EUA submetem a torturas psicológicas o soldado que denunciou ao WikiLeaks as atrocidades cometidas pelos americanos no Iraque e no Afeganistão.

Carlos Newton

A Avaaz, uma rede de campanhas globais formada por 5,6 milhões de pessoas e que se mobiliza para garantir que os valores e visões da sociedade civil global influenciem questões políticas internacionais, está defendendo o soldado Bradley Manning, preso e torturado psicologicamente na Base dos Fuzileiros em Quântico, no Estado da Virginia.

“Avaaz” significa “voz” em várias línguas, e seus integrantes vivem em praticamente todos os países do planeta, Sua equipe principal está espalhada em 13 países de quatro continentes, operando em 14 línguas. O objetivo atual é colher assinatura para proteger Manning.

 Na verdade, Bradley Manning deveria ser considerado um herói da humanidade. Foi ele quem entregou ao site WikiLeaks as imagens e documentos mostrando atrocidades cometidas pelas tropas norte-americanas no Iraque e no Afeganistão. Mas as autoridades dos EUA conseguiram identificá-lo e estão fazendo horrores com ele. Confiram esse relato da equipe da Avaaz, liderada por Emma Ruby-Sachs:

“Caros amigos,

Agora mesmo Bradley Manning, o informante do Wikileaks, está sendo torturado em uma prisão militar nos Estados Unidos. Manning está sendo sujeitado ao isolamento absoluto, tática que pode enlouquecer a pessoa, com curtos períodos por dia onde ele é totalmente despido e abusado verbalmente pelos outros presos (como se fosse traidor dos EUA).

Manning está aguardando julgamento por liberar documentos militares secretos ao WikiLeaks, incluindo o vídeo dos soldados americanos massacrando civis iraquianos. Este tratamento brutal parece ser parte de uma campanha de intimidação para silenciar qualquer informante e derrubar o WikiLeaks. O governo dos EUA está dividido sobre este assunto com diplomatas criticando publicamente o Exército pelo tratamento do Manning, mas com o Presidente Obama ainda alheio ao caso.

Obama se preocupa com a reputação global dos EUA — nós precisamos mostrar para ele o que está em jogo. Vamos gerar um chamado global massivo ao governo dos EUA pedindo o fim da tortura de Manning e observação da lei. Assine a petição abaixo — a nossa mensagem será entregue através de anúncios ousados e atos públicos em Washington DC assim que conseguirmos 250 mil assinaturas pó e-mail.

No papel, os EUA são contra a tortura. A Constituição do país proíbe “punições cruéis e incomuns”. E junto com outras centenas de países, os EUA assinaram a convenção internacional que promete tratar todos os prisioneiros “com humanidade e respeito pela dignidade inerente da pessoa humana”. Mas hoje Bradley Manning está completamente isolado na sua cela, sem lençóis, sem poder se exercitar e sendo sujeito à humilhação brutal que está causando danos psicológicos sérios. Isso viola a lei internacional e dos Estados Unidos.

Manning está sendo mantido sob o status de “prevenção de danos” apesar de 16 relatos de profissionais de saúde mental do Exército declararem que ele deve ser removido destas condições severas. Os advogados estão tentando garantir seus direitos humanos e constitucionais básicos nos tribunais, mas por enquanto o tribunal militar responsável pelo destino do Manning ignorou seu sofrimento.

Desde as revelações explosivas dos crimes militares dos EUA no Afeganistão e Iraque, e outros numerosos casos diplomáticos, houve uma perseguição ao WikiLeaks. Muitos especulam que esta pressão brutal sobre Manning tem a intenção de forçá-lo a comprometer o fundador do WikiLeaks, Julian Assange. Porém, Obama prometeu ao mundo e aos EUA que ele iria proteger e não perseguir informantes:

“Geralmente a melhor fonte de informação sobre desperdício, fraude e abuso nos governos vem de um funcionário do governo comprometido com a integridade pública que está disposto a fazer uma denúncia. Estes atos de coragem e patriotismo, que às vezes salvam vidas e geralmente economizam verbas públicas, deverão ser incentivados e não amordaçados.”

Mas o tratamento cruel a Manning é o contrário, para mandar uma mensagem tenebrosa a outros que queiram expor informações importantes. Por isso, vamos agir rapidamente para colocar pressão internacional sobre os Estados Unidos, para eles honrarem o compromisso com os direitos humanos e a proteção de informantes, acabando com este tratamento cruel e chocante de seu próprio cidadão. Assine a petição agora:

https://secure.avaaz.org/po/bradley_manning/?vl

Bradley Manning diz que é um patriota e admite ter liberado informações que ele sentiu que o mundo tinha o direito de saber. Mesmo para as pessoas que discordam do WikiLeaks e os méritos ou deméritos daqueles que entregam informações para o site, a tortura ilegal de Bradley Manning, que ainda não foi a julgamento nem foi condenado por nenhum crime, é uma violação vergonhosa dos direitos e dignidade humana.

Com esperança e determinação,

Emma, Ricken, Pascal, Janet e toda a equipe da Avaaz.org.

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