Ex-diretor afirma que “dezenas de políticos” estão envolvidos

Cerveró imita Lula e diz que não sabia de nada nem viu nada

Gabriel Mascarenhas
Folha

Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, quebrou o silêncio na CPI mista que investiga a estatal. Na sessão desta terça-feira (2), Costa pediu a palavra. Anunciou que não responderia perguntas, mas falou por cerca de três minutos, em tom de desabafo.

Em sua explanação, o ex-diretor de Abastecimento afirmou que as irregularidades não são exclusividade da estatal e elencou outros setores: “O que ocorre na Petrobras acontece no país inteiro: portos, aeroportos, hidrelétricas, ferrovias e rodovias”, acusou.

Costa repetiu algumas vezes que estava arrependido e afirmou que reitera todo o conteúdo relatado na delação premiada feita ao Ministério Público Federal.

“Desde o governo Sarney, todos, todos os diretores da Petrobras e de outras, sem apoio politico, não chegava a diretor. Infelizmente, aceitei. Esse cargo [diretor] me deixou onde estou hoje”, disse.

O ex-diretor de Abastecimento contou que, até ocupar a diretoria, galgou espaços na estatal por competência técnica.

Paulo Roberto Costa falou ainda sobre a delação premiada que firmou com o MP.”Nos mais de 80 depoimentos, o que está lá eu confirmo. Provas estão existindo, sendo colocadas Falei de fatos, dados e pessoas, que virão ao conhecimento publico. Não sei quando, mas virão”.

SENTIA NOJO

Na a acareação com o ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa afirmou à CPI mista da Petrobras que, em dado momento, passou a sentir nojo.

Durante o encontro, Costa falou sobre um e-mail enviado à Casa Civil, em 2009. A mensagem elencava questionamento feitos pelo TCU (Tribunal de Contas da União) a empreendimentos da estatal.

À época, Costa ocupava o alto escalão da empresa e a presidente Dilma Rousseff era ministra da Casa Civil, além de ocupar a presidência do conselho de administração da estatal.

À CPI Costa negou que o envio do e-mail foi motivado por interesses escusos ou porque pedia interferência do Executivo.

“Nessa época, eu já estava enojado. Aquele processo estava me enojando. (O objetivo) foi alertar que estávamos com problemas”, justificou.

Costa disse ainda que havia sido orientado pela própria Casa Civil a comunicar ao ministério sobre a situação das obras.

Acrescentou ainda que o então presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, tinha conhecimento da demanda.

PASADENA

Paulo Roberto Costa afirmou que a compra da refinaria de Pasadena foi responsabilidade do conselho de administração da Petrobras, do qual a atual presidente Dilma Rousseff era presidente.

Reforçando o que acabara de dizer Nestor Cerveró, Costa disse que a aquisição da refinaria constava no planejamento estratégico da companhia.

Esclareceu, porém, que a decisão final cabe ao colegiado da estatal: “A responsabilidade por comprar um ativo como aquele é 100% do conselho de administração. Eximi-lo é um erro”, afirmou.

‘EU SAÍ’

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) perguntou o que significava estar enojado, já que Paulo Roberto Costa era parte integrante do esquema de corrupção.

“Quando você está num processo desse, você entra e não tem como sair. É muito complicado. Eu saí, entreguei carta de demissão porque o processo continuava”, explicou.

Enquanto Paulo Roberto Costa surpreendeu, respondendo a perguntas dos parlamentares, Cerveró praticamente repetiu as versões que deu à CPI em setembro, quando prestou depoimento. Disse que não tinha conhecimento da existência de cartel, superfaturamento e pagamento de propina dentro da estatal.

Voltou a afirmar que não chegou ao alto escalão por indicação política.

Ao falar sobre os custos de sua defesa, Cerveró confirmou que cabem à Petrobras. Argumentou que todos os diretores têm direito. Segundo Cerveró, porém, como se trata de um seguro, caso condenado, o diretor é obrigado a ressarcir a companhia.

Nesse momento, os parlamentares perguntaram se Paulo Roberto Costa também recorreu ao benefício para bancar seus advogados.

“A defesa de Paulo Roberto Costa quem está pagando é Paulo Roberto Costa, com muito sacrifício”, informou o ex-diretor, referindo-se a si próprio na terceira pessoa.

‘DEZENAS’

Já com a sessão próxima do fim, o deputado Enio Bacci (PDT-RS), autor do requerimento que determinou a acareação, pediu a palavra. O deputado elogiou a decisão de Paulo Roberto Costa em falar à comissão e fez um pedido: “O senhor pode me dar a alegria de dizer quantos políticos foram citados na delação”.

Costa, rindo, respondeu: “Algumas dezenas”.

7 thoughts on “Ex-diretor afirma que “dezenas de políticos” estão envolvidos

  1. Senhores
    Não assisti os depoimentos e as intervenções. Mas conhecendo os deputados, principalmente Onix, esperem que vem bomba.

