Existem motivos para haver impeachment, mas ainda faltam condições políticas e objetivas

Em carta a Biden, Bolsonaro diz querer seguir “parceria” com EUA pelo meio  ambiente, em especial Amazônia – Money Times

O próprio Bolsonaro fornece motivos para impeachment

Eliane Cantanhêde
Estadão

Que o governo Jair Bolsonaro é um desastre nas mais variadas áreas, senão em todas, ninguém minimamente informado e conectado à realidade tem dúvida. Daí a imaginar que o impeachment está à vista é apenas um sonho de verão, ou de tempos de pandemia. Motivos há de sobra. O que falta são ambiente político e condições objetivas, por enquanto.

Como esquecer a reação do presidente quando o Brasil ultrapassou cinco mil mortes por covid-19: “E daí? Querem que faça o quê?”. Como esquecer a cena do presidente passeando de jet ski no dia em que o número de mortos passou de dez mil? A gota d’água é a falta de gotas de vacina. “Querem que eu faça o quê?” Que governe o País, garanta e defenda as vacinas, salve vidas.

REALIDADE VIRTUAL – Bolsonaro, porém, nunca deixou de passear no seu jet ski pela realidade virtual em que vive, feliz, todo sorrisos, fazendo campanha antecipada pela sua reeleição, em vez de fazer campanha imediata pela vacinação. Ultrapassa todos os limites de provocação, irresponsabilidade, falta de respeito e bom senso. E é o principal culpado por trazer de volta a palavra impeachment ao cotidiano nacional.

Pelo temor de a pandemia gerar processo de impeachment e descambar para crise social, política e institucional, o procurador-geral da República, Augusto Aras, deixou o País de prontidão com uma nota em que admite até estado de defesa, previsto pelo artigo 136 da Constituição para restringir liberdades individuais em cenários de caos.

UMA AMEAÇA CLARA – Soou como ameaça, por vários motivos: Aras é aliado e se sente devedor do presidente, que o pinçou para a PGR fora da lista tríplice; Bolsonaro ultrapassa limites todo santo dia; a incúria do governo compromete a vacinação da população; o auxílio emergencial acabou e milhões ficarão na miséria, cara a cara com a fome. Logo, a hipótese de impeachment não é mais absurda.

A reação a Aras foi forte, de ministros do Supremo, parlamentares e dos próprios procuradores, que focaram em dois pontos da nota: 1) a ameaça de estado de defesa, num ambiente em que o presidente enaltece ditadores e atiça as Forças Armadas e 2) a versão de Aras de que crimes de responsabilidade praticados por agentes públicos são de competência do Legislativo.

CRIME COMUM – A avaliação é de que o procurador tenta lavar as mãos e que uma autoridade saber com antecedência do risco iminente de falta de oxigênio e não evitar que pessoas morram sufocadas é crime comum, logo, compete aos tribunais e ao Ministério Público.

A nota de Aras embola Bolsonaro, pandemia, os erros do governo e algo de imensa importância no mundo e no Brasil, que é a troca de Donald Trump por Joe Biden nos EUA. O governo é um desastre internamente e o último fiapo da política externa esgarçou. Em vez de reagir corrigindo os erros, Bolsonaro dobra a aposta e teme-se que, acuado, sinta-se tentado a chutar o pau da barraca, recorrendo a instrumentos excepcionais, como o estado de defesa.

SEM CONDIÇÕES – Como imaginar impeachment, porém, se o candidato de Bolsonaro é favorito a presidente da Câmara, o PT apoia o candidato dele no Senado, governadores e prefeitos são investigados por desvios de recursos para leitos e respiradores e, agora, políticos, empresários e imorais de toda sorte furam fila para roubar as (já poucas) vacinas dos profissionais de saúde?

É dramático admitir, mas Bolsonaro é resultado e parte desse descalabro e conta com súditos fiéis para garantir pontos nas pesquisas e até bater bumbo pelas duas milhões de doses que devem pingar hoje no País, vindas da Índia. Chegam atrasadas, não resolvem nada, são uma gota no oceano para os brasileiros, mas os seguidores de Bolsonaro são craques em trocar a realidade pela versão do mito. Que vai ficando.

