“Eu sou o samba” – cantava com orgulho o mestre Zé Kéti

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Zé Kéti, um cantor que era a voz do morro

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Zé Kéti, nome artístico de José Flores de Jesus (1921-1999), sentiu a sua carreira começar a deslanchar em 1955, quando o seu samba “A voz do morro”, gravado por Jorge Goulart, pela Continental, fez enorme sucesso na trilha do filme “Rio 40 graus”, de Nelson Pereira dos Santos. “A Voz do Morro” mostra em sua letra que o samba é a única voz valorizada no favela, de onde sai transformado em um condutor de alegria do Rio de Janeiro para o resto do país.

A VOZ DO MORRO
Zé Kéti

Eu sou o samba
A voz do morro sou eu mesmo, sim senhor
Quero mostrar ao mundo que tenho valor
Eu sou o rei dos terreiros

Eu sou o samba
Sou natural daqui do Rio de Janeiro
Sou eu quem levo a alegria
Para milhões
De corações brasileiros

Mais um samba, queremos samba
Quem está pedindo é a voz do povo do país
Viva o samba, vamos cantando
Essa melodia do Brasil feliz

6 thoughts on ““Eu sou o samba” – cantava com orgulho o mestre Zé Kéti

  1. O poeta do morro! Houve um tempo em que o morro era cantado, inspirava poesias. Máscara Negra é um poema, uma oração de alegria. Foi um dos maiores sucessos de Zé Keti e até hoje, em nenhum saláo se dispensa essa marchinha. que segue fazendo um ano, dois, toda a vida.

    Tanto riso oh quanta alegria
    Mais de mil palhaços no salão
    Arlequim está chorando
    Pelo amor da colombina
    No meio da multidão

    Foi bom te ver outra vez
    Está fazendo um ano
    Foi no carnaval que passou
    Eu sou aquele pierrô
    Que te abraçou, que te beijou meu amor
    Na mesma máscara negra
    Que esconde o teu rosto
    Eu quero matar a saudade
    Vou beijar-te agora
    Não me leve a mal
    Hoje é carnaval

    • Eu tinha certeza, antes de consultar o Google, que o ano de Máscara Negra tinha sido meu melhor carnaval. Aquele em que, de ‘sarong’ e colar de havaianas no pescoço, eu havia dançado e cantado, e muito, a música de Zé Kéti.

      Errei quase tudo. O ano do ‘sarong’ foi meu melhor carnaval. Estava no auge da mocidade, ia dizer 16 anos, mas tinha um pouco mais, e se houve beleza em mim, ela estava no auge quando usei aquela fantasia de tecido floral, de um ombro só, não!, acho que era tomara que caia, drapeada de um lado e arrematada por uma flor. Fantasia que fechava na lateral, na altura da coxa. Ah, eu fui feliz naquele ano, arranjei um namoradinho no clube tijucano e durante algum tempo durou o nosso ‘encontro’.

      Ele me ligava do cinema Metro, da Praça Saens Peña, aparecia na minha casa, antes de viajar de férias no fim de ano apenas para me entregar um perfume Hora Intima, sem embrulho, com um cartãozinho dele, em que ele cortava o sobrenome com a caneta e deixava visível apenas o primeiro nome. E, sobretudo, íamos muito a bailes de dois pra lá, dois pra cá. Meu irmão nos levava de carro.

      Um homem alto, bonito, bancário que estudava para economista (se formou enquanto me namorava e galgou um alto posto na vida), mas que troquei pelo meu marido, não tão alto, sem arrependimento. E que também se deu bem profissionalmente.

      O rapaz era boa gente, mas meu marido era mais homem, mais experiente, mais adulto. Me conheceu em uma semana e na outra estava dentro da minha casa, me namorando sério.

      Em 1967, ano de Máscara Negra(?), eu já namorava o marido há quase dois anos.
      Por que lembro de Máscara Negra como meu melhor carnaval? Não sei. Talvez eu tenha continuado cantando, como sempre fiz.

      Zé Kéti era o máximo, tudo de bom. Também sei cantar A Voz do Morro.
      Eu sabia cantar quase tudo.

      E me acabava no carnaval.

      A segunda parte de Máscara Negra, belíssima, é a história de um encontro.

  2. “A Voz do Morro” foi um dos primeiros sucessos de Zé Keti, lançado em 1956. “Quero mostrar ao mundo que tenho valor”. Havia um propósito de remoção de favelas, por considerarem que favela era uma vergonha para a cidade. Zé Keti respondia com outra música que dizia “Podem me prender, Podem me bater, Podem até deixar-me sem comer Que eu não mudo de opinião, Daqui do morro, eu não saio não”. Grande Zé Keti – a voz do morro.

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