Fábricas de craques e bons calendários

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Tostão
O Tempo

Planejamento, organização, tempo e ótimo trabalho nas categorias de base são importantíssimos para se formar bons jogadores e um excelente time, mas os grandes da história do futebol mundial foram espetaculares porque tinham vários craques, entrosados. Para isso, não basta só planejamento. É preciso contar também com o acaso.

Os maiores clubes do mundo podem contratar os melhores jogadores. Já as seleções não têm essa possibilidade. Espanha e Alemanha, que dominaram o futebol nos últimos anos, provavelmente, não terão uma próxima geração tão excepcional quanto a atual, mesmo se fizerem ótimos trabalhos.

Isso me faz lembrar o presidente da TAM, já falecido, que encontrava, com frequência, no aeroporto de São Paulo, quando eu trabalhava como comentarista de televisão. Ele adorava conversar sobre futebol. Um dia, com seu otimismo e sua visão empresarial, me convidou para ser gerente de uma fábrica de jogadores, mas só de craques, como se fosse fácil. Eu, pessimista, ou melhor, realista, disse que não existe fórmula para isso. Aplaquei sua euforia, pelo menos naquele momento.

BONS CALENDÁRIOS

Craques precisam de bons calendários. Todos reclamam do atual, mas, raramente, citam a TV Globo. Não que ela seja vilã. É uma empresa particular, que visa lucros, que investe, que paga muito bem aos clubes e que, em troca, quer participar ativamente do calendário. O ideal seria que uma liga independente e competente, que visasse apenas o interesse da qualidade do futebol, fizesse isso, para, depois, chamar as emissoras de televisão para serem parceiras. Futebol é também um negócio.

Os clubes brasileiros arrecadam hoje muito mais, e gastam mais ainda. Se parecem com pessoas irresponsáveis e descontroladas. Pagam absurdos salários para jogadores, técnicos e executivos. Espero que o refinanciamento da dívida de R$ 4 bilhões com o governo, que, brevemente, será votado no Congresso, apresente soluções sérias, definitivas, com contrapartidas e punições severas a clubes e dirigentes, caso repitam as infrações.

É também um engano achar que, pelo fato de o Brasil ter uma forte economia, haja tantas pessoas para comprar ingressos caros e produtos ligados ao futebol. A renda per capita dos brasileiros é muito inferior à dos países desenvolvidos.

Enquanto discutem nos gabinetes, com a presença do Bom Senso F. C., o que aumentam minhas esperanças de boas soluções, a bola rola. O Cruzeiro, que se destaca por um grande repertório de jogadas ofensivas, tem, recentemente, dependido demais das bolas cruzadas pelos laterais e meias. Os outros times passaram a marcar melhor essa jogada.

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