Ex-assessor revela que Lula desprezava a imprensa

Bernardo Kucinsky criticava o governo dentro do Planalto

Lucas Ferraz
Folha

Para um presidente que dizia não ler a imprensa para evitar azia, cartas diárias produzidas no interior do próprio governo funcionavam quase como uma espécie de jornal personalizado. Era assim no primeiro mandato de Lula.

Baseados no noticiário, principalmente da TV e dos grandes jornais impressos, o jornalista Bernardo Kucinski, 77, produzia informes que mesclavam análises da conjuntura com críticas à postura do governo e da própria imprensa. Além disso, propunham ações.

Kucinski vai além: “Os informes tinham o objetivo de ajudar o Lula a governar. O presidente lia sempre, mas muitas vezes lia com raiva. Depois, agia em função do que estava escrito.”

O tom imodesto se reflete no subtítulo do livro que ele acaba de lançar: “Cartas a Lula –o jornal particular do presidente e sua influência no governo do Brasil”, que reúne algumas edições que escreveu no período em que foi assessor da Secretaria de Comunicação, subordinado ao ex-ministro Luiz Gushiken, no primeiro mandato de Lula (2003-06).

DESDE 1993

Professor aposentado da USP e escritor recém-convertido à ficção, Kucinski começou a escrever os boletins para Lula, que ficariam conhecidos como “cartas ácidas” (depois rebatizadas de “cartas críticas”), nas caravanas da cidadania, em 1993, a famosa jornada do petista por vários pontos do país na preparação para a disputa presidencial do ano seguinte.

Dividido por assuntos, “Cartas a Lula” registra os temas que dominaram a agenda do início do lulismo, do Bolsa Família às relações internacionais, passando pelas turbulências políticas até a eclosão de escândalos.

Quando em maio de 2004 Lula decidiu expulsar o correspondente do “New York Times”, Larry Rohter, por causa de uma reportagem sobre hábitos alcoólicos do presidente, Kucinski classificou o episódio como o mais danoso à imagem do presidente desde o início do governo.

“No exterior, vai ser vista como medida autoritária que nos remete à imagem de uma republiqueta de bananas”.

No mensalão, que viria no ano seguinte e seria a maior crise dos anos Lula, ele sugere “cortar na carne”, prescrevendo a máxima petista para os delicados momentos de crise, a reforma política.

Outro capítulo que marcou o governo e que está registrado foi a difícil relação com a mídia, tumultuada desde os primeiros dias – “Lula desprezava a imprensa”.

CONTRA PALOCCI

Como militante do PT, o jornalista também explicita nas cartas a briga pelo poder que ele próprio protagonizou ao se engajar na luta interna contra o paloccismo. Ele dedica um dos capítulos aos temas macroeconômicos e sua cruzada contra a política do então ministro da Fazenda Antonio Palocci.

“A única área que realmente entrava firme era a macroeconomia, quando assumi um papel de militante do PT que também queria disputar as políticas. Posso até dizer que fiz uma campanha contra o paloccismo”, lembra, afirmando que contou com apoio de ministros do núcleo duro da Presidência para levar adiante tal empreitada. Quem, contudo, ele não conta.

Sobre o governo Dilma Rousseff, Kucinski diz que ela começa o segundo mandato cometendo um “erro gravíssimo” ao adotar a plataforma e os quadros do rival, referindo-se à nomeação de Joaquim Levy para a Fazenda.

“É a desmoralização da democracia e um tapa na cara dos seus eleitores. É a volta do paloccismo, a história já travestida de farsa”. (reportagem enviada por Mário Assis)

18 thoughts on “Ex-assessor revela que Lula desprezava a imprensa

  1. Conheci um antigo vizinho de lula, antes dele ser menos insignificante, e este diz com todas as letras, esse cara deve ser um grande idiota. Não dirigia a palavra a nenhum vizinho e as pessoas para ele não passavam de um monte de m….

