Exemplos de ação e omissão na política

Humberto Braga

1) Romantismo: o romântico só  tem vistas para o dever ser e não para o ser. Despreza a realidade que não lhe agrada. Confunde pragmatismo com imoralidade e confere mais importância às boas intenções do que aos resultados do comportamento. Não busca o possível e sim o ideal. Por isso, se diz “idealista”. O idealismo filosófico é bem conhecido. Segundo ele, a História foi comandada pelas idéias, os fatores subjetivos. Hegel foi o expoente máximo da filosofia idealista, que não tem qualquer conotação altruística. A ela se contrapõe o materialismo, para que os fatores materiais, objetivos, foram os determinantes. Marx é o pensador mais célebre dessa corrente.

Já o idealismo político é  entendido quando o agente luta por um fim que transcende ou ultrapassa os seus interesses pessoais e a as própria existência física. Nesse sentido, não há dúvidas de que Hitler e Stalin foram sinceros idealistas. Hitler lutou pela supremacia da raça ariana e a hegemonia da nação germânica. Stalin pugnou pela Revolução Social, a ditadura do proletariado etc. Nenhum dos dois se dedicou à fruição dos prazeres propiciados pelo poder. Viveram para os seus ideais.

Mas o político romântico sonha com o bem geral e outras concepções vagas, às vezes sentimentais. E, a seu ver, a finalidade suprema da política não é a redução da desigualdade social nem o progresso econômico e sim a resignação moral da sociedade.

2) Perfeccionismo: o perfeccionista exige que os lideres sejam modelos de virtudes pessoais. No julgamento de um governo, valoriza mais o varejo do que o atacado, atenta mais no pormenor do que no panorama. Não verifica se há saldo ou déficit. A ele se aplica o ditado indiano. “Quando um dedo aponta a lua, o tolo olha para o dedo”. Costuma fazer as opções pelos sentimentos da simpatia ou da antipatia. Com nele a subjetividade submerge a objetividade, não é capaz de isenção. E quando não depara a reclamada pureza, põe-se em estado de indignação.

3) Fanatismo: o fanático se lança no culto idólatra de uma ideologia ou de um indivíduo “salvador”. Submete-se apaixonadamente à liderança messiânica. O adversário é a encarnação do mal absoluto. Fanatismo é colapso do espírito crítico e a manifestação máximo da irracionalidade política.

4) Alienação: seja por egoísmo ou pusilanimidade, o alienado é sobretudo um escapista. “Não está nem aí” para os problemas da vida pública, pois não os relaciona com o seu destino pessoal. É diferente ao drama coletivo. O engajamento lhe parece desconfortável para a sua tranqüilidade e inconveniente para o seu interesse.

5) Niilismo: para o niilista o exercício da cidadania é um esforço inútil. Os protagonistas da arena pública – partidos ou indivíduos – lhe parecem, na essência, indistinguíveis. Não há melhor nem menos ruim. Não acredita na eficácia da ação política, na qual só vê um puro entrechoque de ambições e vaidades, sem objetivos superiores ou resultados benéficos.

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