Fachin, a ética da ambiguidade e a ética da irresponsabilidade

Charge de Tacho

Percival Puggina

Durante sua sabatina na CCJ do Senado Federal, o Dr. Luiz Fachin foi confrontado com suas próprias posições, conhecidas do mundo jurídico e acadêmico nacional. O indicado pela presidente Dilma sempre foi um militante de esquerda, ligado ao MST e defensor de teses que se contrapõem à Constituição Federal. Como poderia um magistrado avesso a importantes preceitos constitucionais ser intérprete da Lei Fundamental? Iria ele reproduzir a conduta de seus futuros colegas? Em algumas votações, ao longo dos últimos anos, muitos deles deixaram a Carta de lado e votaram em conformidade com suas opiniões pessoais, afrontando os constituintes de 1988 e os legisladores ordinários que os sucederam.

Posto entre a espada que o interrogava e a parede de sua biografia intelectual, o candidato Fachin pediu socorro a Max Weber. Disse que, como professor, membro da academia, no mundo intelectual, posicionava-se segundo a ética da convicção. Ou seja, ensinava, escrevia e assumia atitudes públicas em harmonia com suas convicções pessoais. Contudo, na condição de ministro do Supremo, estaria sob a ética da responsabilidade, que lhe era imposta pela Constituição, e que jamais se prestaria para transformar o STF em substituto ou em extensão do Congresso Nacional.

Conversa para senador dormir. Oitenta e um dos 81 senadores sabem que o STF tem legislado, mesmo sem o auxílio do Dr. Fachin. Todos os senadores sabem que o Supremo faz isso, dizendo que não faz, enquanto faz. Todo brasileiro bem informado sabe que o STF, com 11 membros, decide por seis a cinco e que em caso de empate, o voto solitário de qualquer de seus ministros vale mais do que o voto de 257 deputados federais e 41 senadores juntos, ou seja, metade mais um de cada uma das duas Casas.

MAIS UM PROGRESSISTA

Portanto, ao enviar para o STF mais um “progressista”, ao empobrecer a Corte com mais um membro da vanguarda do atraso, ao conceder cadeira a outro adepto das ideias que infelicitam o Brasil e boa parte da América Latina neste início deste século 21, o Senado se submeteu à ética do PT. Jogou fora Max Weber e aderiu à ética da ambiguidade, da incerteza, da irresponsabilidade. Decidiu na contramão da segurança jurídica. Pisou no acelerador da revolução através do Judiciário. Ajudou a transformar o Supremo numa corte venezuelana, onde pupilos do partido do governo trocam piscadelas de olho como parceiros de jogo de cartas.

Esta noite em que escrevo é uma noite triste para o Brasil. Trocamos Barbosa por Fachin. Mais um ponto para dentro da curva petista. O Paraná, exoticamente, festeja. O Paraná, por indecifráveis motivos, converteu a escolha de um paranaense para o STF, por iniciativa da presidente Dilma, em suprema honraria regional. Se eu fosse paranaense veria essa indicação como um agravo e exigiria reparações. Admito, estou irritado, cansado e triste. Brasília não me dá alegrias.

7 thoughts on “Fachin, a ética da ambiguidade e a ética da irresponsabilidade

  1. Delicada é a situação do senador Alvaro Dias, do PSDB, pois assumiu perante à nação brasileira a posição de avalista dos futuros atos e julgamentos de Fachin.

    Quem viver verá…

  2. A Ética é uma coisa relativa:
    Em um bando de ladrões quem não rouba é anti ético.
    Em um grupo de traficantes quem não trafica é anti ético.
    Logo Ética depende da consciência de cada um e do grupo que ele esta inserido.

    • Sabatina a qual membros importantes da oposição (?) não compareceram, lavaram suas mãos em NYC. O que está acontecendo no poder judiciário e no Brasil é de longe motivo de insurreição popular, desobediência civil. Mas estamos anestesiados com o materialismo imediato, a luta pela subsistência, o dinheiro por si só. O povo é ignorante, está quase completamente alheio à complexidade do que acontece. A estratégia do Executivo e do PT é conquistar lentamente, agindo continuamente, extenuando as mentes mais sóbrias como a do Puggina. Os mais ignorantes não estão nem aí, não sabem direito o que acontece. O objetivo do bolivarianismo tupiniquim está sendo alcançado, infelizmente. A saída se estreita cada vez mais em direção à fronteira, ao aeroporto ou à guerra.

  3. O articulista por ignorância e ou ma fé, omite que o julgamento no STF não é monocrático, potanto, Faschin não decidira nada sozinho. A decisão é colegiada seja na câmara, ou no pleno.
    Texto tendencioso, cheio de chororo.

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