14 thoughts on “Existem motivos para haver impeachment, mas ainda faltam condições políticas e objetivas

  1. Pior que tudo isso é o cinismo e a crueldade da Gleisi Hofmann, com a sua contraproposta de só apoiar um candidato à presidência da Câmara Federal, se este não incluísse impeachment, em sua agenda.
    O PT, covardemente, vale-se de dois handicaps:
    1 – Da nossa amnésia coletiva; brasileiro tem memória curta;
    2 – Quando carniça vira sola seca, deixa de feder. Assim esperam os petistas: com o decorrer do tempo, suas transgressões serão esquecidas, ao mesmo tempo que as de Bolsonaro estarão no auge da fedentina. Relativamente, Lula & Cia vão aparecer santos, perante a recenticidade do que o atual presidente tem aprontado.
    Ou seja, o Partido dos Trabalhadores age como o lavrador que prática a agricultura predatória: para fazer medrar seus cultivares (ervas daninhas), não importa a extensão da flora do bem (a população) que será devastada.

  2. Impeachment SEM crime é golpe. Bolsonaro é totalmente despreparado para a política e um desastre na presidência. Mas ele sempre foi assim. E tem um mandato de 4 anos. Se ele realmente cometer algum crime, aí sim pode ser impechado. Estão forçando a barra exatamente como fizeram com Collor e Dilma.
    O povo e muitos escritores aqui da TI é que são culpados deste desastre.

    • Os milhares de vidas que se foram devido á irresponsabilidade do poder central nao seria um crime? Interferir na PF para proteger o filhinho não seria um crime? Ser irresponsavel com o devastamento da amazônia não seria crime? Estimular o povo com seus exemplos a desprezar as medidas preventivas da covid não seria um crime? Ser grosso, deselegante, desrespeitoso durante reuniao ministerial (falou até palavrão grosseiros!) não seria crime?

    • Ronaldo, data vênia, parabenizo-o pela coerência de seu discurso, embora não concorde com o conteúdo.

      Para mim, o principal responsável por tudo o que aconteceu posteriormente foi o próprio PT e seus líderes, que insistiram em continuar no poder depois de um comportamento predatório nas contas públicas, uma roubalheira sem precedentes na história do país, atingindo empresas do Governo, planos de aposentadoria dessas empresas, além dos conchavos bilionários com seus parceiros.

      Então, a decisão da sociedade foi escolher o que tivesse mais condições de não permitir a volta do PT.
      Erramos? Pelo que estamos assistindo, sim.
      Mas culpar a sociedade sem reconhecer seus próprios erros, permita-me dizer: é uma análise distorcida, fora da realidade.
      Saúde pra você.

  3. Rapaz tenho horror mistificação. Esses imbecis não conseguem colocar ninguém nas ruas contra o Bolsonaro. Aí apelam para mídia sempre corrupta. Foice, Globolixo, Estadão dos diabos. Não vão ganhar, esse país ainda está mudando. Nós vamos mostrar isso na próxima manifestação sem máscaras.
    Ah país vagabundo.

  4. Como sugestão, a sempre muito bem informada jornalista Eliane Cantanhede poderia traçar um artigo quanto à evaporação de recursos públicos ocorrida em vários Estados na implantação dos hospitais de campanha.

  5. Você acha pouco mais de 210 mil pessoas que já morreram por causa desse vírus , e , ainda vai aumentar mais por causa desse genocida que governa o Brasil.

    E os os outros crimes.Afronta à Constituição não leva ao impedimento desse boçal.?

    Vejo que, alguns defensores desse Bozo, só tem na cabeça o que o camarão tem.

  6. Realmente, falta condições políticas e objetivas, por,uma única razão.

    Os “intere’sses” dos EUA, ñ estão em jogo..
    Exemplo: Odebrecht fazendo obras a mundo fora.
    Petrobrás e o pré sal, obra genuinamente Brasileira,graças aos nossos valorosos engenheiros.

    Essa nossa projeção internacional, incomodou os gringo,ao ponto de reconhecer que Lula era o cara…

    Esse filme nós veteranos conhecemos o roteiro.

    Na gestão militar do nacionalista Ernesto Geisel,resolveu ter a bomba atômica e ter o pro álcool,sofreu boicote dos EUA, com apoio interno do Gen.Silvio Frota.
    Taí o Gen.Heleno,que pode esclarecer..

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