    IMAGINEM HOJE…….

  2. Todo ser totalitário só gosta de dois tipos de imprensa: O Diário Oficial e a feita pelos miches de teclado. Tem um vídeo onde o Calígula da Sã Bernardo fala claramente que sonha com um país onde a TV só transmita jogos de fubetol, pois assim o povo não recebe notícias ruins e não fica ‘preocupado’. Eles detestam esse tipo de notícia…
    Pessoas ligadas à cumpanherada que tem imóveis entregues pela Bancoop :
    1) Residencial Anália Franco – Eduardo Gabas.
    2) Edifício Mirante do Tatuapé – Ap. 193 A – Marice Correia de Lima, cunhada do Vaccari. Ela foi sócia da esposa do Vaccari na Delilah Presentes na Rua Frei Caneca/SP.
    3) Edifício Mirante do Tatuapé – Aps. 163 –A e 173 – A – Central Única dos Trabalhadores.
    4) Torres da Moóca – Rua Marina Crespi 160. – Mirelle Nóvoa de Noronha, filha da Rosemary Nóvoa Noronha. Nesse apartamento ocorreu um dos mandados de busca e apreensão da Operação Porto Seguro.
    5) Torres da Moóca – Edson Lara Nóvoa – Irmão de Rosemary Noronha Nóvoa.
    6) Torres da Moóca – José Carlos Spinoza, ex chefe de gabinete do escritório Regional da Presidência em São Paulo e atual funcionário da Petrobras.
    7) Rogério Aurélio Pimentel – ex assessor do gabinete pessoal do Lula.
    8) Torres da Moóca Ap. 174 . Oswaldo Bargas – ex diretor da CUT. Na ocasião da Operação Porto seguro, esse imóvel era ocupado pelo então presidente da CUT, Artur Henrique.

  3. O melhor exemplo da ‘imprensa’ que o Don Corleone gosta é a EBC. O governo (nós) já gastou mais de R$ 3 bilhões no maior cabide de emprego federal que é a EBC. A TV Brasil contratou vários baba ovos e mesmo assim a sua audiência média é de 0,36 pontos, sendo puxada por antigos programas da TV Cultura como o Castelo Rá Tim Bum. Um show de desperdício de recursos públicos aliado a uma enorme incompetência.

  4. e esse outro “ex-” sabe dizer

    quando é que o BARBA-DELATOR-DEDODURO, o f-u-j-ã-o – abandonador de seus comparsas, e o seu sacrista, o anacronizado, vão processar o Delegado Tuma Júnior? O Brasil inteiro, ansioso, quer ver o Júnior, sem delação premiada, nas barras dos tribunais.

    ou sabe dizer se

    a mulhé, vai ou não vai processar a revista Veja e a IMPRENSA MUNDIAL? o tempo está passando…

    e ainda, sobre

    a Rosemary dos vôos ardentes, a Rosemary do bebarrão e do cartão corporativo, cadê-la?

  5. É incrível a isonomia da nossa ” justiça”.
    (…)…” Luís Roberto Barroso quer saber quem escreve o blog do Roberto Jefferson. No fim de semana, depois de O Globo revelar que a OAS terminou de construir um triplex onde Lula vai morar, o site publicou que a notícia era uma piada pronta.
    Jefferson não pode se manifestar publicamente enquanto cumpre a pena pelo julgamento do mensalão.
    Por Lauro Jardim”.
    Já o Zé Dirceu pode escrever em seu blog tranquilamente.
    http://www.wscom.com.br/blog/josedirceu

  6. Eu não sei porque um governante tem que nomear para uma determinada pasta, uma pessoa que, somente, seja ligada ao seu partido. Se na oposição tiver um nome que seja bom, não vejo nada demais ser convidado para prestar um serviço ao seu país. Isso aconteceu com o Meireles no primeiro governo do Lula.

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