Facebook: Brasil lidera em discurso do ódio, violência explícita, desinformação e exposição de menores

Charge do Adnael (humorpolitico.com.br)

Pedro do Coutto

Na edição de sábado, dia 7, o Estado de S. Paulo, publicou reportagem de Bruna Arimathea, Bruno Romani e Giovanna Wolf, com base em documento interno do Facebook que vazou para o New York Times, The Guardian, Le Monde e para o próprio Estadão. O documento focaliza também as correntes mais comuns do WhatsApp, cujas características são praticamente iguais às do Facebook em matéria de mensagens brasileiras.

Na edição de domingo, a Folha de S. Paulo, reportagem de Patrícia Campos Mello e Lucas Alonso trata da posição brasileira no Facebook que alerta para a circulação da violência de modo geral, incluindo, mas não priorizando, o Brasil. A matéria do Estado de S. Paulo compara a chamada onda tóxica, reunindo principalmente o Brasil, a Índia e os Estados Unidos, provavelmente por se tratarem de países de maior população, excetuando-se os regimes fechados da China e da Rússia.

DISCURSOS INFLAMADOS – O Brasil lidera entre os três. Ao que se refere aos discursos inflamados, o Brasil alcança 78 pontos contra 57 dos Estados Unidos e 50 da Índia. No bullying o Brasil lidera com 58 contra 45 dos Estados Unidos. Relativamente à desinformação, o Brasil registra 48 pontos, contra 45 da Índia e 40 dos Estados Unidos.

No campo da violência explícita, o Brasil dispara com 70 pontos, enquanto a Índia  e os Estados Unidos, respectivamente, têm 54 e 51 pontos. No terrorismo, o Brasil lidera com 70, seguida pelos Estados Unidos com 52 e pela Índia com 44. Na exposição indevida de menores, o Brasil registra os mesmos 70 pontos , a Índia 43 e os Estados Unidos 42.

No WhatsApp, parte do sistema do Facebook, o quadro praticamente se repete. Sobre os discursos inflamados, o Brasil tem 58, os Estados Unidos 55. No bullying, o Brasil registra 58 e os Estados Unidos 44. Na desinformação, Brasil 51, Estados Unidos 33 e Índia 51. No WhatsApp surge a questão do roubo de identidade. provavelmente, penso, uma pessoa se fazendo passar por outra; 74 no Brasil, 58 nos Estados Unidos, 44 na Índia.

INVESTIGAÇÃO – O documento aponta que, no Brasil, existe a percepção de que desinformação, linguagem política incendiária, bullying e exploração de crianças são problemas muito maiores no Facebook do que em outras plataformas. A empresa recomenda que uma equipe investigue “por que o alcance [de conteúdo de exploração infantil] é maior [no Facebook] do que em outras plataformas no Brasil e na Colômbia”.

Além disso, o texto afirma que as mensagens políticas são o tipo de desinformação com maior alcance na plataforma no Brasil, na percepção das pessoas.

Já nos Estados Unidos e no Reino Unido a visão geral é que o conteúdo noticioso é o maior veículo de desinformação cívica, ligada à integridade eleitoral ou das instituições, no Facebook.  A percepção avaliada pela empresa é de que, no Brasil, considera-se que o Facebook é a plataforma em que o discurso político incendiário tem o maior alcance.

A matéria do Estado de S. Paulo destina um capítulo ao impacto social e psicológico dos rumos presentes na constelação de Zuckerberg. Um perigo de difícil combate  já que, como sustento sempre, nas redes sociais da internet cada um é o editor de si mesmo. As restrições podem ser tomadas e vem sendo pelos canais através dos quais as mensagens são desferidas e atingem em múltiplos casos gratuitamente a honra e a privacidade de seres humanos. Há necessidade de um estudo mais profundo sobre a matéria, sobretudo porque o fenômeno estende-se também a Instagram, TikTok e Twitter.

META – As informações foram encaminhados à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos e fornecidos por Frances Haugen ao Congresso Americano. A reportagem destaca que a Folha de S. Paulo faz parte do consórcio de veículos e mídia que teve acesso aos papéis, revisados por advogados  e com trechos ainda ocultos. O Facebook, tal a gravidade do assunto, mudou de nome e passou a tentar ser conhecido como Meta, palavra em português.

Uma das questões que mais preocupam os dirigentes do Facebook é a exploração infantil. As análises tiveram base também nas plataformas. No relatório reservado, o Facebook refere-se ao perigo da violência explícita e acentua que as percepções detectadas dependem de uma série de fatores, incluindo contextos culturais. Porém, acho que há assunto, como é os casos legais e morais, que apresentam os mesmos riscos e gravidade em todas as línguas, incluindo o campo da pornografia e o roubo de identidade.

