Evangélicos progressistas pedem rejeição da indicação de André Mendonça para o STF

Crédito: Reprodução/Twitter/AmendoncaAGU

Progressistas não se sentem representados por Mendonça 

José Carlos Werneck

Uma frente de evangélicos progressistas divulgou, nesta terça-feira, uma carta aberta pedindo que senadores não aprovem a indicação de André Mendonça para uma das vagas no Supremo Tribunal Federal. O objetivo é se contrapor à mais volumosa ala de pastores bolsonaristas, que têm assumido a defesa do ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União.

O grupo pede que os congressistas rejeitem o nome “terrivelmente evangélico” indicado em julho pelo presidente Jair Bolsonaro e cuja sabatina, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, está marcada para esta quarta-feira.

ESCOLHA ANTIÉTICA – No documento os evangélicos alinhados à esquerda, que são minoria no segmento, sustentam que a escolha de Mendonça se deu “em circunstância absolutamente estranha aos requisitos da carta constitucional”, tendo sido “vinculada a uma particularidade do presidente da República”.

“Desde o início do processo, o chefe do Executivo estabeleceu abertamente como requisito essencial ser ‘terrivelmente evangélico’. Fato que fica comprovado pela forma como lideranças evangélicas que representam as elites político-econômicas do segmento hegemônico do evangelicalismo vêm deixando claro através de lobby direto e indireto junto ao presidente da República e aos senadores e senadoras da República.”

A credencial religiosa do indicado, segundo os signatários do texto, pesou mais do que elementos indispensáveis à função e citam, como exemplo, a atuação de Mendonça no julgamento no STF que tratou da realização de missas, cultos e demais celebrações religiosas durante a pandemia.

LIBERAÇÃO DE CULTOS – Mendonça, que é pastor presbiteriano, “citou a Bíblia para defender a liberação de cultos religiosos, à revelia de sua própria tradição teológica que valoriza uma relação individual e subjetiva com Deus, em detrimento da mediação de ‘templos feitos por mãos humanas’, conforme confissão primeiro dos pais da igreja e mais tarde dos reformadores”. afirmam.

André Mendonça é o indicado pelo presidente da República e “apresenta uma clara e inequívoca plataforma cujo tipo de engajamento religioso coloca em risco inúmeras conquistas da cidadania brasileira”, diz a carta.

“Não há dúvida de que as possíveis decisões institucionais do postulante, enviesadas por acordos confessionais, teológicos e morais, escusos à razão democrática. poderão suscitar um retrocesso importante aos direitos civis e aos valores laicos garantidos na Constituição.”

NÃO REPRESENTA – “O senhor André Mendonça representa tão somente uma pequena parcela do campo evangélico no Brasil. Uma parcela que não é representativa do ponto de vista da diversidade e pluralidade dos evangélicos e evangélicas de todo o Brasil, que é em sua maioria, segundo dados do IBGE, negra, feminina e pobre, características bem distintas do candidato”, entendem os evangélicos dissidentes.

O documento tem a assinatura de representantes de entidades como Frente de Evangélicos Pelo Estado de Direito, ABB (Aliança de Batistas do Brasil), Conic (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs), Coalizão de Evangélicos Pelo Clima, Movimento Negro Evangélico, Evangélicos pela Diversidade e Cristãos contra o Fascismo.

O Instituto Vladimir Herzog, sem a conotação religiosa, também aderiu à causa.

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