Ex-deputado Genival Tourinho lança livro sobre o golpe de 64

Sergio Caldieri

O lançamento do livro “Baioneta Calada, Baioneta Falada”, do ex-deputado Genival Tourinho, esta terça-feira, dia 8, na Livraria da Travessa, em Ipanema, às 19 horas.

O advogado Genival Tourinho foi filiado ao PTB em 1956, quando disputou, ainda estudante de Direito, uma cadeira da Câmara Municipal de Belo Horizonte. Obteve a 4° suplência.

Com o golpe militar de 1°de abril de 1964, Genival posicionou-se contra, passando a advogar para presos políticos. Extintos os partidos, foi um dos fundadores do MDB e se candidatou à deputado estadual em 1966, alcançando a primeira suplência por lhe faltar menos de cem votos.

Assumiu o mandato em 1969, exercendo-o durante quase dez meses, sempre enaltecido pela imprensa. Muito radical, pregou o voto nulo como protesto, seguindo a corrente de que o MDB se portava a coonestar a ditadura militar.

Coerente com seu pensamento, não disputou a eleição de 1970. Retornou a disputar eleições pelo partido oposicionista em 1974, convencido por Juscelino Kubitschek de que estava errado em seu radicalismo.

Com três meses de campanha, obteve perto de 50 mil votos, destacando-se na Câmara pelo seu vigor oposicionista e pelas constantes defesas de Juscelino Kubitschek, Jango Goulart, Leonel Brizola, Darcy Ribeiro e outros.

Foi dos primeiros a pleitear a anistia dos cassados, muito divulgada à época, que Juscelino Kubitschek parabenizou-o e demonstrando como a anistia a oficiais rebeldes da aeronáutica permitiu-lhe conseguir a pacificação política no Brasil.

TRABALHISTA

Reeleito em 1978, lutou pela anistia e participou do Encontro Trabalhista de Lisboa, onde se comprometeu com Brizola e Darcy a lutar pelo retorno do PTB, o que fez com afinco, até ver a sigla ser apossada por Ivete Vargas.

Foi ai que, com um grupo de petebistas e de outros antigas siglas,  participou da fundação do PDT. Em 1980 denunciou como incentivadores da “Operação Cristal”, que praticava atentado terrorista, querendo imputá-los à esquerda visando a desestabilizar a abertura política, os generais comandantes do 2° e 3°comandos do exército, bem como o comandante da Guarnição Federal em Minas Gerais.

Em consequência, em vez de mandarem apurar a denuncia do deputado, o ministro do Exército mandou processá-lo pela Lei da Segurança Nacional, sem prévia autorização da Câmara, logrando em julgamento secreto do STF condená-lo a 5 meses de prisão, assim como suspendendo-lhe seus direitos políticos por cinco anos, o que lhe impediu de pleitear a sua terceira reeleição como deputado federal.

No transcorrer do processo sofreu um atentado a 300 metros do aeroporto de Brasília, onde seu carro foi parado a tiros e esvaziados seus pneus. O deputado Genival Tourinho teve duas armas apontadas para sua cabeça e foi agredido a socos e ponta-pés.

Apesar de vasto noticiário e pressão da oposição, o episódio jamais nada foi apurado.

 

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