Ex-ministro e pastor ligado a Bolsonaro são presos em operação sobre ‘balcão’ do MEC

Pastores que negociam recursos do MEC em evento na sede da pasta com o presidente Bolsonaro, no dia 10 de fevereiro de 2020

Quarteto Fantástico: o presidente, o ministro e os pastores

Fabio Serapião, Paulo Saldaña e Camila Mattoso
Folha

A Polícia Federal realiza na manhã desta quarta-feira (22) uma operação contra o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro e pastores suspeitos de operar um balcão de negócios no Ministério da Educação e na liberação de verbas do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Ribeiro e ao menos um dos pastores, Gilmar Santos, já foram presos.

A PF também cumpre mandados de busca e apreensão em endereços de Ribeiro, de Gilmar e do pastor Arilton Moura —esses dois últimos são ligados ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e apontados como lobistas que atuavam no MEC.

ACESSO PAGO  – A ação desta quarta-feira foi batizada de Acesso Pago e investiga a prática de “tráfico de influência e corrupção para a liberação de recursos públicos” do FNDE.

Com base em documentos, depoimentos e um relatório da CGU (Controladoria-Geral da União) foi possível mapear indícios de crimes na liberação de verbas do fundo. Ao todo, são cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e cinco de prisões em Goiás, São Paulo, Pará e Distrito Federal.

No mandado de prisão de Ribeiro, o juiz Renato Borelli, da 15ª Vara Federal em Brasília, lista os crimes investigados e que podem ter sido cometidos pelo ex-ministro. São eles: corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência.

SERÁ TRANSFERIDO – O magistrado também determinou que o ex-ministro de Bolsonaro seja transferido para a superintendência da PF no Distrito Federal.

Os dois pastores, Gilmar e Arilton, são peças centrais no escândalo do balcão de negócios do ministério. Como mostrou a Folha, eles negociavam com prefeitos a liberação de recursos federais mesmo sem ter cargo no governo.

Os recursos são do FNDE, fundo ligado ao MEC controlado por parlamentares do Centrão, bloco político que dá sustentação a Bolsonaro desde que ele se viu ameaçado por uma série de pedidos de impeachment e recorreu a esse apoio em troca de cargos e repasses de verbas federais.

O fundo concentra os recursos federais para educação, destinados a transferências para municípios.

PROPINA EM OURO – Prefeitos relataram pedidos de propina, até em ouro. Em áudio revelado pela Folha, o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro disse que priorizava solicitações dos amigos de um dos pastores a pedido de Bolsonaro.

Na gravação, o ministro diz ainda que isso atende a uma solicitação do presidente Bolsonaro e menciona pedidos de apoio que seriam supostamente direcionados para construção de igrejas. A atuação dos pastores junto ao MEC foi revelada anteriormente pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Ribeiro deixou o cargo no fim de março, uma semana após a revelação pela Folha. ​ Gilmar Santos e Arilton Moura negociavam, ao menos desde janeiro de 2021, a liberação de empenhos para obras de creches, escolas, quadras ou para compra de equipamentos. Os recursos são geridos pelo FNDE, órgão do MEC controlado por políticos do centrão.

LIVRE ACESSO – Os pastores gozavam de trânsito livre no governo, organizavam viagens do ministro com lideranças do FNDE e intermediavam encontros de prefeitos na própria residência de Ribeiro.

Ambos tinham em um hotel de Brasília uma espécie de quartel-general para negociação de recursos. Ali, recebiam prefeitos, assessores municipais e também integrantes do governo.

Gilmar Santos preside uma entidade chamada Convenção Nacional de Igrejas e Ministros de Assembleias de Deus no Brasil Cristo para Todos, da qual Arilton aparecia como secretário. Os religiosos tinham relação com o presidente Bolsonaro desde antes de intensificar a agenda no MEC. Ambos somaram 45 entradas no Palácio do Planalto. Estiveram outras 127 vezes no MEC e no FNDE.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
E Bolsonaro garante que acabou com a corrupção no país… Lembrando o genial Tom Jobim, que era brasileiro até no nome: “É a lama, é a lama, é a lama”. (C.N.)

20 thoughts on “Ex-ministro e pastor ligado a Bolsonaro são presos em operação sobre ‘balcão’ do MEC

    • Evangélicos terríveis!!!
      Se a religião é o ópio da humanidade, estes cidadãos e muitos outros que carregam uma Bíblia debaixo dos braços ou dentro de uma valize, tentando enganar o próprio Jesus, são as pedras de crack

  1. “O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro. Tu não tens parte nem sorte nesta palavra, porque o teu coração não é reto diante de Deus.” [Atos 8:20-21].”

  2. Quarteto Fantástico: o presidente, o ministro e os pastores

    “Eu boto a mão no fogo pelos talebanjéguis.””

    Sabe nada inocente, ele não sabe onde “botou” a mão”,,,

  3. O Filho e seus discípulos voltavam de uma caminhada longa e todos estavam famintos. O Líder avistou uma figueira distante e decidiu que eles colheriam seu fruto para matar a fome. Lá chegando, constataram que a figueira não tinha fruto. Daí o Líder resolveu amaldiçoá-la. Logo em seguida ela se tornou seca.
    Algumas críticas: o Líder é tido como uma expressão de uma trindade da mesma essência do Deus pai e do Espírito Santo. Ora, esse Deus não foi capaz de antever que a figueira estava seca e também não teve controle emocional para se conformar com a realidade, dai a amaldiçoa-la.
    Bem, se é difícil acreditar no Filho que também é pai, segundo a Santíssima Trindade, como acreditar em PASTORES?

  4. Dá série ” Tava na cara que ia dar mérida”..

    Quando reparei que o Bolsojeguisons fez “aliança” com os Quatro Cavaleiros do Apocalip$e , pensei.

    “Vai dar uma mérida das grandes”..

    Não deu outra., “plantou’ e aparelhou o Estado com sua turminha de Mercadores da Fé e agora “colhe” os frutos”….

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