As reportagens no Estadão e na Folha de S. Paulo certamente serão lidas atentamente pelo ministro Luís Roberto Barroso, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral, e pelo ministro Alexandre de Moraes que vai sucedê-lo no TSE. Inclusive, O Globo, através de reportagem de Mariana Muniz, focaliza a preocupação de Luís Roberto Barroso com a monitoração do Telegram. Mariana Muniz ouviu também o ministro Edson Fachin que afirmou que a desinformação bloqueia o direito dos eleitores. Na Folha de S. Paulo, Matheus Teixeira entrevista o ministro Alexandre de Moraes sobre sua ideia de coibir e impedir as fake news nas eleições.

PRECATÓRIOS – Em artigo publicado ontem no O Globo, Merval Pereira sustenta, com razão, que o caso da emenda dos precatórios, principalmente pela corrupção que se desenvolveu sobre a votação, dá margem ao Supremo Tribunal Federal de decidir a questão e estabelecer a  moralidade na ação dos deputados que aprovaram a matéria. Bernardo Mello Franco, também no O Globo, ontem focalizou o assunto novamente, já que havia escrito na última semana.

Uma coisa é certa, digo, a relatora Rosa Weber anulou a distribuição à varejo de vultosas verbas do orçamento secreto da Câmara Federal. Em primeiro lugar, o orçamento não pode ser secreto, pelo contrário. A lei estabelece a sua publicação em Diário Oficial. Em segundo lugar, o que a meu ver constitui um argumento muito forte para que a PEC dos Precatórios seja anulada é o principio elementar de direito de que de nenhum ato ilegal pode resutar qualqeur efeito legitimo. Portanto, a aprovação da PEC pela Câmara não pode ser considerada um ato legítimo.

MORO SEM BASE POLÍTICA – Mariana Holanda e Ricardo Della Coletta, Folha de S. Paulo, focalizam na edição de ontem, opiniões de integrantes do Palácio do Planalto, considerando que Sergio Moro, que está tentando lançar-se à Presidência da República, não possui base política capaz de ameaçar a candidatura de Jair Bolsonaro à reeleição. Faz sentido. O ex-ministro da Justiça não possui base partidária sólida para disputar o Palácio do Planalto nas urnas do próximo ano.

E também não se encontra em condições favoráveis a dar o seu apoio, o que seria importante, nem a Lula da Silva ou a Jair Bolsonaro. Está processando Bolsonaro na justiça por interferência na Polícia Federal quando ele ocupava a pasta da Justiça. E não pode apoiar Lula basicamente porque o condenou à prisão no caso do triplex do Guarujá, além de revelar a conexão de empresas empreiteiras com obras públicas.

FÓRMULA 1 – Pouco antes do início da temporada da Fórmula 1 neste ano, a TV Globo desistiu de disputar os direitos de transmissão como vinha fazendo há mais de dez anos. O jornal O Globo não vinha noticiando as disputas. Mas, neste domingo, ontem, mudou. A repórter Tatiana Furtado assina uma ótima matéria sobre o Grande Prêmio do México que aconteceu neste domingo, dando destaque à luta entre Hamilton e Verstappen.

No texto, cita a transmissão pela Band e o horário que marcou o início da competição. Foi importante o fato, a meu ver. O jornalismo deve ser exercido assim, atendendo ao interesse do público.

12 thoughts on “Facebook: Brasil lidera em discurso do ódio, violência explícita, desinformação e exposição de menores

  1. Tenho amigos Bolsonaristas ultra fanáticos. E por eles recebo toda sorte de mentiras. Moro que a quantidade duplicou nos últimos dias.
    É um problema cuja solução é simples: Bastaria que todas as mensagens contivessem a identificação completa do autor bem como a identificação completa do remetente. Assim, tanto o autor quanto o divulgador(és) poderiam ser incriminados por falsidade ideológica.
    Não concordo com a censura.

    • Os integrantes do Palácio do Planalto lê-se os Ministros políticos, Onix e Ramos tendem a emitir análises que favoreçam a candidatura do chefe desacreditando os adversários. É da natureza humana bajular o superior hierárquico. O governante sábio deve desconsiderar as opiniões dos apaniguados e observar as análises dos críticos e inimigos partidarios, muito mais confiáveis.
      A candidatura Moro incomoda sim, tanto Bolsonaro quanto Lula.
      Lembram da campanha de 2018, focada na luta contra a corrupção, a moralidade da vida pública, Reformas, o fim do toma lá dá cá, a meritocracia, mais atenção as famílias, menos Brasília, eteceteteras e tal, pois bem, com esse discurso, Bolsonaro venceu Fernando Haddad do PT.
      Bolsonaro também não tinha base política no Congresso e o seu PSL era um Partido Nanico. Mesmo assim Bolsonaro venceu sem comparecer a um único debate na televisão, nem apresentar suas propostas para o Brasil l
      E agora, com um candidato muito mais qualificado como Moro, desfraldando essas mesmas bandeiras, debatendo com os adversários, com argumentos de sua experiência na magistratura, será uma candidatura difícil de bater
      Vamos ver como fica esse cenário.
      Que preocupa, lógico que sim.
      A classe política está quase ficando fogo nas vestes, principalmente o Centrão de Lyra e Lorenzoni.