    “A responsabilidade por comprar um ativo como aquele é 100% do conselho de administração. Eximi-lo é um erro”. Durante o encontro, Costa falou sobre um e-mail enviado à Casa Civil, em 2009. A mensagem elencava questionamento feitos pelo TCU (Tribunal de Contas da União) a empreendimentos da estatal. Paulo Roberto Costa afirmou que a compra da refinaria de Pasadena foi responsabilidade do conselho de administração da Petrobras, do qual a atual presidente Dilma Rousseff era presidente.

    Estas afirmações de Paulo Roberto Costa, se comprovadas, e não tenho por que desacreditar, encaminharão Dillma, fatalmente, ao impeachment. envolvimento della no caso petrolama, é amplo, geral e irrestrito: chefe da casa civil, conselheira e presidente do conselho de administração da empresa e presidente da república.

    Vou cobrar do Dep. Onix e de outros. Fosse Collor…

  2. O que disse o velhaco ladrão, no UOLfhcNoticias.

    “Isso aconteceu em todos os governos. Todos! Com todos os diretores da Petrobras. Se não tivesse apoio político, não chegava a diretor. Isso é fato”, disse. Na sequência, declarou-se arrependido por ter aceito participar do esquema de corrupção para chegar ao cargo de diretor.”

    Ênfase minha.: “Todos os governos”, se ele disse “todos’ todos são todos, nénão.??
    en~tao devo concluir que o lamaçal de corrupção na Petrobrás também teve seu auge no des-governo do Sultão de Paris, Roubando henrique cardoso e toda a sua quadrilha de franco-tucaninhos………..
    Por isso que o Sultão queria tanto o 3o Mandato consecutivo……eh1eh!eh!eh

  3. Armando
    Tua lógica deixa clara a razão da falência da moral.
    O Bufão Barbudo virou “sultão” só da grana. Continua grosso, bebum, sem cultura, e lídera brasileiros que pensam como elle. Alguns até gostariam de agir como elle, também. Mas não possuem a malandragem que elle tem.
    jamais ouvi dizer que “o assalto ao estado brasileiro começou com o PT. Mas que foi ampliado, na busca de se perpetuar no poder, isto é coisa do PT. Nenhum dos outros partidos disse que acabaria com a roubalheira, com a corrupção e com a falta de moral/ética. Só O PT disse isto. Alguma dúvida?
    Assim, quem defende o PT e se esconde atrás das mazelas e defeitos dos outros, não pode cobrar ninguém
    Eu quero, e a maioria dos frequentadores da TI também, TODOS ATRÁS DAS GRADES. Você continua escolhendo os tucanos. Será que foram eles que inventaram tudo?
    Sabe Armando, este pessoal que nos últimos 12 anos deflorou os cofres públicos, foram nomeados por Lulla/Dillma. A não ser que, por obra milagrosa, tucanos continuaram nos cargos durante os (des) governos petistas.
    É melhor procurar outras justificativas, outros argumentos. Atacar e cobrar só os tucanos tentando passar a idéia de que os governos petistas são honesto, pega mal.
    A não ser que proves que estamos enxergando “chifres” em cabeça de cavalo!

  4. Talvez uma auditoria séria em tudo o que os governos pagam, tudo, tudo, cada seringa e agulha chinesa, cada lanchinho das crianças, cada bafômetro, cada apito das guardas, cada obra, cada tudo, seriam milhares e milhares de envolvidos com direito ao descarado escárnio. 🙁

  5. DILMA LIVRA PETROBRAS OU PERDE O BONDE DA HISTÓRIA

    Os ataques entre petistas e tucanos (militantes ou “voluntários”) nas redes sociais dão ideia de que a campanha não encerrou, com foco maior nos escândalos da Petrobras e cada lado pondo culpa no outro, enquanto seus líderes maiores atuam para aquietar os ânimos a fim de que tudo continue como está porque no fundo se entrelaçam em duas décadas de desgovernos.

    A partilha de poder feita hipoteticamente para garantir “governabilidade” vem de décadas promovendo contratos bilionários entre o setor público e empresas, que nas eleições corroem a política financiando candidaturas à revelia dos partidos. Assim tem sido desde os mandatos de Fernando Henrique Cardoso e Luís Inácio Lula da Silva até o atual mandato da presidente Dilma Rousseff, feita poste pelo antecessor e que agora reeleita pode se libertar dessa imagem aprofundando as investigações e pondo fim no loteamento político das estatais, pelo menos.

    Esta expectativa está delineada no site do PDT, na longa entrevista do físico Luiz Pinguelli Rosa, que não entra em disputas sem lógica ou noção e aponta os caminhos para superar a crise: “Na verdade, não dou muito crédito a isso, que um lado era bonzinho e o outro, mau. É natural que a defesa vá alegar essas coisas, isso faz parte do jogo. Mas nessa escala que está aí demonstrada, acho que é um processo viciado. A surpresa é ter chegado a tal ponto. Essa é a surpresa. Acho que é possível agir com mão forte, botar pingos nos is, afastar os caras, evitar essa protelação brasileira, de que tudo vai sempre sendo empurrado adiante e tal”, diz ele… http://www.pdt.org.br/index.php/noticias/pinguelli-precisa-acabar-o-loteamento-politico-nas-estatais

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