Ex-deputado e ex-ministro, Fernando Lyra continua em ‘estado crítico’

O Instituto do Coração (Incor) informou que “permanece estável” o quadro clínico do ex-ministro Fernando Lyra. Internado no dia 5 de janeiro, Lyra continua “em estado crítico, sedado, sob cuidados intensivos e com necessidade de auxílio respiratório mecânico”, segundo o boletim divulgado.

Lyra ridicularizou Sarney

Figura de destaque da oposição nos anos finais do regime militar, ele fez política durante décadas pelo MDB (depois PMDB) em Pernambuco e foi o primeiro ministro da Justiça depois do regime militar.

Como seu quadro é de estabilidade, o Incor informou, também, que novo boletim médico “será divulgado somente em caso de alteração importante do estado clínico do paciente”. Em boletim anterior, a equipe médica que cuida do político pernambucano dizia que ele estava internado para tratamento de descompensação de insuficiência cardíaca congestiva (ICC) grave, que o acomete há aproximadamente 20 anos, associada a quadro de infecção sistêmica”.

Na fase mais intensa de combate à ditadura, Lyra pertenceu ao chamado “grupo dos autênticos” do MDB mas aderiu aos moderados e se aproximou do então deputado Tancredo Neves. Com a eleição deste para a Presidência, no início de 1985, acabou convidado pelo presidente José Sarney – que assumiu o Planalto com a morte de Tancredo – para o Ministério da Justiça, onde ficou durante cerca de um ano.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGLyra era um deputado progressista de verdade, na linha de frente no verdadeiro PMDB. Quando Sarney chegou ao poder, devido à morte de Tancredo Neves, houve uma importante solenidade aqui no Rio, no Teatro Casa Grande, para comemorar a criação do Ministério da Cultura pelo presidente Sarney. Lyra era ministro da Justiça e fez o discurso de encerramento, em que afirmou a seguinte frase: “Sarney é a vanguarda do atraso“. Eu estava na primeira fila, bem diante dele, e pensei: “Sarney vai demiti-lo”. Desculpe, foi engano meu. Lyra não foi demitido e ficou no ministério durante um ano inteiro. Sarney não mandava nada no governo. Era um presidente virtual. Quem mandava era Ulysses Guimarães. (C.N.)

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