Estrangeiros confiam no Brasil e as aquisições de empresas brasileiras estão batendo recorde

Danilo Tudella

Gustavo Miranda, do Santander, constata quadro positivo

Célio Yano
Gazeta do Povo

No mais recente levantamento da KPMG, que analisa o cenário trimestralmente há mais de duas décadas, os primeiros três meses do ano tiveram o maior número de operações de fusão ou aquisição da série histórica. Apenas entre janeiro e março foram 375 negócios, a maioria (244) entre empresas brasileiras. Mas o número de estrangeiras envolvidas na aquisição de companhias locais também chamou a atenção.

Nesse período, 116, ou 31% das transações, foram do tipo CB1, ou seja de empresas estrangeiras comprando brasileiras. Foi o maior volume em todos os trimestres analisados historicamente pela instituição.

MOVIMENTO POSITIVO – Outras 13 operações foram do tipo CB2, quando brasileiros adquirem de estrangeiros empresa estabelecida no exterior; uma foi do tipo CB3, em que brasileiro adquire, de estrangeiros, empresa estabelecida no Brasil; e uma foi CB4, em que estrangeiro adquire, de estrangeiros, empresa estabelecida em outro país.

“Está acontecendo um movimento de retomada da presença de estrangeiros no país que havia sido perdida no ano passado, quando a pandemia teve início”, analisa o sócio da KPMG e coordenador da pesquisa, Luís Motta.

“No contexto de crise, as empresas estavam mais focadas na sobrevivência e no mercado principal de atuação, o que fez com que alguns planos de internacionalização fossem colocados de lado até que houvesse um cenário mais previsível.”

TENDÊNCIA DEVE SE MANTER – Há uma perspectiva de que a tendência observada dos primeiros meses se mantenha ou até se intensifique até o fim do ano. “Pelo que vemos em nossa atividade, na amostragem do Santander, o movimento não está diminuindo”, diz Gustavo Miranda, responsável pela área de Investment Banking do Santander.

“Se no primeiro semestre o mercado de M&A fez mais de US$ 50 bilhões, é bem possível imaginar algo como US$ 110 ou 120 bilhões até o fim do ano.”

Há motivos para a estimativa. Em geral, as empresas preferem completar transações antes do fim do ano fiscal para fechar o balanço já com ofertas anunciadas, explica o economista. “Há uma corrida de ofertas antes de 31 de dezembro.”

REFORMA TRIBUTÁRIA – Outra razão é que a discussão sobre as diversas etapas da reforma tributária que tramita no Congresso pode fazer com que o mercado antecipe operações para 2021. “Há uma discussão, por exemplo, sobre eventualmente não se poder mais aproveitar o ágio levantado nas aquisições para efeito fiscal, o que pode fazer com que o segundo semestre seja melhor do que o primeiro”, diz Miranda.

O fato de haver eleições gerais em 2022 também deve tornar o próximo ano menos propício para negociações do tipo, abrindo oportunidades de antecipação de planos. “Quando tem início o período de campanha, o mercado muitas vezes prefere esperar o resultado das eleições para saber qual vai ser a política econômica que de fato o governo central vai seguir, para saber como precificar os ativos”, explica o analista do Santander.

“A tendência é ter uma janela de mercado mais curta em 2022, com uma concentração de ofertas e transações até o começo do ano.”

(Artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

7 thoughts on “Estrangeiros confiam no Brasil e as aquisições de empresas brasileiras estão batendo recorde

  1. Queima de estoque!

    “É o deus-mercado se regulando”

    “Monopólios a perder de vista”

    Uma vez colônia…

    Yes, nós temos bananas.

    Bananas pra todo lado.

    E criminosos milicianos no ilusório poder.

  2. Bom dia , leitores (as):

    Os estrangeiros confiam no Brasil , também pudera , confiam nos ” LESA-PÁTRIA ” nacionais que lhes entregam o patrimônio e bem público , á preço de banana podre e a troco de migalhas , tirando os direitos ” TRABALHISTAS / PREVIDENCIÁRIOS ” do povo Brasileiro , fazendo-os trabalharem praticamente só pela comida e pagar tarifas públicas criminosamente elevadas á todo instantes.

  3. O articulista é um Mandrake, adoça nossa boca com esses dados fantásticos e não informa onde é essa ilha de prosperidade e potência económica. Pô, poderia ao menos fornecer as coordenadas, o sigilo deve ser para a China não ficar com inveja.

  4. Não é que eles confiam

    Mas simplesmente o Brasil está muito em conta, quase de graça. Com o dólar e o euro por cinco, seis reais, sendo grande a competição em seus países originários, elas vem ao Brasil para compras.

    Basta ver que (desde antes) levam daqui mais e mais produtos, fazendo com que para o produtor valesse mais à pena atender o gringo a manter aqui para atender o consumidor nacional.

    Agora vemos uma outra etapa. Não vem o gringo levar produtos.
    Esse “investidor” na ingenuidade de alguns veio comprar empresas.
    O propósito é dominar o mercado e levar daqui não mais os produtos. Mas o lucro mesmo desses novos negócios.

  5. Já as empresas brasileiras que mais compram buscam eliminar concorrentes, formar monopólios, ou oligopólios, ou tem ainda de reforçar ou variar o negócio para suportar, enfrentar estrangeiros.
    Veja o exemplo da Americanas comprando Hortifruti.
    Tem exemplos acima citados ainda nas aquisições de operadoras de Saúde, redes de Mercado, Farmácia, plataformas de compras virtuais.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *