Expectativa e frustração, sem futebol coletivo

Tostão (O Tempo)

A atuação do Grêmio contra a LDU foi muito ruim. O time limitou-se a dar chutões, guerrear, correr e jogar a bola na área, para se livrar dela. Não existiu futebol coletivo. Isso é muito frequente no futebol brasileiro. As vitórias acontecem em lances isolados, como o belo gol de Elano, e porque o adversário pode ser, individualmente, muito mais fraco.

Quando os times perdem, sem um jogo coletivo, colocam a culpa na falta de comprometimento dos jogadores, como ocorreu com a seleção sub-20. Pior, contratam Bebeto para diretor-técnico, sem nenhum preparo para o cargo. Além disso, Bebeto é deputado estadual pelo Rio, membro do comitê da Copa, embaixador do Mundial, sempre com um sorriso de submissão ao poder.

Ex-atletas deveriam ser mais aproveitados em outras atividades ligadas ao futebol, nos clubes e na seleção, desde que se preparem tecnicamente e se dediquem integralmente à nova função.

Volto ao futebol coletivo. Há muitos dirigentes, técnicos, torcedores e jornalistas interessados apenas nos melhores momentos, no resultado, na festa do entretenimento, e desinteressados da fantasia e do jogo coletivo. Não podemos ver futebol apenas com o olhar utilitário.

Existe uma lenda, uma desinformação, de que os maiores times da história eram excepcionais somente porque tinham grandes craques. Eram excepcionais, também, porque jogavam um ótimo futebol coletivo, de acordo com o estilo da época.

Neymar está cada dia mais espetacular. Alia a eficiência com a descontração. Por outro lado, receio que ele, facilitado por defesas fracas, goste tanto da brincadeira e transforme seu talento em um show à parte, desvinculado do jogo coletivo. Pelé, Messi e os grandes craques participam do conjunto. A diferença é que, quando a bola chega a seus pés, mostram suas singularidades.

XAVI DÁ AULAS

Deveria ser obrigatório a todos os treinadores e jogadores de meio-campo assistir a todos os jogos do Barcelona, só para seguir Xavi e aprender como se joga coletivamente e com técnica. Ele ocupa todos os lados e posições do campo, de uma intermediária à outra. Toca, recebe, toca e faz todo o time jogar. Xavi possui a grande qualidade de saber o momento certo de dar um passe decisivo. Nunca dá a bola ao adversário. Um craque, genial.

Ao falar de Xavi, lembro-me de Ganso, que começa o jogo, hoje, contra o Santos. Apesar de todos dizerem que ele não participa da marcação, joga em um espaço muito curto e entra pouco na área para fazer gols, basta Ganso dar um lindo passe para ser chamado de gênio. Os jovens brasileiros são muito endeusados, antes da hora.

Ganso é um excelente jogador. Mas parece que isso não basta. Ele tem que ser um gênio. Esses são raríssimos. Quanto maior a expectativa, maior a frustração.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *