Expansionismo de Bolivar é delírio de Chávez

Pedro do Coutto

Os fatos seguidamente indicam que a imagem de Simon Antonio de La Santissima Trindad Bolivar – o libertador das Américas, que nasceu em Caracas, 1783, e morreu na Colômbia em 1839 —  tornou-se uma obsessão para o presidente ditador Hugo Chávez que, a toda hora, recorre à figura daquele grande vulto histórico que, através de ações políticas e combates militares, livrou diversas nações do continente do domínio espanhol.

Fascinante sua aventura ao longo dos séculos 18 e 19, embora vivesse apenas 56 anos. Estudou na Espanha, mas rompeu com o governo de Madrid. Retornou a Caracas, empenhou-se em uma série de combates armados e, além da Venezuela, libertou a Colômbia, o Equador, o Panamá, a Jamaica e a Bolívia, cujo nome comprova um vínculo histórico profundo.

Chegou a ser eleito indiretamente presidente de seu país, presidente perpétuo da Bolívia, além de presidente da Colômbia e do Equador. Em 1804, em Paris, assistiu a coroação de Napoleão Bomaparte como imperador da França. Teve estrada internacional, claro, foi um dos criadores da história da independência de vários estados. Mas tinha uma ideia fixa: unificar os países entre a Venezuela e a Colômbia, entre a Venezuela e o Equador. A Bolívia retirou-lhe o título simbólico de presidente eterno da nação.

Chávez parece sonhar, mais que sonhar, delirar, com a ideia bolivariana, aliás que repete compulsivamente, acrescentando até ao nome de seu país a expressão república socialista bolivariana. Daí a estranha iniciativa, não sei se vai concretizá-la, de exumar o corpo de Bolivar, que há um século foi trasladado para a Venezuela. Qual o objetivo dessa perspectiva de péssimo gosto? Não se sabe, mas se calcula. Ele deseja projetar-se internacionalmente a exemplo do libertador que o inspira. Mas o panorama de hoje é completamente diferente. O cenário é outro.

A começar, não existe mais a realidade do domínio da Espanha. Este ficou contido na conquista da Copa do Mundo. Nada mais. Entretanto, no momento, Hugo Chávez tem pela frente as eleições legislativas de 26 de setembro. Na tentativa de desviar para o plano externo as dificuldades internas que enfrenta, o ditador presidente, ao  lado de Maradona, -não se imagina a razão disso, – anuncia o corte de relações diplomáticas com Bogotá e admite até uma guerra entre os dois países.

Matérias das agências Reuters, France Press e Association Press, publicadas na edição de 23 de julho em O Estado de São Paulo, juntamente com reportagem de Ruth Costa, focalizaram em profundidade a atual fase e o conflito político que angustia Chávez. Ele tenta sufocar os adversários. Cortou concessão de emissoras de TV, usa o estado para assumir o controle acionário de outras, persegue jornais e jornalistas. O ditador presidente não quer a menor oposição. Quem não suporta os que se opõem sente-se inseguro no poder. Atitude realmente defensiva a dos que negam os fatos de que o acusam, preferindo o caminho de ocultar a verdade.

O Produto Interno Bruto da Venezuela, por exemplo, acentuou Ruth Costa, recuou 5,8 pontos no primeiro semestre de 2010. Há de ter produzido reflexos bastante negativos no mercado de emprego. E no sistema de salários, sem dúvida.

Talvez por uma coincidência do destino, tanto Bolivar quanto Chávez escreveram em suas páginas rompimentos com a Colômbia. Bolivar um ano antes de morrer. Chávez agora, antes das urnas, aproveitando uma declaração do representante colombiano na OEA, Alfonso Hoyos, de que Caracas dá guarida a guerrilheiros das FARC. A tensão entre os dois países assim atravessa os séculos. Surgiu ontem, continua hoje.

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