      • Com todo respeito, Roberto Nascimento:

        Você já deve ter visto moro falar de improviso.
        MeuMeu Deus Deus!, “fraquim, fraquim”. Num debate será engolido por qualquer um.
        Culturalmente então?
        Sem o tamanho do “rabo de palha”.
        Capacho do sistema financeiro como há muito tempo não se via. Toda e qualquer tentativa de delação de Palocci contra a “banca, de imediato era rejeitada. Quanto aos criminosos doleiros, haja “compreensão”.

        Quem viver…

        Forte e fraterno abraço pra ti.

        • Batista Filho, você está coberto de razão. Moro tem dificuldades no debate cara a cara. Precisava ter aulas de fonoaudiologia.
          O problema, são os marqueteiros, que conseguem fazer milagres e naturalmente será exaustivamente preparado.
          Tenho críticas ao ex-juiz também, principalmente pela ingenuidade de acreditar no Bolsonaro. Ele não é infalível.
          Cometeu muitos erros processuais, tudo delatado pelo Intercept, que está mudo. Provavelmente emudeceram o jornalista.
          O sistema é implacável.

  2. Facebook, a big-tech esquerdóide monopolista, que adora censurar opiniões, ataca de novo. Dessa vez vazando “relatório” fake para a imprensa prostituída. Até a jornalista mentirosa da folhona, com sua vasta experiência em dar uns furos, foi mobilizada.

    Para o Facebook e essa escória de jornalistas degenerados e venais, o povo brasileiro é o campeão universal de violência, ódio e tudo que não presta. Eles, da escória, são puros, tolerantes e caridosos … que nojo!

  3. A PEC dos Precatórios, da forma açodada como vem sendo conduzida pelo presidente Arthur Lira, sinaliza uma ação tipicamente Eleitoreira de Lira, Guedes e Bolsonaro.
    Sobre os Precatórios, nenhuma palavra de Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco, no artigo escrito hoje no Estadão, intitulado: “Reformas não podem ser esquecidas”.
    O executivo expõe sobre a importância da continuidade das Reformas.
    Trata-se em princípio de uma crítica ao governo Bolsonaro, que não se empenhou o suficiente para a retomada das Reformas Administrativa e Tributária parada no Congresso. Nesse particular concordo com Bolsonaro, pois tocar reformas polêmicas próximo da eleição seria como dar um tiro no pé.
    Trabuco alega que a oscilação da Bolsa, os juros altos, o esfriamento do ânimo dos investidores e o perigo de recessão e estagflação no ano que vem, se devem a sensação de que as Reformas não serão votadas até a eleição de 2022.
    O mandachuva do Bradesco, disse que a retomada das Reformas iniciada com a da Previdência e da Trabalhista seria uma sinalização necessária para reverter as expectativas de crescimento econômico.
    O que o chefe do Bradesco ignorou, se refere ao lucro astronômico dos Bancos entra governo sai governo, meio a derrocada do Comércio e da Indústria. Não comentou sobre a Reforma do Imposto de Renda, parada no Senado, nem sobre o Imposto sobre as Operações Financeiras, sonho de consumo de Guedes, nem sobre a proposta de imposto sobre o lucro das grandes fortunas.
    É muito fácil criticar o andamento das Reformas, que irão afetar o direito dos trabalhadores, dos aposentados e dos servidores públicos, enquanto se cala, quanto aos juros altos, que fazem a festa de quem já ganha muito.
    O povo já percebeu a discrepância entre os juros altos embutidos nós empréstimos bancários, do cartão de créditos, enquanto se aproximam do zero, os rendimentos auferidos das aplicações nas Cadernetas de Poupança.
    Se conclui do artigo de Trabuco, que Reformas na casa dos outros é imperativo o para o crescimento do país. Mas, Reformas nas Instituições Bancárias nunca são sequer comentadas nas esferas governamentais. Por que será?
    Assim é fácil viver.

  4. Uau que bom para o Moro, enquanto o raciocínio palaciano for este para ele é o melhor que pode acontecer. Quem é contra a corrupção jamais votará no segundo turno no mito ou no Luladrão. Nem mesmo irá votar.

    • O povo brasileiro costuma se identificar com candidatos que levantam a bandeira da moralidade, da ética e no combate sem tréguas a corrupção.
      Três exemplos de candidatos que venceram com essa bandeira:
      Jânio Quadros- empenhava uma vassoura que iria varrer a corrupção para debaixo do tapete.
      Fernando Collor, o caçador de Marajás,
      E Bolsonaro o mito empunhando a espada da corrupção.
      Bem, vimos, que só serviu para vencerem as eleições, no Poder foram outros quinhentos.
      Haja enganação e mentiras no Brasil .

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