“Eu te amo, perdoa-me, eu te amo…”, dizia em versos a poeta Cora Coralina  

Imagem relacionadaPaulo Peres
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Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1880-1985), nasceu em Goiás Velho. Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, conforme este “Poeminha Amoroso”, que versifica a sua paixão.

POEMINHA AMOROSO
Cora Coralina

Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu…
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu…
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
te deixará pasmo, surpreso, perplexo…
eu te amo, perdoa-me, eu te amo… 

3 thoughts on ““Eu te amo, perdoa-me, eu te amo…”, dizia em versos a poeta Cora Coralina  

  1. CARTA DE DRUMMOND A CORA CORALINA

    Rio de Janeiro, 7 de outubro de 1983.Minha querida amiga Cora Coralina: Seu “VINTÉM DE COBRE” é, para mim, moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia ( …). Não lhe escrevi antes, agradecendo a dádiva, porque andei malacafento e me submeti a uma cirurgia. Mas agora, já recuperado, estou em condições de dizer, com alegria justa: Obrigado , minha amiga! Obrigado, também, pelas lindas, tocantes palavras que escreveu para mim e que guardarei na memória do coração.O beijo e o carinho do seu Drummond.
    POSTADO POR CORA CORALINA – PALAVRA QUE CONFORTA

  2. “Este é um poema de amor
    tão meigo, tão terno, tão teu…
    É uma oferenda aos teus momentos
    de luta e de brisa e de céu…”

    Cora Coralina escreveu esse poema já velha; Descobriu-se poeta aos 75 anos, quando publicou seu primeiro livro. Quando escreve “Poeminha Amoroso, tinha rugas no rosto, corpo alquebrado e maltratado pela vida, mas com a certeza de que a velhice comporta o Amor “tão meigo, tão terno…” . Os velhos também amam;
    Falar de Cora Coralina não tem fim. Outro dia a Globo News e Band apresentaram um programa sobre ela – a doceira durante o dia para custear a vida e a noite fazia seus poemas para a alma.

  3. O que é viver bem? – Cora Coralina

    “Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice.

    E digo pra você, não pense. Nunca diga estou envelhecendo ou estou ficando velha.

    Eu não digo. Eu não digo que estou ouvindo pouco. É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.

    Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida.

    O melhor roteiro é ler e praticar o que lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia.

    Também não diga pra você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.

    Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima.

    Eu não digo nunca que estou cansada. Nada de palavra negativa. Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica. Você vai se convencendo daquilo e convence os outros.

    Então silêncio! Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha não. Você acha que eu sou?

    Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.

    O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.

    Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.

    Digo o que penso, com esperança.

    Penso no que faço, com fé.

    Faço o que devo fazer, com amor”

    Ana Lins do Guimarães Peixoto Bretas

    Pseudônimo: Cora Coralina

    Nasceu em Cidade de Goiás, a 20 de agosto de 1889

    Faleceu em Goiânia, a 10 de abril de 1985.

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