Estratégia de Serra quanto a Lula não funciona

Pedro do Coutto

Francamente a pesquisa do Ibope-CNI anunciada na noite de quarta-feira pelo Jornal da Band e reproduzida no dia seguinte, detalhadamente pelo O Globo, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo, revelou, eu comentei em artigo anterior, uma tendência declinante de José Serra e uma tendência ascendente de Dilma Roussef. Os números estão aí e eles foram apresentados respectivamente pelos repórteres Gerson Camaroti, Ranier Dragon e Daniel Bramati.

Na FSP, houve comentário de Fernando Rodrigues. No Estadão de José Roberto de Toledo e João Rabelo. Para Roberto de Toledo, a propaganda da Petrobrás no decorrer da Copa do Mundo neutralizou os programas eleitorais de Serra. Para Fernando Rodrigues e Bosco Rabelo, a tática de Serra de poupar Lula não está funcionando.

Poupar só, não, digo eu. Até elogiar como fez por diversas vezes. Na questão da lei dos 7,7% aos aposentados e pensionistas do INSS, por exemplo, questionado sobre se o presidente deveria vetar ou não o aumento nominal, o ex-governador de São Paulo chegou a afirmar que estaria de acordo com Lula fosse qual fosse sua decisão. Assim também é demais. Como pode alguém ser candidato de oposição se não faz oposição? Esta postura é totalmente contraditória e contribuiu para colocá-lo em posição defensiva.

Rodrigues e Rabelo falaram em tática de Serra. Não. Não foi um lance tático, episódico. Fazia parte de uma estratégia planejada. Fracassou. Claro. Pois identificando a manobra, o presidente da República retribuiu atacando o candidato tucano. Com isso o afastou do eleitorado. Que candidato é esse que apanha e elogia o agressor? Não dá para convencer ninguém. Nem os próprios aliados que estão no convés vendo o navio afundar e a candidatura Dilma inflar.

Não poderia ser outro o resultado. Os números apresentados em gráficos muito bem elaborados pelos três jornais comprovam. Vejam só os leitores. Em abril, Serra tinha 40 pontos. Dilma 32. No início de junho, empatavam em 37. Agora, final de junho, Dilma avançou para 40, Serra recuou para 35. Em três meses, portanto, Serra perdeu 5,5 pontos, Roussef avançou oito. No total 13%a diferença de uma para outro nesse espaço de tempo. E é necessário considerar um aspecto importante: Serra ocupou o horário eleitoral do DEM que foi ao ar em rede nacional a 27 de maio. Retornou no horário do PPS no dia 6 de junho. Esteve, claro, no horário do PSDB a 17 de junho, e também a 24 no tempo do PTB quando escrevo este texto. Caberá ao PCB encerrar a temporada no próximo dia 30. Os comunistas ortodoxos estarão com quem? Eis aí uma pergunta interessante.

Mas falei no horário do PTB e no apoio a Serra de Roberto Jeferson, o homem que explodiu o mensalão em 2005 e que conseguiu derrubar José Dirceu da Casa Civil, acusando-se a si mesmo. Personagem shakespeariano, versão moderna, confessou ter recebido 3 milhões de reais (do mensalão) para a campanha eleitoral do seu partido em algumas cidades e não prestou contas dessa importância. Um mistério, uma sombra que ainda não se desfez.

O fato predominante é que o apoio do PTB de Roberto Jeferson vai tirar mais votos do que acrescentar a José Serra. Fosse sua campanha para deputado, estaria eleito. Um pequeno percentual de votos assegura a vitória. Mas para um pleito majoritário, o ponteiro da balança vai apontar para o lado negativo. Neste plano, a imagem de Jeferson não soma. Não ajuda. Ao contrário, diminui. Mais um erro de avaliação de Serra.

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