSM Norte-Americana, a Psicopatia Narcisista seja nomeada como Transtorno da Personalidade Narcisista. A Psicopatia Narcisista não é uma doença mental. É um distúrbio de caráter (não é doença mental) e não é susceptível de tratamento psiquiátrico, porque é um distúrbio inato da Personalidade, e não tem cura. É o que, na linguagem popular, dizemos : “Pau que nasce torto, não tem jeito, morre torto”.

  6. Prezados eleitores e eleitoras: vocês só têm três caminhos a seguir:
    1 – votar no Bolsonaro, O PIOR PRESIDENTE QUE O BRASIL JÁ TEVE EM TODA A SUA HISTÓRIA. Indisciplinado, incompetente, mal educado, desaforado, completamente analfabeto em matéria de política, o oposto do que se pode chamar de estadista. Um presidente “porra”.
    2 – votar no Lula, semi-analfabeto porém muito inteligente, mas que teve a infelicidade de pertencer ao PT, o partido mais podre que o mundo já conheceu. Sua especialidade é roubar.
    3 – votar em CIRO GOMES, homem honesto, inteligente, político tarimbado, que já provou como prefeito e como
    governador, que governa para o POVO e que sabe o que está fazendo. Um verdadeiro estadista.
    Já está mais do que na hora de termos um pouco de paz e estabilidade para que as pessoas honestas desse país possam progredir na vida, os desempregados possam arranjar emprego e os que passam fome passem a comer regularmente. Que DEUS os oriente na hora do voto.

  7. ANTONIO, bom dia.
    Concordo com teu comentário, só que antes de o ter lido, já pensava no meu e da seguinte forma: Este legislativo, stf, não nos representa.
    Votei no “tosco” e fui enganado; não me perturbo muito não, pois muitos próximos também o foram, pensem só em Bebiano que morreu de tristeza pela traição que se viu vítima.
    Estamos em uma situação tão anacrônica que nem mais nas FFAA’s dá para confiar pois vemos o general da ativa, com o mesmo comportamento dos da reserva que estão a serviço do “tosco” e não do povo brasileiro.
    Hoje, dedico-me a ler, tentar entender e principalmente Sentir as palavras do Cristo de Deus, no “Sermão da Montanha” e principalmente de que “O Meu Reino não é deste mundo”.

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