Excluído e extraído o desgaste e desperdício dos dinheiros públicos, Quércia foi mais importante do que FHC. Fez verdadeira carreira político-eleitoral, de vereador a tudo, menos presidente.

Helio Fernandes

Se formos levar em consideração a CORRUPÇÃO (que no título dessas notas, chamei delicadamente de desperdício de dinheiros públicos), quantos personagens sobraram (ou sobrariam) para analisar e comparar? Portanto, não levemos em consideração esse fato, no momento não CONDENAMOS nem ABSOLVEMOS ninguém.

Apenas como registro indispensável. Quércia era tido e havido como tendo enriquecido em cargos públicos. Os mais diversos. Essa é a prática e a norma da vida pública brasileira, a IMPUNIDADE cobre e inocenta no geral. Só que Quércia enriqueceu no plano brasileiro e interno, FHC DOOU o patrimônio nacional. Todos enriqueceram com ele, mas as riquezas nacionais são irrecuperáveis.

Se existe um parâmetro para os corruptos que são também corruptores, FHC é mais condenável, execrável, irresponsável, irrecuperável. Se conseguisse o terceiro mandato, teria consumado a DOAÇÃO total, através dos vastamente enriquecidos DOADORES da COMISSÃO DE DESESTATIZAÇÃO. Que como o próprio FHC, jamais serão responsabilizados.

Os leitores-comentaristas compreenderam o que pretendo fazer aqui, não precisam concordar e têm o direito de discordar, mostremos fatos históricos, nada mais do que isso. Quércia foi vereador, prefeito, deputado, só depois chegou a plano nacional.

Em 1974, passando um pouco dos 35 anos (naquela época, idade-limite para senador e governador), ainda sem chegar aos 36, foi o senador mais votado do país. Derrotou, com uma diferença de 3 milhões de votos, o ex-governador Carvalho Pinto, isso, em São Paulo.

FHC, que tinha ódio de Quércia, só foi “eleito” senador em 1978, com 44 anos de idade. Lógico, não foi eleito nada, era suplente de Franco Montoro, que quatro anos a seguir se elegeria governador, na primeira eleição direta, depois da “anistia ampla, geral e irrestrita”.

A eleição de Montoro levou o suplente a assumir por 4 anos. Em 1982, a primeira batalha ou guerra aberta entre Quércia e FHC. Os dois queriam ser vice de Montoro, que ia ganhar facilmente, como ganhou mesmo. Montoro preferiu Quércia, o que deixou FHC desesperado. Um lembrete: todos eram do PMDB. Só que FHC, arrogante como sempre, dizia: “Eu sou do PMDB INTELECTUAL, Quércia é do PMDB da ROUBALHEIRA”.

Quércia não deixou sem resposta, acusou FHC de patrocinar uma porção de atos ilegais e irregulares, cometidos por amigos, com seu conhecimento e consentimento. (FHC não fez a réplica obrigatória).

Em 1986, sucessão de Montoro, nova derrota de FHC, aí diretamente diante de Quércia. Os dois eram candidatos a governador, Quércia obteve facilmente a legenda, e mais grave para FHC: foi eleito governador. FHC e Covas se candidataram ao Senado, eram só os dois. Mas para se garantirem, “fecharam” acordo com Lutfalla Maluf, o próprio. (Grande demonstração, de FHC e Covas, de credibilidade e honestidade).

Em 1987, houve a fundação do PSDB, uma “costela” do majoritário PMDB. FHC, Covas, Jereissati e outros, foram os fundadores. Não falaram no nome de Quércia, que era governador, deram como justificativa: “Com o doutor Ulisses ninguém tem chance, ele quer tudo”.

Na verdade o doutor Ulisses não queria nada. Ficou sempre como deputado, várias vezes presidente da Câmara. Com espantosa liderança, que não se traduzia em votos para senador ou governador.

Em 1976, em plena ditadura, Quércia gritava que “a indústria brasileira estava sendo desnacionalizada”. Os militares então, usaram dos mesmos recursos de sempre: utilizavam “jornais amigos” para combater e denunciar os adversários. Em manchete, o “Correio Braziliense” juntou denúncias de irregularidades de Quércia, de 10 anos antes, em Campinas.

Começaram a dizer que seria cassado, deu entrevista enorme no Jornal do Brasil, denunciando interesses antinacionais. Em 1986 foi eleito governador de São Paulo, uma gozação e resposta a FHC, que, em 1985, um ano antes, perdera a Prefeitura de São Paulo para Janio Quadros, então com 68 anos e tendo abandonado a política há muito tempo.

Mas o apogeu, o auge eleitoral de Quércia, foi em 1990, na sua própria sucessão. Lançou o desconhecido Luiz Antonio Fleury contra Paulo Maluf, tido como favorito. E que tinha o apoio aberto de Covas e FHC. Fleury foi eleito. Quércia deixou o governo, foi presidir o PMDB nacional.

O grande equívoco de Quércia; candidato a presidente da República em 1994, com São Paulo inteiramente dividido. Ulisses, Covas e mais dois paulistas foram candidatos em 1989, massacrados por Collor. Em 1994, a segunda candidatura Lula, fortíssima. Tão forte que FHC, lançado pelo PSDB reduziu o mandato presidencial de 5 para 4 anos. Justificativa: “Como Lula vai ganhar mesmo, que fique menos tempo”.

Surpreendentemente (até para ele), FHC foi vencedor. Quércia já estava praticamente fora da política, voltado para os negócios. As rádios, jornais (sem grande tiragem) e outros órgãos de comunicação, apenas para sustentação.

 ***

PS – Em 1999, se afastou de tudo, por causa de um câncer na próstata, que o mataria agora, 10 anos depois. Há 4 ou 5 anos apoiou José Serra, estiveram juntos longos anos no PMDB. Estava praticamente eleito senador, o câncer voltou em plena campanha, abandonou tudo.

PS2 – Tudo isso é História, fatos, fatos, fatos. Morto agora, continua sem ser desmentido o “Disque Quércia para a corrupção”, lampejo histriônico do governador Requião.

PS3 – FHC foi o “retrocesso dos 80 anos em 8”, pior do que ele (ou igual, vá lá), só os quatro marechais. Nem ele nem Quércia foram cassados.

 

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